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Ir Kurt Max Hauser
Uma das perguntas
mais intrigantes que se ouve, especialmente dos maçons recém
iniciados, é sobre a origem de nossa Ordem. Mesmo maçons
já mais experientes apresentam as origens mais diversas para
começo da Maçonaria. Vamos ver a opinião exposta
por alguns dos mais sérios escritores maçons.
O Irmão
J. G. Findel, que nasceu em 1828 e faleceu em 1905, escreve em seu
livro "História da Maçonaria", página
19: "Cegos pela ambiciosa vaidade de fazer atingir a origem
da Instituição a uma antiguidade remota, alguns procuram
atribuir a ilustração de certos membros ou se deixam
extraviar pela analogia de certos símbolos e velhos costumes
de Lojas com os antigos mistérios. Em lugar de inquirir como
se introduziram esses usos na Maçonaria, apoiam-se em hipóteses
para fazer sair delas a própria Instituição".
O Irmão
Albert Lantoine, que nasceu em 1869, escreve em sua obra 'Trane-Maçonnerie
chez Elle, na página 4: "O erro da maior parte dos escritores
maçons consiste na preocupação que tiveram
e na tentativa feita de basear a história da Instituição
no seu simbolismo. Em virtude dos seus sinais de reconhecimento,
de seus atributos e das normas do seu cerimonial terem alguma semelhança
com os ntos das sociedades antigas, foram levados a deduzir - e
a crer - que pertenciam a elas
J. Berteloot,
padre jesuíta e profundo estudioso da Ordem, escreve em sua
obra "Les Franc Maçons devant I'Histoire, na página
13: "Segundo a opinião quase unânime dos historiadores
sérios que estudaram a Maçonaria, a sua origem mais
verdadeira é a mais verossímil: ela descende das antigas
corporações de mestres-pedreiros construtores de catedrais
e igrejas, corporações formadas sob a influência
da Igreja na Idade Média".
O Irmão
Paul Naudon escreve em sua obra "Les Origines Religicuses et
Corporatives de Ia Franc-Maçonnerie", na página
7: "Realmente, a história da Maçonaria é
mal conhecida. As obras não faltam, sem dúvida, mas
os historiadores são raros. A maior parte é apologia
ou panfletos detratores, isto é, obras impregnadas de paixão,
defeito inconciliável com o espírito Histórico".
Se fizermos
uma verificação profunda, veremos que a primeira referência
sobre a Maçonaria como organização surgiu em
1356, quando um Código de Regulamentos Maçônicos
foi formalmente apresentado, na sede da Municipalidade de Londres,
na Inglaterra. Em 1376, encontramos informações sobre
a Companhia Maçônica de Londres, e é interessante
observar sua evolução. De acordo com a Grande Loja,
em 1463 ela arrendou terras e edifícios por 99 anos, sendo
que as edificações foram transformadas em sede da
Corporação Maçônica. No ano de 1472 recebeu
a concessão de um Escudo, com a inscrição "Deus
é nosso guia" e que, mais tarde, foi substituído
pela expressão "Confiamos no Senhor". Este Escudo,
levemente modificado, continua incluído no Escudo atual da
Grande Loja Unida da Inglaterra.
O primeiro documento
escrito conhecido sobre a Franco-Maçonaria é o chamado
Poema Regius. Quem descobriu este poema foi um estudioso que não
era maçom, chamado J. O. Halliwell-Phillips (o nome Phillíps
foi acrescentado por ele mais tarde, para contentar seu padrasto).
Este poema estava catalogado sob o título "Um Manuscrito
de Obrigações Morais", no Museu Britânico.
Sua história é incerta, porém, aparentemente,
pertenceu durante algum tempo a John Thomas. O primeiro proprietário
conhecido foi John Thayer, um colecionador de antiguidades que faleceu
em 1673. Sua avó, Ann Hart Thayer, ofereceu sua biblioteca
e antiguidades para a biblioteca de Bodley, em Oxford, porém
a mesma não se interessou pelo assunto e assim todo o acervo
foi vendido para Robert Scott, comerciante de livros em Londres,
e depois foi vendido para Carlos II, em 1678, pelo preço
de dois "shillings". Tornou-se depois parte da Biblioteca
Real de Henrique VII, por isto o nome de Regius dado ao manuscrito.
Em 1757, a Biblioteca foi dada de presente para o Museu Britânico
por Jorge II. Em sua homenagem, a coleção ficou conhecida
como "Coleção Regius".
Em 1839, Hailiwell
apresentou um trabalho sobre este manuscrito, uma parte do seu trabalho
foi publicado na revista "Arqueologia" em 1840 e, no mesmo
ano, o poema foi reproduzido diversas vezes. Foi escrito por volta
de 1390, tendo sido evidentemente copiado de um documento mais antigo.
Escrito em um inglês antigo, era de difícil leitura
para ser decifrado por um não lingüista. No decorrer
dos anos seguintes, foi adaptado ao inglês moderno.
De acordo com
o Manuscrito Regius, o Rei Athelstan, que subiu ao trono da Inglaterra
em 925, foi neto de Alfredo, o Grande, e faleceu no ano de 940.
Convocou os maçons para um encontro e então lhes deu
novos e modernos regulamentos e os enviou mundo afora. James Anderson
afirma que isto aconteceu no ano de 926 na cidade de York. O historiador
e escritor maçom Coil, entretanto, observa que, nos documentos
mais antigos e que são o Regíus e o Cooke, não
mencionam a cidade de York, e inclusive discorda da data anual de
926, achando que provavelmente a reunião teria sido em 932.
Sem dúvida alguma, o livro mais detalhado sobre a Maçonaria
e sua evolução é de Robert Freke Gould, em
três volumes "A História da Franco-Maçonaria"
pois ele, de maneira cautelosa, baseou-se em uma documentação
séria, não se deixando levar por fantasias.
Os documentos
mais antigos de Lojas foram encontrados na Escócia e existem
até os dias atuais. Os documentos escritos da Loja "Mary's
Chapel, da cidade de Edinburg, existem completos desde 1599. Na
Inglaterra, de acordo com Gould," somente os documentos da
Loja "Alnwick" entre as datas de 1700 e 1717 são
conhecidos". De diversas fontes, sabemos do ingresso de Elias
Ashmole em data de 16 de outubro de 1646, conforme consta em seu
diário: 'Fui feito Franco-Maçom em Warrenton, no Lancashire,
em companhia de Heniy Maínwanng" Ele ainda acrescentou
o nome de sete membros da Loja. Os documentos desta Loja estão
desaparecidos. Outrossim, não sabemos exatamente quando a
Franco-Maçonaria ingressou na Irlanda. Provavelmente foi
após a formação da Grande Loja da Inglaterra
que iniciou a existência oficial da Maçonaria na Irlanda.
Sem dúvida alguma, havia conhecimento de Maçonaria,
pelo menos nos primórdios de 1688.
O Manuscrito
de Cook, de 1410, continha o primeiro elo de ligação
entre os maçons e o Rei Salomão. Harry Carr, em seu
trabalho "Grande Loja", transcreveu o seguinte do Manuscrito:
"Quando da construção do Templo de Salomão,
que o Rei David iniciou, pois, este tinha grande apreço pelos
maçons e lhes deu incumbências aproximadamente como
as atuais. E quando da construção do Templo na época
de Salomão, assim como está escrito na Bíblia,
no III Livro de Reis". "Salomão tinha quatro mil
maçons a seu serviço; e o filho do Rei de Tiro foi
seu Mestre Maçom".
Grande grupo
de historiadores acreditam que a Franco-Maçonaria seja descendente
dos pedreiros. Ora, sem dúvida alguma, os pedreiros devem
ter existido de alguma forma por todo o mundo, desde os primórdios,
muito tempo antes da construção das pirâmides
no Egito. Não há necessidade de muita fantasia para
imaginar que existiram pedreiros ou outros artífices, desde
que o homem primitivo começou a construção
para abrigar-se das intempéries em casas ou edifícios.
Isto, sem dúvida, necessitava de algum tipo de organização
tomando-se, sem dúvida, uma especialização.
Histórias na Bíblia e em outros velhos documentos
contém esta teoria.
Não podemos
ir além do século XVI para encontrar maçons
especulativos nas Lojas Operativas, entretanto, não podemos
deixar de acreditar que, anteriormente a este século, tenha
havido alguma ligação entre clérigos e outras
pessoas de certa cultura como os pedreiros operativos que, em sua
maioria, não podiam ler nem escrever. Na obra "Grande
Loja" se menciona que o primeiro registro de maçons
não operativos aceitos foi em julho de 1634, quando Lord
Alexander, Sir Anthony Alexander e Sir Alexander Strachan foram
admitidos como "companheiros" na Loja de Edinburg (Mary's
Chapel). O escritor Coil afirma da existência de maçons
não operativos desde 1600, entretanto, McLeod acredita que
isto não está correto, pois não há prova
alguma. John Boswell, não operativo, assistiu a um julgamento
de um Vigilante e não a uma sessão de Loja. O historiador
Coil encontrou o ingresso de não operativos em Kelso no ano
de 1652; em Aberdeen, no ano de 1670, e em Kilwinning em 1672. Outrossim,
ele descobriu o último maçom operativo como membro
da Loja Glasgow, em 1842.
Sobre a origem
da palavra "Loja" igualmente há muita especulação.
Pelos dicionários, temos a informação de que
originou-se, provavelmente, das construções ou barracões
onde os pedreiros trabalhavam e viviam junto às obras que
estavam construindo. Lojas de maçons são mencionadas
em 1352, na Catedral de Minster, na Catedral de Canterbury, em 1429,
na Igreja de São Nicolau de Aberdeen, em 1483 e na Igreja
de St. Giles, em Edinburg, em 1491. "Loja", primeiramente,
se referia a organizações não fixas e permanentes,
porém gradualmente se transformaram em locais fixos, como
a de Edinburg em 1598.
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