Escritor Maçom ?
Or de Porto Alegre/RS
O PRUMO Nº 90
- jul de 1993

O Homem, a Sociedade e a Moral


Ir Rizzardo da Camino

No amplo panorama maçônico, a respeito do homem-maçom, da sociedade onde ele vive e atua e da moral, tem-se escrito memoráveis artigos envolvendo aspectos sociológicos, os mais diversos.

Sobre o homem-maçom que difere do homem-comum pela Iniciação, muito se tem divulgado.

A respeito da Sociedade e em especial, a brasileira, há uma imensidão de conceitos, de crítica e de futurologia, às vezes promissora, às vezes de desencanto.

As religiões, os grupos sociais, as entidades, os direitos humanos, enfim, a volumosa parafernália correspondente, surge a todo o momento e em qualquer parte.

A atual Campanha da Fraternidade, que na Quaresma surge no Brasil, sob o comando do Papa, visa a habitação, ou seja, dar a cada família um lar condigno.

A tudo isso a Sociedade responde aos apelos e às necessidades e contribui dentro dos seus parcos recursos.

A Maçonaria pouco pode fazer, dada a sua condição de associação paupérrima.

Resta a MORAL, tão ausente em todos os setores sociais e da própria vida.

Assim, o trinômio Maçonaria -Sociedade - Moral, apresenta-se inócuo; pouco ou nada a Maçonaria contribui para uma Sociedade melhor, mais justa e produtiva; muito menos pode contribuir para que a Moral possa ser a Luz indicadora de um correto caminho.

Lemos artigos magníficos, como o inserido na Revista Hiram Nº 7/1992, de autoria do Sereníssimo Grão-Mestre Giuliano di Bernardo, do Grande Oriente da Itália, que demonstram a preocupação da Maçonaria italiana quanto ao papel que a Maçonaria representa para a Sociedade e para a Moral.

O noticiário comum que nos chega diz que nada menos que 800 pessoas, ilustres - políticos - foram denunciadas por corrupção.

A Itália, como o Brasil e a maioria das nações, enfrenta um período negativo quanto à Moral, sem contar o que sucede nos subterrâneos da Máfia e da Cosa Nostra.

Qual o poder da Maçonaria para solucionar esse enfraquecimento da Moral?

Não podemos invadir seara alheia, pois em nosso país tivemos um período negro de corrupção, a ponto de um presidente da República ser tolhido de suas funções e a preocupação de seu substituto em exigir rigor na apuração dos fatos, pois "suspeita-se" que centenas de pessoas estejam envolvidas em toda trama de desonestidade.

No Congresso Nacional e nos Governos Federal, Estadual e Municipal, a Maçonaria tem representação expressiva.

Nós, os maçons, alardeamos: "nenhum maçons está envolvido em corrupção!".

Na realidade, dados os princípios moralistas da Ordem, isso seria inaceitável.

O próprio anterior presidente da República era maçom... e quantos outros envolvidos não o seriam?

Tudo isso nos conduz a uma séria meditação.

A Moral, princípio básico maçônico, deve ser "fiscalizada" desde a Iniciação de um futuro maçom!

Enquanto não "limparmos" a casa, a Maçonaria não terá autoridade de criticar a apontar suspeitos ou mesmo culpados.

O problema não deve ser enfrentado a partir dos Grão-Mestres, mas dos Triângulos e das Lojas, mesmo situadas em pequenos municípios!

O saneamento deve partir "de mim" e "de ti", meu Irmão!

Se... todos os maçons guindados a uma posição de comando, de função pública ou de liderança na sociedade, se unissem, e "PELO EXEMPLO" exigissem correção em tudo, o trinômio Homem-Maçom - Sociedade - Moral surtiria efeito.

Infelizmente, e isso pela inobservância da Tolerância, dentro das próprias Lojas, especialmente em época de eleições, a "moral" fica guindada a segundo plano. Como os Irmãos se digladiam! Tudo porque o "poder" é de magna atração.

Os maçons novos não tiveram, ainda, oportunidade de observar de perto esse dilema; mas aos que labutam já há 3O ou 4O anos, e mais. a desilusão infiltrou-se em todos os campos!

Como contorná-la? Como lutar pelos princípios básicos da Arte Real?

Nossa esperança está na leva de jovens que ingressarão na Ordem, mas para garantir a integridade da moral, sob todos os aspectos, interna e externamente, os proponentes devem pensar duas vezes, antes de indicar um candidato.

Como é difícil ser-se Maçom!

Como é estranho rebater as acusações que nos são feitas!

Deixamos no ar, eis que esse é elemento primordial da nossa Instituição, a questão "Que posso eu, Maçom, fazer para que entre o Homem-Maçom, a Sociedade e a Moral, haja sintonia perfeita?"

Mesmo uma sugestão modesta, já será um primeiro passo para adentrarmos no caminho; todo caminho é iniciado com o primeiro passo, e então, terei eu força suficiente para esse impulso?

Com o amparo do Grande Arquiteto do Universo, cremos que sim!