(*) Autor do livro “As Origens da Maçonaria”



David


Ir. Realino de Oliveira (*)

Os reis de Israel eram chamados pelas suas maiores vítimas, os essênios, de bestas humanas.

David, como um dos personagens marcantes da grande tragédia humana que durou um longo período de onze séculos terminando com o advento de Jesus de Nazaré, “O Cristo”, praticou muitos delitos de traição e morte enquanto durou o seu reinado. Dentre os maiores e biblicamente mencionados, destaca-se a morte de seu filho primogênito, Absalão, e a deserdação de Adonias, seu legítimo sucessor ao trono de Israel, o que resultou na morte deste por ordem de Salomão, irmão do assassinado, no ano de 1014 a.C. — I reis 2-24 e 25.

Urias, considerado como grande amigo de David e oficial do exército israelita, casado com Betsabé, mulher muito bonita que havia despertado o desejo, a cobiça e a concupiscência de David, foi, por imposição de seu rei e suposto amigo, mandado para a frente de batalha em local que só por milagre poderia regressar com vida (David sabia disso). II Samuel 11-14 a 17.

Com a morte de Urias, David apoderou-se de sua viúva, fazendo-a sua concubina e com ela teve dois filhos varões, sendo que o primeiro veio a falecer em tenra idade e o segundo, Salomão, sobreviveu.

Absalão, primogênito de David, foi perseguido por ordem de seu pai e assassinado de forma infame e sem condição de defesa; dependurado no galho de uma árvore pelos cabelos e ali, implorando demência, foi alvejado e morto por dardos envenenados. II Samuel 18-9 a 18.

Adonias, neto de Saul e filho mais velho de David por sobrevivência em vista da morte de Absalão, se tornou legítimo herdeiro do trono de Israel. Em virtude do impedimento circunstancial do rei em face de sua velhice e por se achar enfermo em fase terminal, assumiu o trono pacificamente amparado pelo direito hereditário. Não obstante a legitimidade do seu ato que o levou a reinar transitoriamente, a sua deposição foi tramada nos bastidores da casa real, tecida e urdida por uma intriga de graves conseqüências.

O profeta Natã, aliado de Betsabé, aproveitando-se da involução do rei David já no leito em estado final, usou de estratagemas para dar o trono ao jovem príncipe Salomão. (vide ensaio em Ireis 1—li a 31).

Nós não estamos denunciando, mas relembrando aquilo que está escrito e denunciado nas páginas da história. A denúncia vem do livro sagrado, a que respeitamos e acatamos em seus mínimos detalhes. Não sabemos se totalmente em vão, mas as Sagradas Escrituras, há trinta séculos passados, denunciou os delitos que agora simplesmente comentamos e relembramos.

Por essas e muitas outras razões, os essênios lutavam secretamente contra a desfiguração dos costumes praticados pelos poderosos e bárbaros. E por essa abnegada luta justa e perfeita, é que muitos deles foram torturados, crucificados e decapitados como foi João Batista, nosso padroeiro em atendimento a simples e criminosa vontade dos reis. E assim, a Maçonaria, que era denominada de Confraria dos Essênios ou Apostolado dos Justos, permaneceu, nesta segunda etapa de lutas, derramando suor, lágrimas e o seu precioso sangue de forma oculta e secreta para livrar a humanidade da fúria mórbida e sanguinária executada pelos chamados "bestas humanas".