MAÇONS

 

 




ARLS de Pesquisas "Brasil" Or de Londrina - PR


O Barão de Antonina e a
Revolução de 1842


Irm Hercule Spoladore



Alguns historiadores paranaenses se atrevem em afirmar que, em 1842, quando da Revolução Liberal, se os rebeldes de São Paulo e Minas Gerais, tivessem conseguido através de uma passagem estratégica para o sul, constituída pela 5ª Comarca, cuja sede era Curitiba, entrar em contato com a Revolução Farroupilha, então uma ampla revolta nacional poderia ter precipitado a República em quarenta e sete anos antes, e o rapazola D. Pedro II recém-elevado à maioridade teria perdido seu trono.

Este corredor estratégico que era a 5ª Comarca da Província de São Paulo, cujos habitantes ansiavam de há muito a sua separação, tiveram uma participação bastante simples e inteligente, ou seja, permaneceram neutros, não permitindo assim que vários focos revolucionários se aglutinassem, pois uma união com os farrapos poderia ser fatal para o Império.

O que chama a atenção neste episódio da história do Brasil é que quase todos os homens envolvidos, quer do lado legal, quer do lado revoltoso, tinham filiação maçônica.

Durante todo o período regencial e mesmo no segundo reinado, os Partidos Conservador e Liberal, os dois mais importantes, disputavam por todos os meios o poder e as benesses da Corte. E se revezavam no poder.

O período regencial, muito instável politicamente resultou num movimento político, liderado pelos Liberais no momento fora do poder, apoiado pela Maçonaria, para que o herdeiro do trono fosse elevado à maioridade, o que realmente aconteceu em 23/07/1840. D. Pedro II tinha então quinze anos incompletos.

Os Liberais muito embora conseguissem do jovem imperador, a nomeação de um liberal para ocupar o cargo do Chefe de Gabinete, não conseguiram do povo, nem dos Conservadores, em maioria no Parlamento, a compreensão ao seu programa de governo, considerado avançado para a época. Esta situação iria ocasionar a quedado Gabinete Liberal em 23/03/1841. Era o Gabinete chefiado por Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (Maçom, irmão de José Bonifácio). Cita-se que na reunião em que o ministério solicitou sua demissão, na presença do imperador Antônio Carlos teria dito a seu irmão carnal Martim Francisco, ministro da Fazenda: "Não te disse, Martim, quem se mete com crianças, amanhece molhado? Vamos embora".

O Gabinete antes de cair, havia marcado eleições, para que pudessem conseguir maior representatividade no Parlamento, as quais acabaram acontecendo em meio a maior falta de ética é deslealdade possível. Os Liberais ganharam nas urnas.

Após a queda do Gabinete Liberal, os Conservadores em maioria, aprovaram duas leis, uma criando o Conselho de Estado (23/11/1841) e outra emendando o Código Processual (03/12/1841), as quais criavam obstáculos às pretensões dos Liberais.

Em 01/01/1842 foi dissolvida a Câmara dos Deputados.

Os Liberais bastante enfurecidos, apoiados pelos Farrapos do Rio Grande do Sul, optaram por um movimento sedicioso.

Os Liberais das Províncias de São Paulo e Minas Gerais pegaram em armas.

Em São Paulo, os principais líderes eram Maçons: Padre Diogo Antônio Feijó, Rafael Tobias de Aguiar e Senador Vergueiro.

Tobias de Aguiar vai para as cidades de Itú e Sorocaba e consegue sublevar estas cidades. Em 17/05/1842 aclama-se Presidente da Província.

O Barão de Caxias, Maçom Iniciado no Rio de Janeiro em 1841, foi nomeado pelo Governo para defender a ordem.

Nesta fase da insurreição, ocorreu um episódio inédito, que seria o ponto de partida real para o futuro desmembramento da 5ª Comarca da Província de São Paulo, que se chamaria Paraná.

O Presidente da Província de São Paulo, o baiano José Costa de Carvalho (Barão de Monte Alegre - Loja "Amizade" - São Paulo), não muito querido pelos paulistas nomeou como seu emissário um político hábil, João da Silva Machado, com a missão de ir a Curitiba e convencer os Liberais curitibanos a permanecerem neutros, pois assim estaria anulado o contato, bem como a única via por terra, para que os rebeldes pudessem se unir aos comandados de Bento Gonçalves (Loja Filantropia e Liberdade" de Porto Alegre), chefe da Revolução Farroupilha.

O Barão de Monte Alegre prometeu que uma vez terminada e derrotada a revolução, caso a 5ª Comarca permanecesse neutra, seria desmembrada tornando-se uma nova Província. Esta promessa foi avalizada pelo Barão de Caxias.

As outras promessas foram: João da Silva Machado seria o primeiro Presidente e também seria agraciado com o título de Barão.

Em Curitiba os Liberais já estavam conjurando, se reunindo secretamente para analisar a situação e partirem para o apoio aos revoltosos. Estavam em clima de revolução, já cogitando de como seria o governo da 5ª Comarca, quem seria o novo Presidente, e alguns pensando em uma junta governativa de três membros.

João da Silva Machado trabalhou rápido. A promessa de separação da Comarca acalmou os ânimos revolucionários. Machado em sua mensagem de 29/06/1842 ao Presidente da Província de São Paulo, afirmava que tinha conseguido seu intento, que Curitiba estava "firme como uma rocha" ao lado do Governo, mas que havia empenhado sua palavra e que seria necessário a 5ª Comarca estar livre o quanto antes por decreto e que não queria ser Presidente alegando: "Estou velho e quero descansar". João da Silva Machado era Maçom.

Em Paranaguá, outro Maçom, o Correia Júnior (Loja "União Paranaguense "fundador), Coronel da Guarda Nacional, armou e manteve por sua conta, um batalhão a favor do Governo para combater os revoltosos caso fosse necessário.

O andamento da revolução na 5ª Comarca não foi bom para os revoltosos. Com Curitiba ao lado do Governo Imperial, o Barão de Caxias ordenou ao Coronel Silva de Castro, comandante das forças na sede da Comarca, que bloqueasse Itararé, não permitindo que os farroupilhas enviassem auxílio a Tobias de Aguiar. Quando as forças do levante resolveram atacar São Paulo, o que demoraram muito a fazer, Caxias já estava à espera deles. Após a vitória do Governo em Venda Grande, os rebeldes voltam a Sorocaba. Em 21/06/1842 Caxias entrava vitorioso nesta cidade.

Interessante um fato à parte deste acontecimento, foi o casamento no dia 14/06/1842 de Rafael Tobias de Aguiar com a Famosa Marquesa de Santos, com a qual vivia maritalmente há alguns anos. Possivelmente pressentindo a derrota quis legalizar sua situação matrimonial. Serviram como testemunhas do ato, o Capitão Francisco Xavier de Barros e o chefe político da revolução, o Padre Diogo Antônio Feijó, nestas alturas em cadeira de rodas, paraplégico. Era portador de uma grave osteopatia de coluna. Aguiar foi preso próximo a Passo Fundo - RS.

Os rebeldes mineiros chefiados pelo Maçom, Teófilo Otoni, tiveram algumas vitórias, mas por falta de unidade no comando, a exemplo dos paulistas não aproveitaram a oportunidade de ataque. Caxias, o subjugou em 20/08/1842 842 em Santa Luzia. Em virtude do nome deste local, os adeptos do Partido Liberal ficaram com o apelido de "luzias". Teófilo Otoni ficou preso durante um ano e meio.

Caxias tratou muito bem os vencidos, especialmente o Padre Feijó. Talvez porque a maioria fosse seus Irmãos Maçons.

Finalmente, em 14/03/1844, o Governo Imperial indultou todos os rebeldes.

Com relação à tão esperada emancipação, o Barão de Monte Alegre foi fiei à promessa feita, e, em 30/07/1842, recomenda ao Ministro do Império, o Visconde de Sapucaí (Cândido José de Araújo Viana) - Maçom, 2º Grão-Mestre do Grande Oriente do Passeio a separação da Comarca, argumentando que haveria perigo em desatender a aspiração dos habitantes da mesma já que "a cada comoção que aparece no Império de que a Comarca se agite e acompanhe o movimento por desgostosa de não merecer a atenção de seus votos há tão largo tempo manifestados". Cita a seguir a fidelidade durante a rebelião, e inúmeras "circunstâncias que bem analisadas tornam possível a criação de uma nova Província".

Em abril de 1842 o deputado paulista Carneiro de Campos apresenta o primeiro projeto de elevação, da Comarca de Curitiba à Província. Porém foi só o que os paulistas fizeram. Monte Alegre demitiu-se e, outros políticos foram indicados para o governo da Província de São Paulo e os próprios paulistas passaram a trabalhar contra o projeto. Somente após muita luta parlamentar daí a dez anos em 1853, mais precisamente em 29/08/1853 é que D. Pedro assinou a Lei 704, criando a Província do Paraná e em 10/12/1853 foi feita a instalação solene com a posse como primeiro Presidente, do estadista baiano Zacarias de Góes e Vasconcelos.

João da Silva Machado, nascido em Taquari - Rio Grande do Sul em 17/06/1782, foi alfaiate, depois capataz de fazenda e tropeiro. Comprava as tropas na região do Prata e vendia-as em Sorocaba, Sant Ana, na Bahia e até Caxias, no Maranhão.

Era uma pessoa influente, hábil político, sabia tirar proveito das situações.

Negociava com latifúndios, e acabou ficando rico. Foi tenente-coronel das Milícias em 1829. Foi camarista e presidente da Câmara de Vila do Príncipe (Lapa); deputado provincial em São Paulo, representando Curitiba; Coronel Honorário do Exército Nacional em 1842 e comandante Superior da Guarda Nacional. Durante os anos de 1837 - 1838 foi Vice-Presidente da Província de São Paulo. Após o Paraná ter se tornado Província, foi o primeiro Senador em 1854.

Foi tornado Barão em 11/09/1843 e Barão com grandeza em 1860.

Não se tem notícias de quando teria sido Iniciado na Maçonaria, mas tem-se registro de que foi fundador da Loja «D. Pedro Il no Rio de Janeiro em 01/07/1867. Era então Grau 33.

O Maçom Barão de Antonina, permaneceu sempre fiel ao Governo Imperial e, apesar de muito ligado à Província de São Paulo, não resta a menor dúvida que trabalhou a seu modo, para que a 5ª Comarca fosse desmembrada, o que quer dizer que ele queria ver um dia uma nova Província neste rico chão paranaense.

Faleceu em São Paulo em 19/03/1875.