|
o . o . o . Irm Valfredo Melo e Souza
Mergulhando na
lembrança da cerimônia iniciática de ingresso
na Ordem, evoco a emoção do neófito, já
revestido de seu avental, quando ouve do Venerável Mestre:
“Essas luvas são o símbolo da vossa admissão
no Templo da Virtude e indicam, pela sua brancura, que nunca deveis
manchá-las, indenes as vossas mãos, das águas
lodosas do vício”. Entregando um segundo par de luvas,
agora de mulher, exclama: “estas são destinadas àquela
que mais direito tiver à vossa estima e ao vosso afeto”.
Momento de verdadeira
excitação interior. O primeiro impulso é sair
correndo, disparado, ao encontro da mulher amada para lhe entregar
“as luvas brancas”, símbolo do amor e do carinho
da maçonaria para com a mulher.
Mas estamos
na execução de um ato cerimonial e é preciso
“vencer as paixões”, “submeter a vontade”,
procurar um equilíbrio no Eu interior, que dê a este
evento a mais alta relevância. Contenhamos-nos todos. Vamos
entregá-las no banquete social que se realizará logo
após. E assim foi feito.
As explicações
se seguem: o uso das luvas é antiqüíssimo, crendo
alguns que remonta ao tempo das cavernas. Homero fala de luvas nos
seus poemas. Xenofonte diz que os Persas usavam luvas. Existe no
Museu do Cairo uma luva de tapeçaria de linho, com cadarço
de abotoamento no pulso, encontrada na tumba do jovem rei egípcio
Tutankihamon. Na idade média os dignitários eclesiásticos,
o Papa, os cardeais, os bispos, usavam luvas para os atos litúrgicos.
Nas missas, os celebrantes usavam luvas com as cores litúrgicas
do dia.
A Maçonaria
Operativa adotou o costume do uso das luvas e seus pedreiros as
usavam para não ferirem as mãos nos trabalhos, ato
que se estendeu até os dias de hoje, como representação
simbólica de proteção das mãos contra
as impurezas morais.
E ao oferecer
luvas à mulher, a maçonaria ratifica, como um puro
ato de amor, a candura que deve reinar no coração
de seus adeptos; lembra, com isso, o sentimento do dever, ilibada
conduta moral, o respeito a dignidade humana, o espírito
de fraternidade. Levantar templos à virtude’ cavar
masmorras ao vício.
Para a mulher,
essencialmente, as luvas querem significar urna distinção
à pureza moral, à honestidade, à lealdade ao
companheiro que as ofertou como um preito às suas virtudes.
O fato de o
homem só passar uma única vez, em vida, pelo cerimonial
iniciático, reveste-o da maior beleza espiritual: a mulher
escolhida é a única digna de tal distinção,
porque maçonicamente jamais ele terá a oportunidade
de ofertar outro par de luvas brancas, a qualquer outra mulher,
nestas circunstâncias.
As luvas orientam
a busca da verdade pela via da fé e da razão.
Paradoxalmente,
é uma referência temporal e espiritual.
Quando por qualquer
motivo o sentimento humano atingir uma situação limite
frente a um insucesso, que as luvas brancas evoquem as excelências
morais, a retidão, a honradez e, sobretudo, o amor...
“Ao lado
de todo grande homem há sempre uma grande mulher”.
Que na força
do simbolismo do ofertório das luvas brancas, cresça
nos homens e mulheres de boa vontade, um trabalho vivo e fecundo,
“Ad Universi Terrarum Orbis Summi Architecti Gloriam" |