ARLS UNIÃO Nº 112 São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nossas Origens nas Terras de Khan



Col da Cunh Rosângela M. Marega Trombetti

O Egito tornou-se protetorado inglês em 1914 e recebeu independência nominal em 1922, quando os britânicos criaram a monarquia constitucional, sendo o Sultão Ahmed proclamado o Rei Fuad I. Os britânicos mantiveram o controle da defesa e das comunicações imperiais. Em 1936, um tratado de aliança anglo-egípcia foi assinado, garantindo guarnições inglesas por 20 anos, mas com uma gradativa retirada britânica. esta foi interrompida pela Guerra Mundial. Em 1948, forças egípcias fracassaram ao tentar evitar o surgimento do Estado de Israel e em 1952 o rei Farouk foi deposto por um grupo de oficiais do exército.

A nacionalização do canal de Suez, em 1956, provocou uma fracassada intervenção militar anglo-francesa, e no mesmo ano houve mais uma malograda guerra contra Israel.

Nesta época, muitos egípcios-judeus deixaram sua terra em direção aos demais países.

Muitos deles vieram para o Brasil. Dentre eles vários maçons, que chegando a São Paulo, procuraram novamente se reunir em torno dos rituais e fundaram a nossa ARLS União N° 112, sob o manto da Grande Loja do Estado de São Paulo. Foi reconhecida, no dia 30 de junho de 1.962. Outros egípcios-judeus continuaram ingressando em nossa loja e se misturaram aos brasileiros para constituir uma loja justa e perfeita que pulsa em nossos corações. O jornal para o qual escrevemos é uma homenagem a esses imigrantes egípcios.

O NASCIMENTO DO MUNDO

No Egito, costuma-se dizer que no princípio só havia o “Num”: Oceano sem praias, cujas ondas iam estourar na imensidão das trevas. Depois, do fundo das águas foi emergindo uma massa indistinta de areia e lama, até se formar uma ilha minúscula, em que surgiu um ovo. De dentro dele irrompeu triunfante o deus “Rá”, o sol, também chamado “Amon” que inundou o espaço com sua luz ofuscante.

“Rá” iniciou à tarefa de dar luz a seus filhos e, desse modo, criar e ordenar o mundo. Assim surgiram “Geb, deus da Terra, e sua irmã “Nut”, deusa do Céu que se recurvou em volta da Terra, com seu imenso corpo repleto de estrelas, até que os braços e as pernas se encontrassem.

No centro, “Chu”, o ar, sustenta o ventre de “Nut”, que forma a abóbada celeste. À noite, “Consu”, deus da Lua, domina os Céus - quando “Rá” abandona o mundo visível e se recolhe ao “Amanti”, o mundo subterrâneo.

O UNIVERSO, SEGUNDO OS EGÍPCIOS

Para os egípcios, o nascimento do mundo está estritamente ligado ao que eles tem diante dos olhos todos os dias: o vale do Nilo. O “Num”, o oceano primitivo do qual emergiu a Terra, lembra o rio Nilo no momento de sua cheia anual.

A importância do Nilo é tão grande que os egípcios se orientam pelo sul, voltando-se para a nascente desse rio, pois ela representa o começo do mundo. Portanto, para um egípcio o leste fica à esquerda, e o oeste, à direita.

O Sol, por ser o primeiro deus da religião egípcia, origem da vida, também desempenha um papel especial. Segundo certos mitos, teria nascido de um ovo; segundo outros, originou-se num lótus. De qualquer maneira, o astro delimita o Universo, que, aliás, é designado pela expressão “o que o Sol encerra”. Quanto ao Céu é representado pelo corpo feminino de “Nut” e, outras vezes, por uma vaca, e quatro divindades o sustentam.

O SOL, DEUS SUPREMO

O deus Sol desempenhou um papel crucial no cotidiano dos egípcios. A narrativa da viagem de “Rá” nos mundos diurno e noturno, aliás, é um dos mitos mais difundidos. No decorrer dos séculos, todos os deuses importantes foram associados a “Rá”. Assim, “Amon”, em Tebas, “Ptá”, em Mênfis, e “Aton”, em Heliópolis, juntaram a seus nomes o de “Rá”. Algumas divindades tornaram-se solares sem nenhuma justificativa em sua personalidade de origem: é o caso do deus-crocodilo “Sobeque”, na região do Faium. Para alguns egiptólogos, essa adoração do Sol revela uma tendência ao monoteísmo.

O NOME NO EGITO ANTIGO

Para os egípcios, o nome próprio náo é apenas um rótulo associado a um indivíduo: tem um significado, muitas vezes religioso, e chega mesmo a possuir um poder mágico. Ao saber o nome de uma pessoa, tem-se poder sobre ela. Essa crença no valor do nome encontra-se no código penal egípcio. Assim, é possível castigar um delinqüente reduzindo seu nome (“Dom de Rá”vira “Dom”), transformando-o (“Hórus o odeia”no lugar de “Hórus o ama”) ou até mesmo, para imprimir maior severidade, suprimindo-o. Nesse caso, o criminoso perde junto com o nome toda esperança de vida após a morte.

OS HIERÓGRIFOS

Os hieróglifos, a escrita sagrada dos egípcios, constituíram durante muito tempo um mistério indecifrável. Desde a antigüidade, causavam admiração nos viajantes gregos, entre os quais o famoso historiador Heródoto. Segundo a mitologia, os hieróglifos foram inventados por “Thol”, o deus da sabedoria. talvez ele tenha sido mesmo sábio, ao reservar certos conhecimentos secretos a alguns iniciados e escondê-los do grande público. Tal parece ter sido o ponto de vista dos escribas, grafados da direita para a esquerda. Essa fascinante forma de escrita sempre intrigou os pesquisadores. Apenas no século XIX um jovem francês, Champollion, conseguiu decifrar definitivamente o enigma dos hieróglifos.