|
Irm
Josef A. V. K. Führer
A Maçonaria
é uma comunidade em cujo centro se desenrola um renascimento
espiritual do homem. Trata-se de uma evolução para
a maturidade, de um processo psíquico e íntimo, para
uma iniciação. Para obtê-la, a Maçonaria
encontrou um método especial que, por meio de repetições
ritualísticas e mais um desenvolvimento gradual, põe
em andamento o auto-encontro e a individualização
do homem.
São os
rituais e símbolos em que inicialmente se inspiraram os costumes
das antigas irmandades de pedreiros. Além disso, entraram
nos rituais dos maçons ideais do gnosticismo, da kabbala,
dos pythagoraeas e do cristianismo. O ritual maçônico
torna-se, para cada participante, um portador de venturas e um centro
dos seus pensamentos e ações. Em todas as lojas do
mundo, os rituais, no seu desenrolar essencial, são parecidos,
de tal maneira que cada um poderá entender sentido e conteúdo,
mesmo não entendendo a língua do respectivo país.
O ritual é a parte essencial. Com efeito, pela eficácia
de sua forma, deve produzir um ambiente geral positivo, que se eleva
por cima dos acontecimentos da vida cotidiana. Eis por que, durante
o ato ritualístico, a música também é
de grande importância. Por meio do ritual maçônico,
a experiência de ensino é transmitida.
O ritual maçônico
revela ao participante que existe algo mais que números e
lógica, algo mais que aquisição e concorrência,
algo mais que a luta pela existência, que preocupações
e incômodos. Num ritual, evidentemente, só se revela
aquele que está disposto a vivê-lo. Apresenta-se de
certa forma como envelope para um recado que foi levado por todos
os países e povos, para todos os tempos e que também
deverá continuar nesse caminho. É pouco provável
que exista uma idéia cujo objetivo é o homem, pura
e simplesmente, e mais a procura da origem, da razão e do
destino na vida humana, e que não se possa encontrar num
ritual maçônico.
A Maçonaria
chama esse trabalho também uma ARTE REAL. A arte pressupõe
a livre escolha como indício essencial, exigindo fantasia
criativa, um grande coração e mais a ação
devido à necessidade de uma vontade própria e livre.
Seguindo a este conceito, a Maçonaria pretende ser uma arte
que, pelo seu simbolismo, assiste ao homem para encontrar-se a si
mesmo. Durante a cerimônia ritualística, cada um ganha
esclarecimentos metafísicos. As formas severas tradicionais,
a música e a palavra falada levam à uma emoção
coletiva, que dificilmente será experimentada mais intensamente
em outros círculos ético-humanitários.
O pronunciamento
espiritual, da filosofia maçônica não se apresenta
essencialmente por palavras, mas, sim, por sinais e símbolos.
Entendem-se
por símbolos sinais e designativos, ao mesmo tempo.
Realidade e
verdade serão ilustradas com parábolas, transformando-se
os concretos em abstratos e os abstratos em concretos.
Por meio de
símbolos e atos simbólicos, o sensual e o transcendental
são conciliados à idéias nítidas e realmente
pronunciadas. No simbolismo, o espírito pode se manifestar
com a máxima liberdade.
Símbolos
representam a língua própria para a manifestação
do transcendental e do mais sublime. Em todos os tempos, os mais
sagrados reconhecimentos e revelações dos homens foram
representados simbolicamente, pois somente no símbolo e por
meio do mesmo o segredo ressalta da obscuridade e se torna perceptível
ao espírito.
Pelo símbolo,
em toda a parte e em todos os tempos, consegue-se expressar pensamentos
abstratos, emoções íntimas e indizíveis
e conhecimentos espirituais por meio de imagens reconhecíveis
e palpáveis. Essas imagens são profundas, permitindo
também uma interpretação individual, quer dizer,
permitem uma interpretação adogmática. Símbolos
são compreensíveis, do mesmo modo, tanto para o mais
como para o menos instruído, o que um sente e prevê,
outro enxerga e reconhece ou, em outras palavras, um contempla a
imagem do espírito e outro enxerga o espírito da imagem.
Ambos encontram e reúnem na contemplação de
imagem e sinal, com isso assistindo a algo quase inesquecível.
O simbolismo
maçônico compõe-se de sinais e costumes simbólicos
tirados dos costumes das oficinas de construção de
catedrais medievais. Principalmente são ferramentas que se
tornaram importantes no simbolismo maçônico. Nesse
conteúdo, cada símbolo tem um significado duplo’
um ético-moral e um esotérico-espiritual.
A interpretação
ética e moral do símbolo indica um comportamento ético-moral.
Por meio da interpretação esotérico-espiritual,
o observador de um símbolo chega ao âmbito do luminoso,
do indizível, aproximando-se da campo do transcendente.
O sentido dos
símbolos para o maçom deve ser elucidado com alguns
exemplos. Há os símbolos, como compasso e angulário,
prumo e nível. O compasso é o símbolo da união
de todos os homens, em amor e disposição de compreensão
e a indicação da dependência do homem a uma
força primitiva espiritual. Uma ponta do compasso simboliza
essa força; a outra, o enorme universo, com o grande número
de homens distintos, todos filhos desse um e único criador.
O triângulo
é símbolo de integridade e justiça. Ao mesmo
tempo, indica a grande ordem que reina no universo.
O prumo é
símbolo para a sondagem da própria profundeza humana,
do esforço pelo “reconhece a ti mesmo”. Ele deve
conduzir ao encontro de nós mesmos com Deus.
O nível
indica que todos os homens são iguais, devendo considerar
isso na sua relação com seus semelhantes. Ele nos
ensina que é insensato orgulhar-se de posses, de glória,
de título e honra e por causa disso considerar pouco os outros,
pois, perante Deus, todos os homens são iguais. Valem somente
os valores espirituais, adquiridos pelo homem, durante a sua evolução.
A pedra bruta,
um símbolo importante da Maçonaria, apresenta o homem
com as suas insuficiências e arestas características.
Trabalhar nesta pedra é missão maçônica.
Trabalhar no sentido maçônico, porém, não
é um trabalho físico. E o esforço de penetrar
nessa esfera espiritual que nos foi esboçado pelos grandes
poetas da cultura humana.
Nessa esfera
desprende-se o homem da sua base material, dando o verdadeiro sentido à sua vida. Trabalho no sentido maçônico é
dirigir-se a uma vida consciente, para um exame permanente das próprias
ações e do comportamento com os seus semelhantes,
é a formação do próprio caráter,
é a manifestação dessa força que chamamos
amor e é a consciência e o aprendizado da compreensão
de que, na realidade, nesta Terra apenas somos hóspedes,
que somos mortais e que para o transitório temos de usar
os critérios do morredouro.
Os símbolos
da Maçonaria pessimamente interpretados são caixão
e caveira; mas ao mesmo tempo, os mais fáceis de entender.
Em virtude do fato invariável de que nós, homens,
somos mortais, esses símbolos indicam a nossa transitoriedade.
Por isso, em representações simbólicas, a Maçonaria
traz para cada um a emoção ritualística da
própria morte. Isso é o ponto de partida para uma
mudança radical na vida, pois unicamente a consciência
do fato de que a própria morte é inevitável
poderá estabelecer outros critérios para todos os
pensamentos e ações.
Quando o homem
chegar a saber que indubitavelmente na morte todos os tesouros terrestres,
todo o poder e toda a ambição são sem valor,
então ele, de repente, terá que encontrar uma resposta
pela pergunta: quem de fato ele individualmente representa e mais
o que poderá proporcionar o maior e verdadeiro sentido à sua vida.
Por meio dessa
emoção ritualística, cada um por si deverá
encontrar a verdade. De agora em diante, ele deverá encontrar
a verdade. De agora em diante, ele deverá se sentir levado
a procurar saber a verdade sobre si mesmo. Deve ele reconhecer que
o belo brilho com que ele se veste, sua ambição, seu
ímpeto, pela confirmação própria, sua
mania de prestígio representam apenas invólucro, imaginações
desejosos, neurose e ilusões que não resistem à
verdade da morte. O homem, para si mesmo, deve tornar-se um livro
aberto. Somente se ele se reconhece a si mesmo, abre-se para ele
a plena verdade, permanecendo a mesma inalcançável
para quem aqui procurar servir-se de pretextos ou reservas. O encontro
da própria personalidade de um homem, portanto, exige um
esforço referente a ele mesmo que consiste em uma eliminação
de todas as falsidades e outros obstáculos em primeiro plano,
numa conscientização própria e radical de todas
as influências incontroláveis e adversas.
Ao mesmo tempo,
pela simbólica confrontação da morte, deve
ser quebrado o nimbo da incerteza, para ajudar que cada um por si
chegue ao âmago de sua própria personalidade. O segredo
da Maçonaria é a experiência individual dos
rituais maçônicos. Segredo porque os sentimentos íntimos
e mentais não podem ser explicados, nem formulados por palavras.
Esse segredo tampouco poderá ser desvendado. E baseado no
mistério desta sociedade de homens. E o segredo da vivência
pessoal.
|