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Eduardo J. Reinato
Sebastião
Francisco de Miranda nasceu a 28 de março de 1750, em Caracas,
Capitania de Venezuela. Homem afeito a conflitos, logo ganhou reputação
por desobediência no exército espanhol. Isso aconteceu
em 1780, quando servia em Cuba. Tinha então 22 anos de idade.
Em 1783 foi para os Estados Unidos. Lá se estabelecendo,
manteve contatos com os líderes da Independência Americana,
incluindo George Washington. Essa proximidade com os líderes
norte-americanos permitiu-lhe a formulação de projetos
para a independência da América espanhola.
Em
1806, prepara nos E.U.A uma expedição libertadora
com destino à Venezuela. O fracasso foi eminente, em virtude
da falta de apoio dos venezuelanos à causa. Apesar de ter
ocupado a região de Coro, não logrou seu intento de
começar um processo revolucionário libertador. Isso
o fez retirar-se para a Inglaterra onde permaneceu até ser
contactado por Simón Bolívar em 1810.
De
volta à Venezuela, foi recebido friamente. Os preconceitos
das elites crioulas em relação a Miranda, resumiam-se
no medo de que um eventual confronto aberto e revolucionário
com a Espanha pudesse abrir brechas para a sublevação
das massas formadas pela "gente de cor".
O
parâmetro de Miranda para a condução dos exércitos
era o europeu, o que inviabilizou seu projeto de libertação
da América. Visualizava soldados onde havia apenas índios,
ou negros escravos, em quem não havia ideais para a luta,
para o conflito. Seu desejo de construir a liberdade pela lógica
das armas acabou por isolá-lo, a ponto de ser transformado
num estrangeiro em sua própria terra.
Apesar
do processo de isolamento político, a efetiva experiência
militar demonstrada nos campos de batalha das revoluções
consagraram-no como general, apesar da desconfiança das elites
americanas em relação a suas possíveis tendências
jacobinistas. Em 1811 tornou-se deputado e vice-presidente do Congresso
Nacional que proclamou a independência da Venezuela.
Ainda
nesse ano é nomeado chefe do governo patriota, com poderes
ditatoriais, mas não consegue vencer o inimigo. Quando na
região de Coro se levantam os realistas chefiados por Monteverde,
fica clara a vulnerabilidade dos patriotas. Após um brutal
ataque das forças leais à coroa espanhola, no ano
de 1812, tomou a decisão de negociar com Monteverde um armistício.
Esse episódio foi tomado como traição por parte
de alguns venezuelanos, que acabaram destituindo-o do comando, e,
de certa forma, facilitando sua prisão por parte do exército
realista. Preso durante quatro anos, morreu em 1816 no cárcere
espanhol de "A Carraca".
Não
podemos dizer que sobre Miranda foi construído o mito do
herói. Apesar de ser um homem do conflito, sobre ele incidiu
a pecha da traição e da derrota. Por outro lado, quando
tentou negociar, não obteve sucesso. O estigma da derrota
marcou sua vida e sua morte.
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