MAÇONS

 

 





Livro "Vida e Obra de Francis Bacon, por José Aluysio Reis de Andrade;
Coleção Pensadores, Editora Nova Cultural Ltda., 1990.

 

 

Sir Francis Bacon




De: "Luciano P. N."
luciano@arevista.com.br


No dia 22 de janeiro de 1561, Francis Bacon nasceu em Londres. Foi o oitavo filho de Sir Nicholas Bacon e Anna Cook. Da família de seu pai, teve uma educação e vivência para a vida diplomática e aprendeu tudo sobre o comportamento mundano necessário para se sobressair na sociedade. Sua mãe, mulher muito culta e religiosa, estimulou-o nos estudos, zelo, dedicação e severidade. Bacon estudou filosofia e direito em Cambridge e no Gray's Inn. Na França, começou sua vivência na carreira diplomática.

Mais tarde, teve uma brilhante carreira política e ficou muito rico. Sabe-se que também utilizou de meios ilícitos para ter uma tão desejada e dispendiosa vida social. Apesar disto, o interesse que tinha desde jovem pela filosofia nunca foi esquecido. Pelo contrário, sempre teve grandes projetos em mente e dedicou-se a trabalhar neles. Em seus estudos, percebeu o valor dos antigos filósofos gregos, em especial Aristóteles, mas achava que a filosofia deles só era apropriada para disputas e contendas, sendo estéril para a produção de obras que visassem a beneficiar a vida do homem. A máxima de Bacon "Saber é poder" define bem sua crença de que o verdadeiro saber é apenas um meio para conquistar o poder sobre a natureza e que não possui valor apenas em si mesmo.

Bacon, juntamente com outros, dos quais Descartes talvez tenha sido o mais notório, criou as raízes da cultura científica na qual vivemos até hoje. Ele acreditava que o saber teria que provir da observação e de experimentos organizados e quantificados, além do estudo. Os experimentos também deveriam poder ser reproduzidos e aperfeiçoados posteriormente, inclusive por outras pessoas. Bacon escreveu várias obras e definiu obstáculos da própria natureza humana ao verdadeiro saber, ao que chamou de ídolos. Ele idealizou um grande projeto que chamou de "Grande Instauração". Ela definiria, em suas seis partes, o que seria necessário para realizar o que conhecemos como método científico. Ele conseguiu redigir a segunda parte, publicada em 1620, que trata dos princípios deste método e que foi intitulada de "Novum Organum".

Hoje, 400 anos depois, conhecemos Francis Bacon muito mais pelo seu trabalho na área filosófica do que por sua carreira diplomática e vida social. Socialmente falando, ele foi muito longe, pois, além de seu interesse pelas questões sociais, ele também sempre se interessou pelo status associado a uma vida política bem sucedida. Mas foi a filosofia, creio que devido ao estudo que teve e ao chamado de seu intelecto e coração, que foi seu grande interesse. Com o passar do tempo, Sir Bacon dedicou-se mais a esta do que a política. Parece-me que ele foi um exemplo de que o que temos dentro de nós, no íntimo de nossa alma, é bem mais importante e duradouro do que o mundo de imagens e bajulação que normalmente obtemos de uma vida voltada exclusivamente para o crescimento social. É uma pena que tantas pessoas já nem saibam mais quem são ou foram e dediquem-se apenas a preencher o vazio resultante disto, a um mundo de aparências e puro status.