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Irm João
Correia Silva Filho
15 de abril de 2003
"O
homem é um animal essencialmente político".
Nesta frase
singular temos o termo "político" na sua essência.
Político é aquele que vive em (poli) comunidade. Não
cuidava Sócrates de política partidária, pois,
tal estrutura ainda não existia, pois, todo o "cidadão"
tinha acesso à Tribuna. E, através da palavra o cidadão
estabelecia o elo de ligação entre a liberdade e a
democracia. A liberdade
é a realização de poder fazer, alcançada
pela expressão da vontade. A Democracia, por sua vez, é
o poder fazer dentro da expressão da vontade coletiva.
Pode-se
"fazer" porque, assim, todos e desta forma querem que
se faça e que seja feito. Daí nasce o ordenamento
jurídico, que limita a liberdade e o poder fazer não
só do cidadão como também dos dirigentes.
E,
por ser fruto da vontade coletiva, embora restrinja, não
elimina a liberdade. Surge, assim, a coisa pública ou a "ré"
(coisa) + "publica" (de todos), ou seja, o interesse público
ou coletivo. Assim, a responsabilidade
pela "coisa pública" é do cidadão. Toda vez que o "cidadão" se omite do exercício
dessa responsabilidade ele está renunciando os princípios
da "liberdade" e da "democracia", e da normalidade
jurídica e institucional. Esta renúncia promove a
instalação de governos tiranos, das chamadas ditaduras,
onde a vontade de uns poucos se sobrepõe ao direito da maioria. As ditaduras
foram instituídas pelo "poder da força",
geralmente das forças armadas. Todavia, muitas vezes elas
foram instaladas por outras forças, como, por exemplo, pela
força de superstições e da manobra intelectual.
A Maçonaria
historicamente, nos últimos três séculos, lutou
bravamente contra as ditaduras e foi porta-voz dos brados nacionalistas.
Lutou contra todo o tipo de opressão imperialista. No último
século "(1900), no Brasil especialmente, ela se aquietou. Nunca teve a Maçonaria um "partido político"
mas ela sempre foi detentora de ideais políticos (libertação:
inconfidência mineira, farroupilhas, independência do
Brasil e proclamação da república; abolição:
lei do ventre livre, Lei dos Sexagenários, Lei Áurea).
Na História do Brasil podemos assim estabelecer os dois grandes
movimentos (ideais políticos). Sobre estes ideais mobilizou-se
a Maçonaria e, através dos Maçons, conseguiu
os resultados de que tanto nos orgulhamos. Assim, os Maçons
de hoje, por defenderem, como os de outrora, os ideais de liberdade,
de igualdade e de fraternidade, têm o dever de não
renunciar os princípios de "liberdade", de "democracia"
e de "república", sob pena de renunciar a própria
cidadania. E, sendo o Maçom essencialmente um "cidadão",
pois dele se exige que seja completamente "livre" e que
tenha como timoneiro de sua vida os princípios das "virtudes".
Assim, politicamente, pode-se dizer que o "Maçom é
o político essencialmente livre e de bons costumes",
que na sua atuação política (comunitária),
propugna pelos ideais de liberdade (democracia plena), igualdade
(justiça social) e fraternidade (realização
coletiva).Não se
pode fazer uma sociedade mais justa e mais fraterna a não
ser com dirigentes mais justos e mais fraternos. Assim, reserva
a Maçonaria para seus adeptos o dever de serem líderes
de sua coletividade.
E, toda vez que um Maçom recusa de exercer
seus deveres, na linguagem de sua Iniciação, torna-se
um perjuro. E, nós Maçons Brasileiros, por problemas
de política interna, estamos a quase um século em
perjúrio. Pois, deixamos de debater em nossas Lojas os problemas
nacionais e por isso deixamos de agasalhar bandeiras de lutas, que
representem o interesse maior de nossa Pátria, de nosso Estado
ou de nosso Município.
As Lojas, dada a difusão de
opiniões e de formação intelectual de seus
membros, deveriam ser as caixas de ressonância da opinião
da municipalidade, e, por elas se cuidar apenas dos interesses da
coletividade (poli) e estarem, ali, alheios os interesses pessoais
de seus membros, deveriam ser o fórum capaz de oferecer soluções
aos nossos problemas, que são graves e muitos.Somos, em geral,
algozes críticos de nossa atuação.
Todavia,
não apresentamos sugestões, ficamos apenas no lamento
e na decepção.
Isto é, porque sempre pensamos
em grandes realizações e não compreendemos
que nas pequenas coisas estão as grandes soluções.
É a conduta do brasileiro.
Fomos, culturalmente forjados
para pensar em grandes realizações: o país
maior do mundo. Pensamos, nos
Presidentes da República que foram Maçons e nos esquecemos
dos Prefeitos e Vereadores Maçons.Em qualquer
lugar em que estejamos, estamos sobre uma base municipal. O Município
é, portanto, a célula da federação.
Se os princípios maçônicos gerirem as nossas
municipalidades e edilidades estarão, sem sombra de dúvida,
gerindo o País.
O Município é a "polis"
- grega - onde nasce a democracia e os ideais de liberdade. Se as
Lojas se transformarem em Tribunas livres na defesa dos lídimos
interesses da coletividade, os Maçons poderão, no
próximo século, orgulharem-se de nos, Maçons
deste século. Assim, é exigida dos Maçons uma
participação efetiva, para recolocar o País
em seu rumo.
Esta participação está por exigir
que Maçons se candidatem aos cargos e, se eleitos, façam
administrações "limpas e puras", quer no
Poder Executivo, ou quer no Legislativo, e transformem as Lojas
em órgão Auxiliar para o exercício de seus
mandatos.
Exige-se das Lojas, por outro lado, eleitos ou não
Maçons, uma efetiva fiscalização das coisas
públicas, buscando se necessário a Justiça
para punir os maus administradores. Somente, através de administrações
"limpas e puras" é que erradicaremos o câncer
da "corrupção".
Esta é
nossa proposta para começarmos a fazer um Brasil melhor -
o melhor País do Mundo - para se viver, onde reine a Liberdade,
a Igualdade e a Fraternidade. |