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Lino J. de C. Rolo
Um pastor beduíno à procura de uma
cabra que fugira do rebanho, atirou uma pedra pela abertura de uma
rocha, quando ouviu um estranho som. Entrou e foi ver o que era.
Começava ali uma fascinante descoberta: embrulhados e guardados
em jarros de barro, estavam há os pergaminhos do Mar Morto.
Sem saber do seu valor, sem ter idéia exata do conteúdo
daqueles escritos, o homem apanhou os achados, na intenção
de vendê-los posteriormente.
O fato aconteceu num inverno de 1947, numa região
deserta, hoje chamada QUMRAN, bem próximo ao Mar Morto, onde
era costume os pastores acamparem com seus rebanhos para descansar.
O Mar Morto, que na verdade é um grande lago
super-salgado, está localizado entre Israel e Jordânia.
E assim denominado porque pela concentração de sal,
não permite a existência de qualquer forma de vida.
Situa-se no lugar mais baixo da terra, a 400 metros abaixo do nível
do mar, num clima extremamente seco.
Ao tempo das descobertas, Qumran era uma região
controlada pela Jordânia, situação que se modificou
20 anos depois, em 1967, após a Guerra dos Seis Dias entre
judeus e árabes.
A descoberto dos manuscritos mudou a história
de Qurnran, tornando-o um lugar mais conhecido, que foi despertado
o interesse para visitas e exploração, antes pelos
próprios beduínos, depois por curiosos, estudiosos
e turistas.
A busca prosseguiu e, em março de 1952, um
grupo de arqueólogos pesquisou centenas de grutas com o objetivo
de encontrar mais documentos e também para evitar escavações
clandestinas e descontroladas.
Com o material já disponível, adquirido
pelo governo de Israel, especialistas de diversos países
se reuniram em Israel, encarregados da completa tarefa de limpar,
montar e analisar os manuscritos, visando reconstruir e interpretar
o que estava escrito.
As pesquisas confirmaram que as ruínas de
Khirvet Qurnran eram as reminiscências de um mosteiro religioso,
onde havia sido escritos os pergaminhos.
Com textos em hebraico e aramaico, os manuscritos
continham, em essência, textos bíblicos religiosos,
com narrativas e comentários sobre profetas e personagens
do Antigo Testamento. Outros assuntos também faziam parte
dos guardados: o regulamento da comunidade habitante do mosteiro
e a existência de tesouros escondidos e enterrados na região.
O mais longo dos pergaminhos encontrados media 8
metros de comprimento por 30 centímetros de largura. Foi
descoberto na primeira gruta e continha o Livro de Isaías
completo. Dos outros assuntos, interpretando livros da Bíblia,
são destacados dois: Comentários sobre o Livro de
Habacuc e o Salmo de Ação de Graças. Tratando
sobre as normas de conduta para os moradores do mosteiro, um dos
pergaminhos foi intitulado “A Disciplina da Comunidade”.
Um outro manuscrito, “A Guerra dos Filhos da Luz com os Filhos
das Trevas”, é uma narração do mesmo
estilo do Livro da Revelação, do Novo Testamento.
O pergaminho
de número 7, escrito em aramaico, foi considerado um Gênesis
Apócrifo. O maior e considerado um dos mais importantes documentos
é o Manuscrito do Templo. Encontrado na Gruta IX, era composto
de várias partes e narrado na primeira pessoa, como sendo
Deus falando diretamente a Moisés, orientando-o, inclusive,
sobre a construção do novo templo em Jerusalém.
A discussão sobre a origem e a quem se deveria
a colocação dos pergaminhos nas grutas e quando isso
foi feito, há referências sobre grupos distintos de
judeus, existentes na época anterior e no início da
Era Cristã. Destacavam-se os Saduceus, Fariseus e Zelotes.
Havia também os chamados Essênios, um grupo de pessoas
que vivia em regime comunitário, dedicado à agricultura
e a fins pacíficos. Eram reconhecidos por cultivarem essencial-mente
a bondade e pela indiferença aos prazeres mundanos. Viviam
em mosteiros, sendo que alguns eram celibatários e outros
tinham permissão para casamento. Diz-se que para ingressar
na comunidade dos Essênios, era necessário passar por
um rigoroso estágio probatório - o noviciado. Nesse
período, o indivíduo era testado e somente quando
aprovado podia participar da vida e das atividades práticas
da comunidade.
Segundo H. 5.
Lewis, os Essênios formavam uma grande escola de sabedoria
e fraternidade. Afirma ele que a comunidade essênia mantinha
dois centros comunitários, um no Egito e outro na Judéia,
em Engeddi, ao sul de Qumran. Este último mudou-se. posteriormente,
para o Monte Carmelo.
As hipóteses levantadas sobre a comunidade
de Qumran, autora dos Manuscritos do Mar Morto, dão a idéia
de que se tratava de um grupo monástico, com hábitos
rigorosos e conduta exemplar. Segundo consta, eles acreditavam ser
o grupo escolhido por Deus para selar a Aliança entre Deus
e os homens e zelar pelo cumprimento dos mandamentos recebidos por
Moisés. Teriam vivido em Qumran durante quase 200 anos (135
a.C. - 68 d.C.). (...) |