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Da revista Maçônica
O Prumo
Nº 108 - Não citado o nome do autor
A vaidade de
um rei contribuiu para a ruína de um país e contemplou
o mundo com um dos mais belos frutos de um ato de loucura. O rei
foi Luiz XIV, da França. A loucura foi o Palácio de
Versalhes.
O palácio,
que se tornou o centro da corte e do governo francês, começou
com um modesto pavilhão de caça, onde o pai de Luiz,
Luiz XIII, se refugiava longe dos rigores da corte francesa. Em
1627, Luiz XIII construiu um modesto castelo em Versalhes. Após
sua morte, o filho decidiu substituir o castelo por um monumento
perene. digno da sua concepção de Rei-Sol, como era
intitulado.
Os trabalhos
tiveram início em 1661, constituindo a escolha do local para
levantar “o maior palácio da Terra" um pesadelo
para os arquitetos encarregados do projeto. Devido à natureza
do solo, fino e arenoso, alguns alicerces afundaram-se e a área
em redor era selvagem e inóspita.
Luiz XIV viveu
obcecado com Versalhes. Durante 50 anos, sempre que não estava
empenhado em guerras, dirigia pessoalmente a construção
do palácio e dos jardins, não o desencorajando nem
a miséria humana e a perda de vidas resultantes da execução
do projeto, de envergadura gigantesca.
Trabalharam
sempre simultaneamente em Versalhes mais de 30.000 homens, muitos
dos quais não eram pagos ou executavam trabalhos forçados.
As condições em que trabalhavam e viviam provocavam
epidemias que vitimavam centenas deles. Eram freqüentes os
acidentes mortais na construção dos edifícios,
e as febres conseqüentes dos pântanos causavam pesadas
baixas. Até o próprio rei Luiz XIV, incomodado pelo
número de mortos, proibiu expressamente os seus cortesãos
de discutirem o assunto.
Os jardins cobriram
1 bilhão de metros quadrados, e o rei importava da Holanda
4 bilhões de bulbos para mantê-lo. Para aguá-lo
e ter enorme fornecimento de água, construiu uma potente
estação elevatória, a máquina de Marly
1681 a 1684, para transportar água do Rio Sena. Onerosa em
dinheiro e vidas humanas, ao ser concluída não teve
êxito.
Magnificente,
mas impróprio
Em 1682, a corte
transferiu-se para Versalhes, que se tomou a capital da França
até 1789. A corte de Luiz era tão grandiosa como o
seu palácio. Consistia em 20.000 pessoas, incluindo 9.000
soldados, que eram aquartelados na cidade de Versalhes; 1.000 cortesãos
e 4.000 criados viviam no palácio, cujos aposentos e galerias
magnificentes não satisfaziam, contudo, as condições
necessárias da habitabilidade. Tornava-se impossível
aquecer o edifício, desprovido, além do mais, de condições
sanitárias.
Depois da morte
de Luiz XIV, seu bisneto, Luiz XV, fez mais alguns acréscimos
a Versalhes. Construiu o Petit Trianon, que mais tarde se tomou
o refúgio favorito da rainha Maria Antonieta, mulher de Luiz
XVI. Este rei mandou construir uma série de apartamentos
para Maria Antonieta, mas o poder e a influência do Palácio
de Versalhes terminaram com a Revolução Francesa,
em 1789.
Depois da Revolução,
os móveis e adereços foram vendidos ou roubados, e
o palácio caiu no esquecimento. A restauração
foi executada em meados do século XIX, por Luiz Filipe, com
o auxílio dos Estados Unidos. Versalhes tomou-se um museu
dedicado a “todas as glórias da França” |