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A VERDADE
Janeiro e Fevereiro 1987
ARLS Guatimozin nº 66 - São Paulo
FONTE: Compilado de Revistas Maçônicas do Chile e Revista
A VERDADE

 

História
A Maçonaria na Independência dos
Países da América do Sul

 

 



Irm Osmar Cartes

 

 

 



No Brasil, a Independência se realizava em 1822, destacando as figuras dos Irmãos Bonifácio e Ledo, que aderiram à mesma causa, dentro da Loja Comércio e Artes.

Para falar da influência da Maçonaria sobre a independência dos países da América do Sul, é preciso começar pelo educador ideológico dos próceres americanos, chamado o Precursor: Francisco Antonio Gabriel de Miranda y Rodriguez, nascido em Caracas em 28 de março de 1750. Francisco Miranda foi iniciado em 178O na Loja América, de Virgínia, EEUU, pelo Irmão George Washington.

Em sua vida obteve glórias e distinções das mais altas, concedidas por personalidades da Europa, EEUU e Rússia, mas nunca se deixou levar pela vaidade e, em todo momento, com fé de verdadeiro Maçom, manteve latente seus ideais ,de independência para as colônias espanholas da América.

Foi em Londres que o Irmão Miranda começou a fazer o seu trabalho de doutrinamento dos patriotas americanos. Em 1797 fundou a "Logia Gran Reunión Americana", que funcionava na Grafton Street, 27 Fitzroy Square, perto de Picadilly Circus. O Irmão Miranda morava nesse mesmo endereço e desenvolvia algumas atividades particulares que lhe garantiam a sobrevivência, o que, na realidade, servia para disfarçar seus trabalhos doutrinários para selecionar as pessoas certas para a causa americana.

É grande e importante a lista dos patriotas que receberam a Luz Maçônica do Malhete do Irmão Miranda e que logo se espalharam, pelo Continente todo, levando a semente revolucionária, explicando-se, deste modo, porque a Revolução da Independência foi simultânea no Continente fenômeno que tem causado admiração dos historiadores.

Somente para citar os principais Maçons preparados pelo Irmão Miranda, temos: Bernardo O'Higgins Riquelme, Libertador do Chile, sua pátria: Carlos Montúfar, ilustre militar equatoriano; Vicente Rocafuerte, Presidente da República do Equador, Bernardo Monteagudo, notável estadista argentino: José Cecillio del Valle, político e jurisconsulto hondurenho, que foi eleito Presidente de sua pátria, mas morreu antes de tomar posse; Pedro José Caro, político cubano; Servando Teresa de Mier, jurisconsulto mexicano; José Miguel Carrera, o primeiro dos Precedentes do Chile; Mariano Moreno jurisconsulto argentino; Pedro Fermin de Vargas, ilustre filho de Socorro, que hoje é o Departamento de Santander, Colômbia. Simon Bolívar, o Libertador, Antonio Narino, o precursor da emancipação de Nova Granada (a Colômbia de hoje), desde 1831 (data da divisão da Gran Colômbia) até 1858, quando tomou o nome de Confederação Granadina; Andrés Bello, famoso educador, poeta, jurisconsulto e diplomata venezuelano, posteriormente nacionalizado chileno; José de San Martin, argentino, Libertador de três paises.

A lista é interminável e para não estender em demasia, podemos dar os nomes do venezuelano Luiz Mendes; os chilenos José Cortes de Madariaga, Manuel José de Salas, Juan Antonio de Rozas, Gregorio Argomedo, Juan Antonio Rojas~ os granadinos (colombianos) Francisco Antonio Zea, José Maria Vergara y Lozano; os quitenhos Juan de Montúfar; o peruano Pablo de Olavide, José del Pozo y Sucre; os argentinos Carlos Maria de Alvear e José Maria Zapiola, etc.

Devemos esclarecer aos nossos leitores que, devido às reservas, próprias da Maçonaria, e mais ainda com esta Logia Gran Reunión Americana, de finalidade abertamente revolucionária, as informações existentes são divergentes; mas a lista anterior tem o apoio de diversos historiadores. Como exemplo citaremos dois casos de divergências: O Irmão Carlos de Montufar y Larrea, teria sido iniciado em Paris. Quanto ao Irmão Simón Bolívar, há historiadores que dão a sua Iniciação supostamente em Cádiz (1803), existindo Ata de uma Loja francesa, em poder da Grande Loja da Venezuela, que cita que sua Iniciação e Aumento de Salário teriam acontecido nessa Loja, em Paris, em 1805. Existe ainda outra versão, que ele teria sido iniciado na Venezuela e Exaltado Mestre em Paris.
O Irmão José de San Martin, teria sido iniciado na Loja Legalidad, de Cádiz, em 1808.

O rei da Espanha odiava a Maçonaria
Os patriotas começaram a se movimentar na Europa para obter apoio político. Foram instaladas outras Lojas como filiais da "Gran Reunión Americana": em Paris e em Madrid com o nome de "Junta de Las Ciudades y Provincias de Ia América Meridional ? e, em Cádiz, como "Sociedad de Lautaro" ou "Cavalheiros Racionais", tendo esta última uma grande importância devido a ser Cádiz o porto de enlace com a América. Dai os patriotas levaram instruções e traziam noticias referentes a causa americana. Porém, era de Londres que emanavam todas as ordens para dar cumprimento ao Plano Emancipador de toda a América espanhola, conforme inspiração do Irmão Miranda.

O Rei da Espanha, Fernando VII, de triste lembrança, odiava a Ordem, pois ele estava informado do papel que a Maçonaria desempenhava na Independência Sua maior preocupação era com a própria Maçonaria espanhola, que atuava principalmente através da imprensa, semeando sua mensagem de Liberdade. É bom lembrar que, anteriormente, o mais ilustre Maçom da Espanha, o Irmão Pedro Pablo Abarca de Bolea, Conde de Aranda, como Primeiro Ministro de Carlos III, tinha proposto dar independência às colônias americanas e associá?las à Espanha numa espécie de "Commonwealth".

Numa nova etapa, a Maçonaria patriota estendeu a sua ação ao próprio continente americano e, em diversas cidades, começaram a ser instaladas as célebres Lojas Lautarianas. O Irmão Miranda viajou para os EEIJU onde preparou a primeira expedição libertadora à Venezuela em 1806; a expedição foi um fracasso militar, mas conseguiu comover profundamente o sistema colonial espanhol.

O Irmão San Martin regressou a Buenos Aires no inicio de 1812, quando o processo de independência tinha começado, e colocado sua espada ao serviço da causa, enquanto secretamente instalava,junto com os Irmãos Carlos Maria de Alvear e Matias Zapiola, a Loja Lautariana de Buenos Aires. É bom lembrar que na Argentina já existiam, em 1775, Lojas Maçônicas dependentes dos Orientes da Irlanda e França, mas em 1812 as citadas Lojas estavam totalmente desorganizadas.

O nome de Sociedade de Lautaro ou Loja Lautariana, este último nome conforme o léxico argentino, teria surgido numa conversação entre os Irmãos Miranda e O'Higgins, em Londres, na qual este mencionou o nome do chefe (toqui) militar dos índios araucanos do Chile na luta contra os invasores espanhóis na metade do século XVI e que ficou como exemplo de espírito libertário,

O Rito Lautariana
Muito tem sido discutido se as Lojas Lautariana foram ou não Maçônicas, ficando, finalmente, o consenso que elas não foram Lojas Maçônicas regulares. Formadas com a finalidade de lutar pela liberdade dos povos americanos, eram autônomas, não sendo submetidas ao Poder Maçônico, regular estabelecido. Possuíam um ritual muito similar ao atual, prestavam um juramento e tinham 5 Graus, a saber.
- no 1º Grau, o Neófito comprometia-se, com a vida e seus bens, a trabalhar pela Independência Americana;
- no 2º Grau, fazia confissão de fé democrática;
- no 3º Grau, pedia-se ao filiado trabalhos de propaganda, em prol dos novos ideais;
- no 4º Grau, o filiado era comissionado para influir sobre os funcionários públicos que, no momento supremo, poderiam favorecer a causa e;
- no 5º Grau, de caráter secreto e reservado aos grandes chefes, discutia-se a ação militar e a futura administração e governo político dos países a serem liberados. Este Grau tinha o nome de "Comissão de Reservado".

A lenda mística das Lojas estava simbolizada por três letras: U. F. V. que significavam UNIÃO, FÉ, VITÓRIA
O Irmão O'Higgins preparou o Regulamento e as Obrigações dos Irmãos, os quais eram rígidos, especialmente os referentes ao segredo e a obediência às disposições da Loja, contemplando para os infratores até a pena de morte. Este fato, que tem criado muita polêmica por parte dos eternos inimigos da Ordem, tem apresentado as Lojas Lautarianas como sociedades que mantiveram a coesão de seus membros somente por temor e não por convicção de princípios.

Autores maçônicos de prestígio, como o Irmão Bartolomé Mitre (argentino), indicaram que estas penas eram somente de caráter moral, não tendo conhecimento de alguma eliminação física de pessoas, devido à divulgação de segredos. De qualquer maneira, devemos levar em consideração que os costumes da época eram diferentes dos atuais, mostrando os homens um desapego à vida que atualmente chama a atenção. Estando em jogo interesses tão elevados, poderia ter sido normal a implantação de disciplinas rigorosas.

Dando prosseguimento à tarefa de formação de uma base de apoio à causa revolucionária, o Irmão San Martin mudou?se para Mendoza, a cidade argentina que fica mais perto de Santiago, capital chilena, onde instalou mais uma Loja Lautariana. Incorporou?se nela o Irmão Bernardo O 'Higgins, que tinha sido parcialmente derrotado pelo exército espanhol na batalha da cidade, chilena de Rancagua

O Chile é liberto
Unidos os patriotas chilenos e argentinos, fundou-se mais uma Loja Lautariana em Tucumán. O Irmão José de San Martin preparou o seu plano para organizar um Exército Libertador com chilenos e argentinos, que iria expulsar as forças espanholas definitivamente do Chile e Peru, como a única forma para que o processo de Independência da Argentina, Chile e Peru fosse irreversivel.

O Chile foi libertado e o Irmão O'Higgins tomou posse como Diretor Supremo da nova República. Começou administrar um país pobre saído da guerra e que estava com sua produção, administração, educação e estrutura social e jurídica, atrasada ou nula. O Irmão O'Higgins tomou diversas medidas que afetaram seriamente as classes endinheiradas e as que pertenciam à nobreza e em boa parte, à Igreja Católica, orientado pelo trabalho dos livres pensadores laicos agrupados nas Lojas Lautariana.

O sentimento contra o Irmão O'Higgins ganhou força na crença que existia um poder superior, que às sombras, tomava determinações e fazia aplicar políticas, ficando as autoridades legitimas como simples "testas-de-ferro".

Temos que reconhecer que houve alguns erros, tais como o assassinato do herói popular, Manuel Rodriguez, de posição política radical, o fuzilamento dos Irmãos Carrera, dirigentes um grupo político antagônico e outros, próprios da inexperiência dos novos governantes.

Humanismo Maçônico de San Martín
Da sua parte, o Irmão San Martin desenvolveu a campanha do Peru, apoiado, desde o mar, por Lord Coclhrane. Nesta etapa teve a oportunidade de mostrar o seu humanismo maçônico, quando se negou a abrir fogo contra a cidade de Lima, ganhando a inimizade de Coclirane e o risco de ter um motim na esquadra e no exército, obtendo, entretanto, a rendição de Lima sem derramar uma gota de sangue.

Voltemos nossa atenção à Venezuela, onde, em 19-04-1810 foi proclamada a sua Autonomia com o pretexto do exílio de Fernando VII: foi enviada uma comissão a Londres formada pelos Irmãos Simón Bolívar, Luis López Mendez e Andrés Bello, que foi apresentada pelo Irmão Miranda ao governo inglês, mas sem resultados positivos. Os quatro voltaram a Caracas, onde o Irmão Miranda em 05-07-1811, assinou a Independência da Venezuela, numa reunião da Sociedade Patriótica (uma loja maçônica que funcionava na clandestinidade com a presença de Simón Bolívar, Peña, Iznardi, Espejo, Roscio, Yáfiez, Penalver e outras importantes figuras patrióticas, todos convictos de pertencer à Maçonaria.

Na mesma data, outra sociedade secreta funcionava numa fazenda do Irmão Bolívar, que contava com a participação dos Irmãos Vicente Malias, Mariano Montilla, Francisco Iznardi, todos iniciados na Europa, e o Irmão Roscio, iniciado nos EEUU.

Em 1811, fundou- se em Cumaná a Loj a "Perfeita Amizade" no 74 sob os auspícios da Grande Loja de Maryland, EEUU. No seu quadro figuravam os nomes dos Irmãos Antonio José de Sucre, Santiago Mariño, Manuel Rivas, Miguel Aristeiguieta, Andrés Caballero, Agustin Armário, Diego Montes e José Francisco Bermudez. Fala-se que os Irmãos Miranda, Bolívar, Rodriguez e outros Maçons fundaram, em Barcelona, a Loja "Protetora das Virtudes" nº 1, em 01-07-1812.

A reação dos realistas frente à Independência dos venezuelanos foi forte. O Irmão Miranda, solicitado pelos patriotas a assumir o governo como ditador, o que não condizia com os seus princípios de liberdade, ocasionou clamoroso fracasso; capitulou em 25-07-1812 em San Mateo, acabando sua vida na prisão de La Carraca, Cádiz.
Patente do Irmão Miranda como marechal-de-campo do exército francês, que lhe foi outorgada em 4 de setembro de 1792, em Paris.

O Encontro dos heróis
O Irmão Bolívar começou então a sua triunfal epopéia militar, que o levou à fama na posteridade. No comando das tropas venezuelanas e colombianas libertou e proclamou a República da Colômbia, constituída por Nova Granada e
Venezuela, incorporando posteriormente o Equador. Olhou para o Sul, e como o Irmão San Martin percebeu que a liberdade da América não seria definitiva enquanto a Espanha ainda lutasse no Peru, onde o Irmão San Martín a governava por um ano, realizando grandes reformas, mas sem conseguir expulsar totalmente o exército espanhol, que reforçara consideravelmente suas forças no interior do país.

A viagem do irmão Bolívar ao Peru foi um passeio triunfal. Sua entrada nas cidades parecia o regresso, de um Imperador vencedor. Em Lima,

O Irmão 0'Higgins (1778-1842), filho de irlandês, entregou-se à luta pela liberdade do Chile, tornando-se dirigente dessa República.

Aconteceu a famosa reunião com o Irmão San Martin, sem testemunhas, no fim de julho de 1822, na qual, para evitar lutas fratricidas, o Irmão San Martin cedeu ao Irmão Bolívar a honra e a glória da eliminação das tropas espanholas do Peru e a libertação da Bolívia. O messiânico venezuelano, de Libertador, vai mudando para uma ambição sem limites.
O contraste entre os Irmãos Bolívar e San Martín, do ponto de vista maçônico, é grande. O Irmão Bolívar desprendeu-se de seus juramentos maçônicos quando eles significaram um entrave aos seus projetos. O Irmão San Martin respeitou suas promessas e o segredo maçônico, negandose a revelar os detalhes de suas brigas com a Maçonaria, tendo regressado a Buenos Aires e posteriormente partido para o exílio.

Em Ayacucho o ideal Maçônico
A libertação da América espanhola chegou à sua culminação com a batalha de Ayacucho no dia 09-12-1824, que teve fatos de fraternidade e generosidade de elevados limites e que não podem ser esquecidos pelos Maçons do mundo todo. Na noite anterior à batalha, as Lojas que funcionavam em ambos os exércitos, foram citadas na reunião para procurar uma solução que evitasse derramamento de sangue, mas não foi encontrada. Foi feita, em seguida, uma reunião em conjunto, mas também com o mesmo resultado negativo. No dia seguinte um Maçom espanhol solicitou a permissão para que familiares e Maçons que militavam em diferentes exércitos fossem autorizados a abraçar-se pela última vez. Quase uma centena de americanos e espanhóis avançou para se cumprimentar, no lado esquerdo ficaram os Maçons, que após abraçarem-se três vezes, participaram de uma fraternal entrevista que durou quase meia hora e foi emocionante. Encontraram-se, entre outros, os Irmãos Rodil, Espartero, Vergara, Virrey José de La Sema, Venerável Mestre General Canterac, Past Master Marechal Jerônimo Valdez, General Monet, Antonio Tur e General Ballesteros, no lado espanhol; e os Irmãos José Faustino Sanchez Carrión, General Antonio José de Sucre, General José Maria Córdova, Tenente Coronel Vicente Tur (espanhol, mas pertencente ao exército patriota e irmão carnal de Antonio Tur) e General Antonio Valero de Bernabé, no lado americano. Ficou o exemplo da fraternidade maçônica, que não reconhece raças, nem nacionalidades, ainda que nas circunstâncias mais dramáticas.

Terminou a batalha com a vitória das armas americanas e quando o chefe espanhol, o Maçom Irmão La Serna. ferido seis vezes, entregou sua espada ao General Maçom, Irmão Sucre, este não a aceitou, solicitando que continuasse nas mãos do bravo militar. As atenções que os prisioneiros e, especialmente os feridos, receberam, foram mostras de fraternidade extrema, como igualmente, a Ata da Capitulação, em que a generosidade do vencedor ultrapassou as demandas do vencido.

O Irmão Sucre foi nomeado Presidente Vitalício da nova República da Bolívia. mas ficou somente até 1828, quando pediu demissão e voltou para a Venezuela. Em 1830 foi chamado para presidir a República do Equador. Viajando para tomar posse, foi surpreendido pelos seus inimigos, na Colômbia, morrendo assassinado.

Bolivar desentende-se com a Maçonaria
O Irmão Bolívar, envaidecido pela sua glória, recorreu os países aos quais deu a Independência, tentando manter a Confederação sob suas mãos. Mas as ambições de seus próprios comandados vão contra ele, passando a ser a alvo de numerosos - complôs, em meio a profundas desavenças políticas. Até que aconteceu o atentado mais sério, em Bogotá, no dia 25 de setembro de 1828, perpetrado por uma sociedade secreta dirigida pelo frei Argartil. Bolívar salvou-se por milagre e reagiu violentamente, emitindo em 08/11/1828 o decreto que fechava todas as associações secretas, evidentemente incluindo a Maçonaria. Todo o ministério que acompanhava Bolívar era Maçom, com exceção de um; mas, contra a vontade de Bolívar não adiantava discutir e foram inúteis todas as argumentações dos Irmãos ministros. Começou assim o desentendimento definitivo de Bobear com a Maçonaria.

É bom lembrar que da vida maçônica de Bolívar no Peru ou em outros países, fora da Venezuela, não existem provas tangíveis, Somente existe uma confissão ao escritor Maçom, oficial francês, Irmão Luiz Peru de Ia Croix, na qual Bolivar reconhece que. por simples curiosidade, ingressou na Maçonaria, tendo recebido o Grau de Mestre em Paris, mas afastou-se, posteriormente.

Glória e ocaso dos heróis
A América estava liberada do domínio espanhol. O trabalho dos Maçons estava terminado. A América já não precisava de seus heróis. O Irmão Miranda morreu numa prisão em Cádiz; o Irmão San Martin, exilou-se na França; o Irmão O'Higgins, exilado no Peru; o Irmão Sucre foi atacado traiçoeiramente na Colômbia:, o Irmão Bolivar, doente, foi desterrado para a ilha de Santa Maria (Venezuela), protegido por um espanhol. Todos morreram pobres, abandonados por quem tanto lutaram.

A luta ideológica no Brasil
De forma similar aos líderes patriotas da America espanhola, os brasileiros que iriam dirigir o processo da Independência de sua Pátria desenvolveram seus estudos na Europa, principalmente em Portugal, onde toda a intelectualidade da época achava-se altamente influenciada pela Revolução Francesa com sua Declaração dos Direitos do Homem, pelas idéias dos enciclopedistas franceses liderados pelo Irmão Diderot, e pela ação da Maçonaria, com a sua filosofia liberal.

Os dois principais patriotas brasileiros foram os Irmãos Joaquim Gonçalves Ledo e José Bonifácio de Andrada e Silva. Após seus estudos na Europa, regressaram ao Brasil e desenvolveram uma política ativa de engajamento libertário, com metas diferentes entre si, o que os tornaram rivais. O Irmão Ledo propunha um rompimento total com Portugal, e Bonifácio, como conservador e vinculado ao poder econômico, queria uma união com o reino de Portugal.

A luta ideológica das duas facções começou nos Templos Maçônicos, assumindo posteriormente caráter público, através da imprensa e dos institutos constitucionais da época.

O grupo do irmão Ledo obteve do Irmão D. Pedro I a decisão do "Fico" e concedeu-lhe o titulo de Defensor Perpétuo do Brasil, conforme proposta da Loja "Comércio e Artes", em 1822. A fundação, pelo Irmão Ledo, do Grande Oriente do Brasil, em 17 de junho de 1822, procurou o envolvimento definitivo do Irmão D. Pedro I na luta emancipadora, mas dentro dos princípios do grupo liberal. O Irmão D. Pedro I foi eleito GrãoMestre, em substituição ao Irmão José Bonifácio, cargo que o Príncipe tomou posse ao retomar de São Paulo, uma semana após o Grito do Ipiranga. Uma escolha, aliás, ilegal, porém uma boa manobra política.

As brigas entre os Irmãos Ledo e Bonifácio prosseguiram cada vez mais encarniçadas, provocando, infelizmente, uma cisão na família maçônica, incluindo o fechamento de todas as sociedades secretas.

O Irmão Ledo partiu para o exílio e quando regressou ao Brasil e ao Legislativo, viu perdido seu antigo prestígio, indo isolar-se na sua fazenda, aonde viria a falecer em 19 de maio de 1847. De sua parte, o Irmão Bonifácio sofreu os embates das ambições políticas e foi destituído do cargo de tutor do futuro Pedro II, ficando preso em sua casa na ilha de Paquetá, falecendo em 6 de abril de 1838.