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1º)
Editorial
A Enciclopédia Maçônica de Lenning, ed. de 1864,
dedica à memória do grande maçom Johann Gottftied
Herder nada menos de sete páginas, demonstrando desta maneira
o grande respeito que tiveram seus contemporâneos ao grande
filósofo do humanismo.
Herder ainda
hoje é considerado o símbolo vivo e o sumo pontífice
da doutrina humanitária que, desde o início da nossa
época "mecanizada ", materialista e esvaziada de
ideais puros está nos advertindo, pregando o retorno ao espiritualismo.
Herder viu seu
ideal numa humanidade interiormente melhorada pela prevalência
do espírito sobre a matéria e nobreza de sentimentos,
saturados pelo verdadeiro amor ao próximo dentro de um cristianismo
puro, sem dogmas. Muito longe estamos nós, hoje, desse estado
ideal preconizado por Herder. Mas a Maçonaria continua trilhando
nessa senda que conduzirá algum dia, não importa:
se neste século ou nos vindouros, que conduzirá a
humanidade a um destino melhor, quando os homens por si melhorados,
farão jus a esse prêmio.
Devem, pois,
os homens, agir de acordo com os ensinamentos do grande Mestre e
serão mais felizes. Expressa?se Herder uma vez em seus escritos,
da seguinte forma:?
"Ninguém
precisa cair em desespero em virtude do efeito de sua existência.
Quanto mais ordem reina na mesma, quanto melhor o homem se adapta
em suas ações às leis da natureza, tanto mais
seguro será o efeito". Assim agindo ele tem procedido
da mesma maneira como Deus o teria feito. Não deve, portanto,
agir de forma diferente, a não ser de pôr em ordem
um caos, expulsar as trevas para que possa surgir a luz, e assemelhar
tudo à sua própria bela figura. Procedendo dessa maneira
terá sucesso, pois vencerá pela bondade e pela verdade".
Consta em suas "Cartas sobre a Idéia Humanitária:"
- "Poesia, filosofia e história são as três
Luzes, um triângulo sagrado, que brilha sobre nações,
seitas e gerações".
Seu humanitarismo,
como não podia ser diferente, se baseia no nosso semelhante.
O nosso próximo é a causa primária da nossa
alegria ou do nosso sofrimento, na maioria dos casos. Há
uma lei de causa e efeito e outra do reflexo das ações.
Cada um de nós precisa do próximo, queira ou não
queira acreditar. O humanitarismo, portanto, exige atividade em
benefício do próximo, esteja ele a grandes distâncias
ou ao nosso lado. Dizia Herder:
- "Nenhum homem pode viver para si, exclusivamente. As virtudes
ou os vícios, que pratica dentro dum círculo restrito
ou grande, alcançarão os outros, para os alegrar ou
os fazer sofrer".
Atividade em
benefício da humanidade seja também para nós
um dever cívico, social e maçônico. Não
bastam palavras. O Maçom é "obreiro e deve dar
um bom exemplo". E a humanidade moderna, da "era da informática"
- precisa de bons exemplos, mais do que nunca, afim de que não
se perca no caos e nas trevas do materialismo, egoísmo e
ódio de classes.
Sejam, pois,
essas linhas uma mensagem espiritual de Herder a nós, maçons
da época atual.
2º)
Johann Gottfried von Herder
(1744-1803)
Nasce na Prússia,
filho de um mestre-escola pietista. Discípulo de Kant em
Konigsberg.
Contata com Goethe em Estraburgo, de quem se torna amigo.
Professor em Riga desde 1764.
Visita França. Pastor luterano desde 1765, torna-se, entre
1776 e 1803, superintendente da igreja de Weimar.
Povo
orgânico
Estrutura a noção de Volk como povo-orgânico
e não já como simples sociedade atomística,
considerando o mesmo como produto de um crescimento natural que
leva a uma ordem considerada a melhor, onde cada um desempenha aquelas
funções a que o destinou a natureza. Hostil ao racionalismo,
considera que existe uma Volksseele, uma alma do povo, que é
singular, maravilhoso, inexplicável, indizível. A
partir de então, a nação deixa de ser mera
categoria política prática e simples sociedade atomisticamente
concebida, e vai procurar raízes no conceito de Volk, como
um povo orgânico, marcado por uma unidade de língua
e de cultura e consciente de constituir uma unidade. Passa-se assim
da nação-contrato para a nação-génio,
aquela entidade a que vai atribuir-se uma alma coletiva, o Volksgeist,
que faz dela uma totalidade englobante, mas a que se dá uma
raiz naturalista.
Organicismo
Para Herder, como nota Vítor Aguiar e Silva, a nação
é um organismo dotado de um espírito próprio,
espírito que se desenvolve ao longo do tempo, mas que não
se modifica na sua essência, e que constitui a matriz de todas
as manifestações culturais e institucionais de uma
nação. Assim se compreende que o mesmo declare: o
Estado mais natural é um Estado composto de um só
povo, com um só caráter nacional. Um povo é
um crescimento natural, assim como uma família, apenas mais
amplamente difundido. [...] Como em todas as comunidades humanas
[...] também, no caso do Estado, a ordem natural é
a melhor, isto é, a ordem em que cada um desempenhe aquelas
funções a que o destinou a natureza.
Um homem em ponto grande
Um povo que é visto como uma espécie de homem em ponto
grande, dotado de uma imanência, à imagem e semelhança
da vida interior da pessoa. Onde haveria forças vivas humanas
que gerariam caracteres nacionais específicos porque tal
como a água de uma nascente recebe do solo donde brota a
sua composição, as suas qualidades atuantes e o seu
sabor, assim o antigo caráter dos povos proveio de traços
raciais, do clima, do tipo de vida e da educação,
das ocupações primitivas e das ações
peculiares a cada um desses povos. Neste sentido, a vida de cada
povo é comparada ao desenvolvimento de uma planta onde a
cultura de um povo é a flor da sua existência, pela
qual ele se revela duma forma deveras agradável, mas transitória,
pelo que a sanidade e duração de um estado não
dependem do grau máximo da sua cultura, mas de um sábio
ou feliz equilíbrio das suas forças vivamente ativas.
Quanto mais fundos forem estes alicerces vivos do seu centro de
gravidade, mais firme e duradouro ele será.
As influências
Estas teses vão influenciar o romantismo, a Escola Histórica
e todo o movimento político posterior que procura distanciar
da restritiva interpretação de razão feita
pelo chamado racionalismo e que, opondo-se a Descartes e Kant, se
opõe ao ideal de universalidade iluminista em nome do direito
à diferença, da especificidade do tempo e do lugar,
considerando que cada civilização é única.
Neste sentido defende as unidades naturais, interpretadas por analogia
com o conceito de língua, que exprime a experiência
coletiva de um grupo. A idéia de Hegel sobre o espírito
do mundo é por ele influenciada, tal como o conceito de espírito
do povo de Savigny. Neste sentido é considerado como o pai
do nacionalismo.
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