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Rizzardo da Camino
Em seu livro “Nova Era’, Editora Betânia,
o pastor Marco André apresenta um suposto movimento internacional,
com “filamentos” no passado milenar, denominado de New
Age”, traduzido por “Nova Era”, movimento sub-reptício
inspirado por Satanás.
Num trabalho muito bem elaborado, fundamentado em
textos bíblicos, o autor critica e ataca “tudo”
o que não seja amparado nas Sagradas Escrituras, incluindo
até, por incrível que possa ser, o movimento denominado
de “Ecologia”.
Seu radicalismo não deixou de fora a Maçonaria,
que a ela assim se expressa:
“Embora reclamem os maçons que a Maçonaria
tenha surgido nos primórdios da humanidade, os registros
históricos parecem datar seu início em meados do século
XVII
Em 1717, foi fundada a Grande Loja de Londres e,
logo em seguida, a organização cresceu rapidamente,
abrindo mais de 1.700 Lojas e chegando aos Estados Unidos no ano
de 1730.
No século XVIII, ela desponta no cenário
histórico como importante representante do pensamento e planos
do atual movimento “Nova Era”. É inegável
sua influente participação nos movimentos políticos
dos países onde se estabeleceu. Sua atuação
no campo político foi sempre com o objetivo de libertar nações
do jugo de sistemas ditatoriais ou monárquicos.
Temos o exemplo da Maçonaria participando
ativamente da história da Independência do Brasil,
e posterior-mente, lutando pela Proclamação da República
em movimentos como a Inconfidência Mineira.
Essa atuação política se deve
ao fato do sistema de crenças da Maçonaria ter como
ordem “Liberdade, Fraternidade e Igualdade “.
Acreditam os maçons que o mundo deve possuir
um sistema igualitário em todos os aspectos, o que os faz
lutar tanto no campo político.
O pensamento maçom é panteísta
— vê Deus não como um ser pessoal, mas identifica
como uma energia da qual tudo faz parte.
Também são uma sociedade ocultista
de princípios esotéricos, tal qual a visão
do movimento Nova era.” (Nova Era, pp. 16/17)
O autor mostra-se possuidor de uma cultura invejável,
pois pretende definir o que seja Maçonaria em algumas equivocadas
linhas.
O autor “imputa” à Maçonaria:
• influente participação nos
movimentos políticos dos países onde se estabeleceu;
• sua atuação foi objetivar a libertação
das nações do jugo dos sistemas ditatoriais ou monárquicos;
• ser seu lema: “Liberdade, Fraternidade e Igualdade”;
• proclama que as nações devem possuir um sistema
igualitário; e
• ser uma sociedade ocultista de princípios esotéricos.
No que respeita
a influencia política, o autor supervaloriza a Maçonaria.
Todos os movimentos “libertários da América”,
tiveram a encabeçá-los maçons; a Maçonaria
não teve maior participação nesses movimentos,
como entidade associativa; mesmo hoje, a Maçonaria não
faz parte das entidades internacionais como as Nações
Unidas ou a OEA; ela não foi chamada para a pacificação
dos povos.
Os objetivos das Nações Unidas, na.realidade,
são de inspiração maçônica, mas
por influencia dos membros maçons e não da Instituição
em si.
No que tange à repressão dos ditadores
ou monarcas, é sempre o próprio povo que se levanta.
Quanto às monarquias, temos o exemplo da
Inglaterra, considerada a Mãe da Maçonaria, que sempre
foi respeitada pelos maçons.
O movimento revolucionário• francês,
embora teísta se apossado do lema maçônico “Liberdade,
Igualdade e Fraternidade”, não foi movimento político
maçônico; alguns dos seus próceres pertenciam
à Ordem e atuaram mais como povo subjugado que como maçons.
No que respeita a um “sistema igualitário”
entre as nações, o autor está totalmente desinformado.
Essa “igualdade” dos povos diz respeito mais à
Democracia que a qualquer outro movimento. A Maçonaria possui,
para seus adeptos, governos democráticos.
“Todos são iguais perante a Lei”,
é um princípio democrático por demais conhecido.
No conceito do autor, a Democracia faria parte dessa Nova Era que
tanto combate.
A Maçonaria prega e exercita o culto à
Fraternidade e esse princípio é cristão.
O pensamento maçônico não é
panteísta.
A Maçonaria identifica Deus como sendo o
Grande Arquiteto do Universo.
A Deus não importa como deve ser denominado;
nem o autor refere qual o nome que Deus selecionou para si, quando
em contato com Moisés, por ocasião da entrega de suas
Leis: “Dize ao povo que quem te enviou é o “EU
SOU”!.
A Maçonaria poderia usar esse “Eu Sou’
para expressar a Deus; contudo prefere “Grande Arquiteto”,
porque assim define o “Criador, Construtor, Idealizador’.
Panteísmo é a divinização
da própria natureza; a Maçonaria faz parte da natureza,
e isso não significa que seja panteísta.
Além do mais, a Maçonaria aceita que
Deus seja o Arquiteto do Universo, extrapolando assim a limitação
Terra.
O autor tenta atingir esse sistema universal, pondo
em dúvida a existência dos extra-terrestres.
No momento, as provas são frágeis,
mas a cada dia a ciência descobre novas potencialidades de
Deus. Ele sabe que existem outros mundos, pois os criou! A Maçonaria
não se preocupa com a existência ou não de extra-terrestres,
mas não duvida do poder do Grande Arquiteto do Universo.
No aspecto religioso, a Maçonaria usa em
suas sessões o Livro Sagrado em respeito à Criação;
não possui nenhum avatar, nem espera “salvadores”,
seja em que terreno for.
Por fim, diz
que a Maçonaria é uma sociedade ocultista de princípios
esotéricos.
Recorrendo ao dicionário encontramos: Ocultismo:
ciência dos fenômenos que parece não se poder
explicar pelas leis naturais, como a levitação, a
telepatia, etc., conjunto das ciências ou artes ocultas, como
a magia, o espiritismo, etc. “.
Esoterismo: conjunto de princípios constitutivos
da doutrina esotérica; esotérico: diz-se da doutrina
secreta de certos filósofos antigos, comuncada só
aos iniciados “.
A Maçonaria é oculta no sentido de
discrição, sigilo, prudência, uma vez que no
século passado .os maçons eram perseguidos e sacrificados
na fogueira.
A Maçonaria não pratica o ocultismo;
não está presa a nenhuma corrente filosófica.
Se Helena Blavatski fundou urna escola filosófica
ocultista, e ela é citada em trabalhos maçônicos,
é porque simplesmente era Maçom; os Maçons
aceitam os seus conceitos maçônicos e jamais os esotéricos.
(Marco André cita e dá relevância à Blavatskí
como inspiradora do movimento da Nova Era).
No que respeita
ao esoterismo, a Maçonaria usa apenas o vocábulo e
não a doutrina.
Quando se diz (e eu o uso freqüentemente) que
tal assunto é esotérico, é dito apenas para
exprimir: oculto, ou seja, que não deve chegar ao conhecimento
dos Aprendizes e Companheiros, que se situam numa escala inferior
na Maçonaria.
Em absoluto, a Maçonaria não aplica
conhecimentos do Esoterismo como doutrina!
A Maçonaria é uma instituição
que se disseminou em todo o mundo por possuir uma filosofia de compreensão
entre seus adeptos e que cultiva o amor fraterno, e com isso, redime
a Família e a Sociedade. Onde há amor fraterno, não
tem lugar a dissensão.
Esse amor fraterno que a Maçonaria cultiva
é uma manifestação evangélica e nada
tem a ver com o movimento “New Age’, que teria raízes
na revolta do Lúcifer contra o plano divino.
Finalmente, o conselho que devo dar — com
o perdão da liberdade —, ao autor Marco André,
é que quando escreve a palavra MAÇOM, o faça
corretamente, terminando o vocábulo com “M”,
e quanto pretende criticar a Maçonaria, primeiro instrua-se
a respeito! |