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lrm José Fernandes Leito
O G A D U em
sua imensurável bondade concedeu ao Homem primitivo uma inteligência
capaz de construir, modificar e destruir componentes dos três
reinos da natureza ao longo dos tempos. Mas, para que o homem pudesse
manipulá-los, necessário se fez que ele inventasse
ferramentas que o ajudasse em seu objetivo. A Maçonaria através
de sua simbologia concebeu no ferramental de pedreiros uma forma
inteligente de difundir sua doutrina filosófica, de tal modo
que cada um dos Maçons pudesse entender suas metas, tirar
suas conclusões e usar esses instrumentos de trabalho na
construção de seu Templo interior.
No primeiro
Grau simbólico encontramos o Esquadro, a Régua, o
Compasso, o Nível, o Prumo, o Malho e o Cinzel, utensílios
fundamentais ao Maçom no seu trabalho de lavrar, esquadrejar,
medir e polir a Pedra Bruta com a finalidade de transformá-la
em Pedra Polida ou Cúbica.
O Esquadro é
o Símbolo da Justiça e da Gratidão, seu ângulo
reto simboliza a conduta irrepreensível que o Maçom
sempre deverá manter perante a sociedade, pautando todos
os seus atos e decisões dentro da mais absoluta retidão
e equidade no trato de seus semelhantes.
Em conjunto com o Compasso
representa o "Escudo Maçônico", signo mais
conhecido da Maçonaria. É composto de dois ramos de
comprimento igual e provém da metade de um quadrado que é
o Símbolo da Terra onde se desencadeiam as paixões
humanas e, o verdadeiro Maçom encontrando-se entre o Esquadro
e o Compasso está entre o Céu e a Terra, ou ainda,
entre a matéria e o espírito.
Sendo o Esquadro
o instrumento que se destina a dar forma regular a todo material,
serve simbolicamente, para indicar ao Maçom que sob o ponto
de vista moral, deve ser empregado para corrigir as falhas e as
desigualdades do caráter humano.
Como Símbolo da justeza
que conduz o homem à perfeição, o Esquadro
torna-se o Emblema da Sabedoria e, como tal, além de figurar
sobre o Alt dos JJur figura também no Colar do V. M. para
indicar que ele deve ter como sentimentos os Estatutos da Ordem
e agir de uma única forma que é a retidão.
Na posição da Ordem do Grau de Apr. a qual ostenta
quatro Esquadros e cuja interpretação é astronômica,
porque nesta forma está contida quatro vezes no ponto onde
se cortam os diâmetros do círculo zodiacal, que os
dividem em quatro partes, correspondendo cada uma à estação
do ano respectiva, de conformidade com a inclinação
do Sol em sua carreira.
O Compasso quase
que inseparável do Esquadro é o Compasso. Enquanto
aquele serve para regular as nossas ações, este deve
traçar os justos limites a conservar em nossa conduta para
com os nossos semelhantes.
É o Compasso um instrumento de
dois ramos de madeira ou metal, reunidos por uma de suas extremidades
de maneira a poder afastar-se ou aproximar-se uma da outra para
medir ângulos, traçar círculos de dimensões
diferentes.
Estes diversos círculos nos dão a idéia
do pensamento nos vários círculos de raciocínio
que podem atingir, ora largas e abundantes posições,
ora a raras e estreitas conclusões, mas todas elas sempre
claras e positivas.
O Compasso da Justiça é a própria
razão que determina, não só a origem, mas ainda
a legitimidade do direito. Representa as radiações
da inteligência e da consciência do homem.
No Grau de
Apr. tem suas pontas voltadas para o Oc e colocadas sob os ramos
do Esquadro que são voltados para o Or. ., simbolizando assim
que o Apr só trabalha na Pedra Bruta e, então dela
não poderá fazer uso enquanto não estiver perfeitamente
polida e esquadrejada.
Podendo-se abrir em diversos ângulos
ele passa a ser um instrumento valiosíssimo na simbologia
maçônica, assim, a 60° a espiritualidade vai dar
no cosmos, a 9O Graus torna-se o Esquadro indicando que, com esta
abertura máxima os limites de espírito humano não
poderiam ser transpostos.
A Régua
como ferramenta usada para medir e delinear os trabalhos, assim
como, para traçar linhas retas, deve servir como utensílio
de meditação, de consciência, de inteligência
e de cautela ao Maçom na execução de seus afazeres,
ou na tomada de decisões, que o permitam traçar na
Pedra Bruta, retas que a tornem Cúbica.
Antigo Símbolo
da retidão, do método e da lei, a Régua é
considerada o emblema do aperfeiçoamento e, como a reta não
tem começo nem fim, ela também é vista como
Símbolo do Infinito. Significa ainda o meio de assegurar
o cumprimento das normas do comportamento humano -sem as quais não
pode haver ordem.
Estas normas constituem o equilíbrio de
todas as ações, assim, elas consubstanciam uma medida
que pode ser avaliada pelos módulos da Régua.
Em Maçonaria
utiliza-se a Régua de 24 polegadas significando as 24 horas
do dia, as quais devem ser divididas pelo Mestr de CCer. que porta
a insígnia da Régua, em espaços iguais destinados
ao trabalho, ao repouso, aos exercícios físicos e
mentais e à recreação, ou seja, as horas não
devem ser mal empregadas na ociosidade e em ocupações
egoísticas.
O Nível,
como Jóia do 1º Vig. é o emblema da igualdade
entre os Maçons. Ele lembra aos OObr. da Ordem que todas
as coisas devem ser consideradas com serenidade igual e que o seu
Símbolo tem como corolário noções de
medida, imparcialidade, tolerância, igualdade, além
do correto emprego dos conhecimentos. Prima pelo ideal de que ninguém
entre nós deve procurar dominar os outros.
Para Ragon é
o Símbolo de igualdade social, base do Direito Natural, ao
passo que para Plantagenet corresponde a igualdade original, embora
sem nivelamento de valores. No simbolismo o Nível é
considerado como uma ferramenta passiva, é o "Símbolo
da nossa submissão à Lei, que impôs a todos
e perante à qual somos todos iguais" (NicoIa Aslan).
O Prumo ou a
Perpendicular é a insígnia do 2º Vig. e representa
a retidão da consciência e procedimento de um Irm da
Igualdade e da profundeza na observação. Para os Antigos
é o emblema do equilíbrio que simboliza, ao mesmo
tempo, a escada sobre a qual se encontram repartidos, desigualmente,
os seres da Natureza.
Para Frau Abrines o Prumo é o Símbolo
da estabilidade, da ordem, da justiça e da equidade. Mackey
analisa esta ferramenta do ponto de vista geométrico como
aquilo que é vertical e ereto, sem inclinação
nem para um lado nem para outro, ou seja, em sentido figurado significa:Justiça
- é a que não inclina para qualquer lado a não
ser a verdade.
Fortaleza - aquela que não cede ao desfavorável ataque.
Prudência - aquela que segue sempre o caminho da integridade.
Temperança - que não se desvia por apetites e paixões.
O Malho junto com o Cinzel e a Régua são as ferramentas
imprescindíveis ao Apr. de Maçom pois, sem o concurso
delas o trabalho de desbaste da Pedra Bruta seria impossível.
O Malho representa a vontade, a energia, a força física,
o aspecto ativo da consciência, necessários para vencer
os obstáculos, e seu emprego seria nulo se não existisse
o Cinzel, instrumento passivo que produz a beleza final de toda
a obra e determina a justa aplicação da sabedoria.
O Malho representa a inteligência que permite ao homem distinguir
o Bem do Mal e avaliar o que é justo do que é injusto,
mas para tanto necessário se torna que o trabalho seja dirigido
e consciente, daí a importância da Régua no
planejamento e do Cinzel no corte e embelezamento da Pedra Bruta.
Sem esta integração o Malho apenas quebraria, pulverizaria
ou esmagaria a Pedra ao invés de lapidá-la.
Ferramenta
cortante o Cinzel representa a perseverança e o agente espiritual
da vontade celeste que pode penetrar a matéria. Movido pelo
Malho ele tem por missão fazer desaparecer as asperidades,
os preconceitos e os erros.
Assim, nenhuma obra poderá
ser produzida na pedra sem a ação bem orientada do
Cinzel, com a Força do Malho, após o traçado
de linhas retas e perfeitas pela Régua.
Enfim, como
é lamentável que os homens não tenham compreendido
a generosidade do Grande Geômetra do Universo e utilizem todo
esse conhecimento de geometria, de construção e manipulação
de ferramentas para a destruição, a perversidade,
perseguição e domínio de seres semelhantes. |