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De: "Luciano P. N."
luciano@arevista.com.br
No dia 22 de
janeiro de 1561, Francis Bacon nasceu em Londres. Foi o oitavo filho
de Sir Nicholas Bacon e Anna Cook. Da família de seu pai,
teve uma educação e vivência para a vida diplomática
e aprendeu tudo sobre o comportamento mundano necessário
para se sobressair na sociedade. Sua mãe, mulher muito culta
e religiosa, estimulou-o nos estudos, zelo, dedicação
e severidade. Bacon estudou filosofia e direito em Cambridge e no
Gray's Inn. Na França, começou sua vivência
na carreira diplomática.
Mais tarde,
teve uma brilhante carreira política e ficou muito rico.
Sabe-se que também utilizou de meios ilícitos para
ter uma tão desejada e dispendiosa vida social. Apesar disto,
o interesse que tinha desde jovem pela filosofia nunca foi esquecido.
Pelo contrário, sempre teve grandes projetos em mente e dedicou-se
a trabalhar neles. Em seus estudos, percebeu o valor dos antigos
filósofos gregos, em especial Aristóteles, mas achava
que a filosofia deles só era apropriada para disputas e contendas,
sendo estéril para a produção de obras que
visassem a beneficiar a vida do homem. A máxima de Bacon
"Saber é poder" define bem sua crença de
que o verdadeiro saber é apenas um meio para conquistar o
poder sobre a natureza e que não possui valor apenas em si
mesmo.
Bacon, juntamente
com outros, dos quais Descartes talvez tenha sido o mais notório,
criou as raízes da cultura científica na qual vivemos
até hoje. Ele acreditava que o saber teria que provir da
observação e de experimentos organizados e quantificados,
além do estudo. Os experimentos também deveriam poder
ser reproduzidos e aperfeiçoados posteriormente, inclusive
por outras pessoas. Bacon escreveu várias obras e definiu
obstáculos da própria natureza humana ao verdadeiro
saber, ao que chamou de ídolos. Ele idealizou um grande projeto
que chamou de "Grande Instauração". Ela
definiria, em suas seis partes, o que seria necessário para
realizar o que conhecemos como método científico.
Ele conseguiu redigir a segunda parte, publicada em 1620, que trata
dos princípios deste método e que foi intitulada de
"Novum Organum".
Hoje, 400 anos
depois, conhecemos Francis Bacon muito mais pelo seu trabalho na
área filosófica do que por sua carreira diplomática
e vida social. Socialmente falando, ele foi muito longe, pois, além
de seu interesse pelas questões sociais, ele também
sempre se interessou pelo status associado a uma vida política
bem sucedida. Mas foi a filosofia, creio que devido ao estudo que
teve e ao chamado de seu intelecto e coração, que
foi seu grande interesse. Com o passar do tempo, Sir Bacon dedicou-se
mais a esta do que a política. Parece-me que ele foi um exemplo
de que o que temos dentro de nós, no íntimo de nossa
alma, é bem mais importante e duradouro do que o mundo de
imagens e bajulação que normalmente obtemos de uma
vida voltada exclusivamente para o crescimento social. É
uma pena que tantas pessoas já nem saibam mais quem são
ou foram e dediquem-se apenas a preencher o vazio resultante disto,
a um mundo de aparências e puro status.
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