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Irm
Osmar Cartes
No Brasil, a Independência se realizava em 1822, destacando
as figuras dos Irmãos Bonifácio e Ledo, que aderiram
à mesma causa, dentro da Loja Comércio e Artes.
Para falar da influência da Maçonaria
sobre a independência dos países da América
do Sul, é preciso começar pelo educador ideológico
dos próceres americanos, chamado o Precursor: Francisco Antonio
Gabriel de Miranda y Rodriguez, nascido em Caracas em 28 de março
de 1750. Francisco Miranda foi iniciado em 178O na Loja América,
de Virgínia, EEUU, pelo Irmão George Washington.
Em sua vida obteve glórias e distinções
das mais altas, concedidas por personalidades da Europa, EEUU e
Rússia, mas nunca se deixou levar pela vaidade e, em todo
momento, com fé de verdadeiro Maçom, manteve latente
seus ideais ,de independência para as colônias espanholas
da América.
Foi em Londres que o Irmão Miranda começou
a fazer o seu trabalho de doutrinamento dos patriotas americanos.
Em 1797 fundou a "Logia Gran Reunión Americana",
que funcionava na Grafton Street, 27 Fitzroy Square, perto de Picadilly
Circus. O Irmão Miranda morava nesse mesmo endereço
e desenvolvia algumas atividades particulares que lhe garantiam
a sobrevivência, o que, na realidade, servia para disfarçar
seus trabalhos doutrinários para selecionar as pessoas certas
para a causa americana.
É grande
e importante a lista dos patriotas que receberam a Luz Maçônica
do Malhete do Irmão Miranda e que logo se espalharam, pelo
Continente todo, levando a semente revolucionária, explicando-se,
deste modo, porque a Revolução da Independência
foi simultânea no Continente fenômeno que tem causado
admiração dos historiadores.
Somente para citar os principais Maçons preparados
pelo Irmão Miranda, temos: Bernardo O'Higgins Riquelme, Libertador
do Chile, sua pátria: Carlos Montúfar, ilustre militar
equatoriano; Vicente Rocafuerte, Presidente da República
do Equador, Bernardo Monteagudo, notável estadista argentino:
José Cecillio del Valle, político e jurisconsulto
hondurenho, que foi eleito Presidente de sua pátria, mas
morreu antes de tomar posse; Pedro José Caro, político
cubano; Servando Teresa de Mier, jurisconsulto mexicano; José
Miguel Carrera, o primeiro dos Precedentes do Chile; Mariano Moreno
jurisconsulto argentino; Pedro Fermin de Vargas, ilustre filho de
Socorro, que hoje é o Departamento de Santander, Colômbia.
Simon Bolívar, o Libertador, Antonio Narino, o precursor
da emancipação de Nova Granada (a Colômbia de
hoje), desde 1831 (data da divisão da Gran Colômbia)
até 1858, quando tomou o nome de Confederação
Granadina; Andrés Bello, famoso educador, poeta, jurisconsulto
e diplomata venezuelano, posteriormente nacionalizado chileno; José
de San Martin, argentino, Libertador de três paises.
A lista é interminável e para não
estender em demasia, podemos dar os nomes do venezuelano Luiz Mendes;
os chilenos José Cortes de Madariaga, Manuel José
de Salas, Juan Antonio de Rozas, Gregorio Argomedo, Juan Antonio
Rojas~ os granadinos (colombianos) Francisco Antonio Zea, José
Maria Vergara y Lozano; os quitenhos Juan de Montúfar; o
peruano Pablo de Olavide, José del Pozo y Sucre; os argentinos
Carlos Maria de Alvear e José Maria Zapiola, etc.
Devemos esclarecer
aos nossos leitores que, devido às reservas, próprias
da Maçonaria, e mais ainda com esta Logia Gran Reunión
Americana, de finalidade abertamente revolucionária, as informações
existentes são divergentes; mas a lista anterior tem o apoio
de diversos historiadores. Como exemplo citaremos dois casos de
divergências: O Irmão Carlos de Montufar y Larrea,
teria sido iniciado em Paris. Quanto ao Irmão Simón
Bolívar, há historiadores que dão a sua Iniciação
supostamente em Cádiz (1803), existindo Ata de uma Loja francesa,
em poder da Grande Loja da Venezuela, que cita que sua Iniciação
e Aumento de Salário teriam acontecido nessa Loja, em Paris,
em 1805. Existe ainda outra versão, que ele teria sido iniciado
na Venezuela e Exaltado Mestre em Paris.
O Irmão José de San Martin, teria sido iniciado na
Loja Legalidad, de Cádiz, em 1808.
O rei
da Espanha odiava a Maçonaria
Os patriotas começaram a se movimentar na Europa
para obter apoio político. Foram instaladas outras Lojas
como filiais da "Gran Reunión Americana": em Paris
e em Madrid com o nome de "Junta de Las Ciudades y Provincias
de Ia América Meridional ? e, em Cádiz, como "Sociedad
de Lautaro" ou "Cavalheiros Racionais", tendo esta
última uma grande importância devido a ser Cádiz
o porto de enlace com a América. Dai os patriotas levaram
instruções e traziam noticias referentes a causa americana.
Porém, era de Londres que emanavam todas as ordens para dar
cumprimento ao Plano Emancipador de toda a América espanhola,
conforme inspiração do Irmão Miranda.
O Rei da Espanha, Fernando VII, de triste lembrança,
odiava a Ordem, pois ele estava informado do papel que a Maçonaria
desempenhava na Independência Sua maior preocupação
era com a própria Maçonaria espanhola, que atuava
principalmente através da imprensa, semeando sua mensagem
de Liberdade. É bom lembrar que, anteriormente, o mais ilustre
Maçom da Espanha, o Irmão Pedro Pablo Abarca de Bolea,
Conde de Aranda, como Primeiro Ministro de Carlos III, tinha proposto
dar independência às colônias americanas e associá?las
à Espanha numa espécie de "Commonwealth".
Numa nova etapa,
a Maçonaria patriota estendeu a sua ação ao
próprio continente americano e, em diversas cidades, começaram
a ser instaladas as célebres Lojas Lautarianas. O Irmão
Miranda viajou para os EEIJU onde preparou a primeira expedição
libertadora à Venezuela em 1806; a expedição
foi um fracasso militar, mas conseguiu comover profundamente o sistema
colonial espanhol.
O Irmão San Martin regressou a Buenos Aires
no inicio de 1812, quando o processo de independência tinha
começado, e colocado sua espada ao serviço da causa,
enquanto secretamente instalava,junto com os Irmãos Carlos
Maria de Alvear e Matias Zapiola, a Loja Lautariana de Buenos Aires.
É bom lembrar que na Argentina já existiam, em 1775,
Lojas Maçônicas dependentes dos Orientes da Irlanda
e França, mas em 1812 as citadas Lojas estavam totalmente
desorganizadas.
O nome de Sociedade de Lautaro ou Loja Lautariana,
este último nome conforme o léxico argentino, teria
surgido numa conversação entre os Irmãos Miranda
e O'Higgins, em Londres, na qual este mencionou o nome do chefe
(toqui) militar dos índios araucanos do Chile na luta contra
os invasores espanhóis na metade do século XVI e que
ficou como exemplo de espírito libertário,
O Rito
Lautariana
Muito tem sido discutido se as Lojas Lautariana foram ou não
Maçônicas, ficando, finalmente, o consenso que elas
não foram Lojas Maçônicas regulares. Formadas
com a finalidade de lutar pela liberdade dos povos americanos, eram
autônomas, não sendo submetidas ao Poder Maçônico,
regular estabelecido. Possuíam um ritual muito similar ao
atual, prestavam um juramento e tinham 5 Graus, a saber.
- no 1º Grau, o Neófito comprometia-se, com a vida e
seus bens, a trabalhar pela Independência Americana;
- no 2º Grau, fazia confissão de fé democrática;
- no 3º Grau, pedia-se ao filiado trabalhos de propaganda,
em prol dos novos ideais;
- no 4º Grau, o filiado era comissionado para influir sobre
os funcionários públicos que, no momento supremo,
poderiam favorecer a causa e;
- no 5º Grau, de caráter secreto e reservado aos grandes
chefes, discutia-se a ação militar e a futura administração
e governo político dos países a serem liberados. Este
Grau tinha o nome de "Comissão de Reservado".
A lenda mística das Lojas estava simbolizada por três
letras: U. F. V. que significavam UNIÃO, FÉ, VITÓRIA
O Irmão O'Higgins preparou o Regulamento e as Obrigações
dos Irmãos, os quais eram rígidos, especialmente os
referentes ao segredo e a obediência às disposições
da Loja, contemplando para os infratores até a pena de morte.
Este fato, que tem criado muita polêmica por parte dos eternos
inimigos da Ordem, tem apresentado as Lojas Lautarianas como sociedades
que mantiveram a coesão de seus membros somente por temor
e não por convicção de princípios.
Autores maçônicos de prestígio,
como o Irmão Bartolomé Mitre (argentino), indicaram
que estas penas eram somente de caráter moral, não
tendo conhecimento de alguma eliminação física
de pessoas, devido à divulgação de segredos.
De qualquer maneira, devemos levar em consideração
que os costumes da época eram diferentes dos atuais, mostrando
os homens um desapego à vida que atualmente chama a atenção.
Estando em jogo interesses tão elevados, poderia ter sido
normal a implantação de disciplinas rigorosas.
Dando prosseguimento à tarefa de formação
de uma base de apoio à causa revolucionária, o Irmão
San Martin mudou?se para Mendoza, a cidade argentina que fica mais
perto de Santiago, capital chilena, onde instalou mais uma Loja
Lautariana. Incorporou?se nela o Irmão Bernardo O 'Higgins,
que tinha sido parcialmente derrotado pelo exército espanhol
na batalha da cidade, chilena de Rancagua
O Chile
é liberto
Unidos os patriotas chilenos e argentinos, fundou-se mais uma Loja
Lautariana em Tucumán. O Irmão José de San
Martin preparou o seu plano para organizar um Exército Libertador
com chilenos e argentinos, que iria expulsar as forças espanholas
definitivamente do Chile e Peru, como a única forma para
que o processo de Independência da Argentina, Chile e Peru
fosse irreversivel.
O Chile foi
libertado e o Irmão O'Higgins tomou posse como Diretor Supremo
da nova República. Começou administrar um país
pobre saído da guerra e que estava com sua produção,
administração, educação e estrutura
social e jurídica, atrasada ou nula. O Irmão O'Higgins
tomou diversas medidas que afetaram seriamente as classes endinheiradas
e as que pertenciam à nobreza e em boa parte, à Igreja
Católica, orientado pelo trabalho dos livres pensadores laicos
agrupados nas Lojas Lautariana.
O sentimento contra o Irmão O'Higgins ganhou força
na crença que existia um poder superior, que às sombras,
tomava determinações e fazia aplicar políticas,
ficando as autoridades legitimas como simples "testas-de-ferro".
Temos que reconhecer que houve alguns erros, tais
como o assassinato do herói popular, Manuel Rodriguez, de
posição política radical, o fuzilamento dos
Irmãos Carrera, dirigentes um grupo político antagônico
e outros, próprios da inexperiência dos novos governantes.
Humanismo
Maçônico de San Martín
Da sua parte, o Irmão San Martin desenvolveu a campanha do
Peru, apoiado, desde o mar, por Lord Coclhrane. Nesta etapa teve
a oportunidade de mostrar o seu humanismo maçônico,
quando se negou a abrir fogo contra a cidade de Lima, ganhando a
inimizade de Coclirane e o risco de ter um motim na esquadra e no
exército, obtendo, entretanto, a rendição de
Lima sem derramar uma gota de sangue.
Voltemos nossa
atenção à Venezuela, onde, em 19-04-1810 foi
proclamada a sua Autonomia com o pretexto do exílio de Fernando
VII: foi enviada uma comissão a Londres formada pelos Irmãos
Simón Bolívar, Luis López Mendez e Andrés
Bello, que foi apresentada pelo Irmão Miranda ao governo
inglês, mas sem resultados positivos. Os quatro voltaram a
Caracas, onde o Irmão Miranda em 05-07-1811, assinou a Independência
da Venezuela, numa reunião da Sociedade Patriótica
(uma loja maçônica que funcionava na clandestinidade
com a presença de Simón Bolívar, Peña,
Iznardi, Espejo, Roscio, Yáfiez, Penalver e outras importantes
figuras patrióticas, todos convictos de pertencer à
Maçonaria.
Na mesma data, outra sociedade secreta funcionava
numa fazenda do Irmão Bolívar, que contava com a participação
dos Irmãos Vicente Malias, Mariano Montilla, Francisco Iznardi,
todos iniciados na Europa, e o Irmão Roscio, iniciado nos
EEUU.
Em 1811, fundou-
se em Cumaná a Loj a "Perfeita Amizade" no 74 sob
os auspícios da Grande Loja de Maryland, EEUU. No seu quadro
figuravam os nomes dos Irmãos Antonio José de Sucre,
Santiago Mariño, Manuel Rivas, Miguel Aristeiguieta, Andrés
Caballero, Agustin Armário, Diego Montes e José Francisco
Bermudez. Fala-se que os Irmãos Miranda, Bolívar,
Rodriguez e outros Maçons fundaram, em Barcelona, a Loja
"Protetora das Virtudes" nº 1, em 01-07-1812.
A reação
dos realistas frente à Independência dos venezuelanos
foi forte. O Irmão Miranda, solicitado pelos patriotas a
assumir o governo como ditador, o que não condizia com os
seus princípios de liberdade, ocasionou clamoroso fracasso;
capitulou em 25-07-1812 em San Mateo, acabando sua vida na prisão
de La Carraca, Cádiz.
Patente do Irmão Miranda como marechal-de-campo do exército
francês, que lhe foi outorgada em 4 de setembro de 1792, em
Paris.
O Encontro
dos heróis
O Irmão Bolívar começou então a sua
triunfal epopéia militar, que o levou à fama na posteridade.
No comando das tropas venezuelanas e colombianas libertou e proclamou
a República da Colômbia, constituída por Nova
Granada e
Venezuela, incorporando posteriormente o Equador. Olhou para o Sul,
e como o Irmão San Martin percebeu que a liberdade da América
não seria definitiva enquanto a Espanha ainda lutasse no
Peru, onde o Irmão San Martín a governava por um ano,
realizando grandes reformas, mas sem conseguir expulsar totalmente
o exército espanhol, que reforçara consideravelmente
suas forças no interior do país.
A viagem do irmão Bolívar ao Peru
foi um passeio triunfal. Sua entrada nas cidades parecia o regresso,
de um Imperador vencedor. Em Lima,
O Irmão
0'Higgins (1778-1842), filho de irlandês, entregou-se à
luta pela liberdade do Chile, tornando-se dirigente dessa República.
Aconteceu a
famosa reunião com o Irmão San Martin, sem testemunhas,
no fim de julho de 1822, na qual, para evitar lutas fratricidas,
o Irmão San Martin cedeu ao Irmão Bolívar a
honra e a glória da eliminação das tropas espanholas
do Peru e a libertação da Bolívia. O messiânico
venezuelano, de Libertador, vai mudando para uma ambição
sem limites.
O contraste entre os Irmãos Bolívar e San Martín,
do ponto de vista maçônico, é grande. O Irmão
Bolívar desprendeu-se de seus juramentos maçônicos
quando eles significaram um entrave aos seus projetos. O Irmão
San Martin respeitou suas promessas e o segredo maçônico,
negandose a revelar os detalhes de suas brigas com a Maçonaria,
tendo regressado a Buenos Aires e posteriormente partido para o
exílio.
Em Ayacucho
o ideal Maçônico
A libertação da América espanhola chegou à
sua culminação com a batalha de Ayacucho no dia 09-12-1824,
que teve fatos de fraternidade e generosidade de elevados limites
e que não podem ser esquecidos pelos Maçons do mundo
todo. Na noite anterior à batalha, as Lojas que funcionavam
em ambos os exércitos, foram citadas na reunião para
procurar uma solução que evitasse derramamento de
sangue, mas não foi encontrada. Foi feita, em seguida, uma
reunião em conjunto, mas também com o mesmo resultado
negativo. No dia seguinte um Maçom espanhol solicitou a permissão
para que familiares e Maçons que militavam em diferentes
exércitos fossem autorizados a abraçar-se pela última
vez. Quase uma centena de americanos e espanhóis avançou
para se cumprimentar, no lado esquerdo ficaram os Maçons,
que após abraçarem-se três vezes, participaram
de uma fraternal entrevista que durou quase meia hora e foi emocionante.
Encontraram-se, entre outros, os Irmãos Rodil, Espartero,
Vergara, Virrey José de La Sema, Venerável Mestre
General Canterac, Past Master Marechal Jerônimo Valdez, General
Monet, Antonio
Tur e General Ballesteros, no lado espanhol; e os Irmãos
José Faustino Sanchez Carrión, General Antonio José
de Sucre, General José Maria Córdova, Tenente Coronel
Vicente Tur (espanhol, mas pertencente ao exército patriota
e irmão carnal de Antonio Tur) e General Antonio Valero de
Bernabé, no lado americano. Ficou o exemplo da fraternidade
maçônica, que não reconhece raças, nem
nacionalidades, ainda que nas circunstâncias mais dramáticas.
Terminou a batalha com a vitória das armas
americanas e quando o chefe espanhol, o Maçom Irmão
La Serna. ferido seis vezes, entregou sua espada ao General Maçom,
Irmão Sucre, este não a aceitou, solicitando que continuasse
nas mãos do bravo militar. As atenções que
os prisioneiros e, especialmente os feridos, receberam, foram mostras
de fraternidade extrema, como igualmente, a Ata da Capitulação,
em que a generosidade do vencedor ultrapassou as demandas do vencido.
O Irmão Sucre foi nomeado Presidente Vitalício
da nova República da Bolívia. mas ficou somente até
1828, quando pediu demissão e voltou para a Venezuela. Em
1830 foi chamado para presidir a República do Equador. Viajando
para tomar posse, foi surpreendido pelos seus inimigos, na Colômbia,
morrendo assassinado.
Bolivar
desentende-se com a Maçonaria
O Irmão Bolívar, envaidecido pela sua glória,
recorreu os países aos quais deu a Independência, tentando
manter a Confederação sob suas mãos. Mas as
ambições de seus próprios comandados vão
contra ele, passando a ser a alvo de numerosos - complôs,
em meio a profundas desavenças políticas. Até
que aconteceu o atentado mais sério, em Bogotá, no
dia 25 de setembro de 1828, perpetrado por uma sociedade secreta
dirigida pelo frei Argartil. Bolívar salvou-se por milagre
e reagiu violentamente, emitindo em 08/11/1828 o decreto que fechava
todas as associações secretas, evidentemente incluindo
a Maçonaria. Todo o ministério que acompanhava Bolívar
era Maçom, com exceção de um; mas, contra a
vontade de Bolívar não adiantava discutir e foram
inúteis todas as argumentações dos Irmãos
ministros. Começou assim o desentendimento definitivo de
Bobear com a Maçonaria.
É bom
lembrar que da vida maçônica de Bolívar no Peru
ou em outros países, fora da Venezuela, não existem
provas tangíveis, Somente existe uma confissão ao
escritor Maçom, oficial francês, Irmão Luiz
Peru de Ia Croix, na qual Bolivar reconhece que. por simples curiosidade,
ingressou na Maçonaria, tendo recebido o Grau de Mestre em
Paris, mas afastou-se, posteriormente.
Glória
e ocaso dos heróis
A América estava liberada do domínio espanhol. O trabalho
dos Maçons estava terminado. A América já não
precisava de seus heróis. O Irmão Miranda morreu numa
prisão em Cádiz; o Irmão San Martin, exilou-se
na França; o Irmão O'Higgins, exilado no Peru; o Irmão
Sucre foi atacado traiçoeiramente na Colômbia:, o Irmão
Bolivar, doente, foi desterrado para a ilha de Santa Maria (Venezuela),
protegido por um espanhol. Todos morreram pobres, abandonados por
quem tanto lutaram.
A luta
ideológica no Brasil
De forma similar aos líderes patriotas da America espanhola,
os brasileiros que iriam dirigir o processo da Independência
de sua Pátria desenvolveram seus estudos na Europa, principalmente
em Portugal, onde toda a intelectualidade da época achava-se
altamente influenciada pela Revolução Francesa com
sua Declaração dos Direitos do Homem, pelas idéias
dos enciclopedistas franceses liderados pelo Irmão Diderot,
e pela ação da Maçonaria, com a sua filosofia
liberal.
Os dois principais
patriotas brasileiros foram os Irmãos Joaquim Gonçalves
Ledo e José Bonifácio de Andrada e Silva. Após
seus estudos na Europa, regressaram ao Brasil e desenvolveram uma
política ativa de engajamento libertário, com metas
diferentes entre si, o que os tornaram rivais. O Irmão Ledo
propunha um rompimento total com Portugal, e Bonifácio, como
conservador e vinculado ao poder econômico, queria uma união
com o reino de Portugal.
A luta ideológica das duas facções começou
nos Templos Maçônicos, assumindo posteriormente caráter
público, através da imprensa e dos institutos constitucionais
da época.
O grupo do irmão
Ledo obteve do Irmão D. Pedro I a decisão do "Fico"
e concedeu-lhe o titulo de Defensor Perpétuo do Brasil, conforme
proposta da Loja "Comércio e Artes", em 1822. A
fundação, pelo Irmão Ledo, do Grande Oriente
do Brasil, em 17 de junho de 1822, procurou o envolvimento definitivo
do Irmão D. Pedro I na luta emancipadora, mas dentro dos
princípios do grupo liberal. O Irmão D. Pedro I foi
eleito GrãoMestre, em substituição ao Irmão
José Bonifácio, cargo que o Príncipe tomou
posse ao retomar de São Paulo, uma semana após o Grito
do Ipiranga. Uma escolha, aliás, ilegal, porém uma
boa manobra política.
As brigas entre
os Irmãos Ledo e Bonifácio prosseguiram cada vez mais
encarniçadas, provocando, infelizmente, uma cisão
na família maçônica, incluindo o fechamento
de todas as sociedades secretas.
O Irmão Ledo partiu para o exílio e quando regressou
ao Brasil e ao Legislativo, viu perdido seu antigo prestígio,
indo isolar-se na sua fazenda, aonde viria a falecer em 19 de maio
de 1847. De sua parte, o Irmão Bonifácio sofreu os
embates das ambições políticas e foi destituído
do cargo de tutor do futuro Pedro II, ficando preso em sua casa
na ilha de Paquetá, falecendo em 6 de abril de 1838. |