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Gotas de Sabedoria -
27/04/03
Ganesha pertence
à família de deuses mais popular do Hinduísmo.
Ele é o filho mais velho de Parvati e Shiva. Parvati é
filha dos deuses Himalayas, aquela cadeia de montanhas nevadas,
que cobre o norte da Índia. Ela é uma deusa muito
graciosa e linda, mãe bondosa e esposa devota. Shiva - bem,
até mesmo seus amigos mais íntimos admitem, que ele
não é um pai ou marido ideal.
Shiva ama sua
família de todo coração, mas a sua maneira.
O que acontece é que ele não agüenta ficar em
casa o tempo todo. Tem alma de aventureiro, gosta de viajar, mas
a sua paixão é a meditação e o Yoga.
Tanto, que quando absorto meditando, nem um terremoto o perturba.
Shiva e Parvati
casados, viviam muito felizes num bangalô no Monte Kailasa
nos Himalayas, longe da civilização. Depois de algum
tempo, Parvati percebeu que seu marido estava inquieto, ele abria
a janela e olhava suspirando os altos picos das montanhas, e ela
via nos seus olhos a sombra de um sonho. Ela o amava profundamente,
e compreendeu o desejo que o consumia.
Um dia ela disse
a Shiva:
- Por que você não viaja por uns tempos? Eu sei que
você levava uma vida diferente, antes de nos casarmos. Você
meditava, dançava, deve estar sentindo falta de tudo isso
agora.
- Não minha querida - assegurou-lhe o marido. - Os velhos
tempos acabaram, não sinto falta deles mais.
- E a sua meditação? - ela perguntou. Ela era a sua
principal ocupação. - Você é o maior
yogui dentre todos os deuses.
Shiva sabia que ela estava certa. Ele desejava mesmo se absorver
de novo, pela prática da meditação, e tinha
saudades das grutas favoritas das montanhas, onde se sentava para
meditar. E depois foi o poder do Yoga, que o transformou num deus
tão poderoso. Mas ele ainda hesitou.
- Mas você não vai se sentir sozinha, se eu for?
Parvati lhe
assegurou que ficaria bem. Até porque, queria reformar o
bangalô, transformar num lugar confortável e bonito
onde uma família pudesse morar, um lar de verdade.
Feliz, Shiva
colocou sua pele de tigre na cintura, enrolou suas cobras favoritas
no pescoço e braços, chamou Nandi, sua vaca, e dando
um aceno de despedida partiu montado nela.
- Não me demorarei. - ele disse a Parvati
Só que
Shiva é o mais esquecido dos deuses. Quando medita é
impossível despertá-lo. Acima do sagrado rio Ganges,
Shiva se sentou e começou a meditar. Passaram-se muitos anos,
que equivaliam a milhares de anos terrestres, uma vez que o tempo
é diferente para os homens e deuses.
Quando finalmente,
Shiva levantou da posição de lótus, lembrou-se
da esposa que o esperava pacientemente, no Monte Kailasa, e correu
de volta para casa.
Neste tempo
que Shiva esteve ausente, Parvati fez um lindo jardim em volta do
bangalô, costurara cortinas para as janelas e almofadas para
o chão, pintara as paredes e as portas. E nem ficou sozinha
por muito tempo. Shiva não sabia que tinha deixado sua esposa
grávida. Parvati teve um lindo menino, que a manteve bastante
ocupada, lhe deu o nome de Ganesha.
Anos se passaram
e o deus bebê cresceu e transformou-se num rapaz inteligente
e sério, muito apegado a mãe, e que adorava ajudá-la.
Numa manhã
de primavera, Parvati estava tomando banho, enquanto seu filho se
mantinha perto do portão do jardim. Um homem alto, com longos
cabelos presos, um monte de cobras e uma pele de tigre enrolada
no corpo se aproximava do portão, e atrás dele uma
vaca. Shiva tinha voltado para casa sem se preocupar com sua aparência
selvagem.
Shiva parou...
- será que esta linda casa era mesmo a sua? E quem seria
aquele garoto bonito no portão?
- Deixe-me entrar menino!
- Não, - respondeu Ganesha, franzindo as sobrancelhas para
o vagabundo que queria entrar.
- Você não pode entrar! Ganesha se posicionou na porta
de espada em punho.
Naquele momento,
Shiva estava furioso, seu terceiro olho, do poder, apareceu no meio
da sua testa, brilhando como fogo. Em segundos o corpo do menino
estava no chão sem cabeça.
Ouvindo vozes Parvati se apressou, horrorizada viu seu filho sem
cabeça e o marido que há tanto tempo não via.
Chorou amargamente. Exclamou:
- O que você fez?! Este é Ganesha seu filho!
Shiva desculpou-se
a Parvati, porém não podia voltar atrás, o
que esta feito, esta feito. Mas prometeu a sua esposa que o primeiro
ser que visse “dormindo errado” (considerava que aquele
que dormia com a cabeça voltada para o sul, estava errado,
pois o certo seria dormir com a cabeça voltada para o norte)
ele cortaria a cabeça e a colocaria em seu filho.
Então
Shiva percorreu milhas e milhas, e encontrou um filhote de elefante
dormindo “errado”. Shiva cortou-lhe a cabeça
e ao retornar encaixou-a entre os ombros de Ganesha. Inconformada
Parvati foi pedir ajuda a outros deuses.
Brahma e Vishnu
que são autoridades no Hinduísmo tanto quanto Shiva,
ao ver o pobre e esquisito menino com cabeça de elefante,
disseram a Parvati que nada poderiam fazer quanto a cabeça
de Ganesha, pois não poderiam passar por cima de uma decisão
de Shiva, mas poderiam dar à Ganesha poderes, para que ele
se transformasse num deus muito querido por todos ou hindus. Ganesha
seria sempre reverenciado antes de todas as cerimônias religiosas,
seria também aquele que destrói os obstáculos,
aquele que trás fortuna...
Parvati sentiu-se
aliviada, agradeceu aos deuses, e se foi.
E assim se fez. Hoje na Índia Ganesha é o deus mais
adorado, sua imagem é encontrada no painel de todos transportes,
na entrada das lojas comerciais, e é realmente lembrado com
carinho e devoção em todas as cerimônias religiosas,
dando proteção e apoio àqueles que são
seus devotos.
Ele é
o Deus do conhecimento, sabedoria e removedor de obstáculos.
Ele é venerado ou pelo menos lembrado no inicio de qualquer
missão ou novo projeto para bênçãos e
patrocínio.
Ele tem quatro
mãos, a cabeça de um elefante e uma barriga bem grande.
Seu veiculo é um pequeno rato. Em uma de suas mãos
ele carrega uma corda (para carregar os devotos da verdade), uma
machadinha em outra (para libertar seus devotos de apegos e vícios),
tem um doce em uma das mãos (para gratificar os seus devotos
por suas atividades espirituais), suas quatro mãos estão
sempre estendidas para abençoar as pessoas. A combinação
de sua cabeça de elefante e um veiculo de pequeno e ligeiro
ratinho representa tremenda sabedoria, inteligência, presença
de espírito e agilidade mental.
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