Pelo Juramento de Hipócrates



Pelo Irm Júlio H.G. Ferreira – Or do Rio Grande do sul

Nós somos médicos.

Cuidamos de pacientes e pobres em hospitais, ambulatórios, consultórios particulares, serviços público e universidades.

Nuvens sombrias escurecem a nossa vocação e a ameaçam transformar os nossos vínculos terapêuticos em brinquedos dos políticos de plantão.

Regras políticas, comerciais e contábeis estão substituindo os ditados do tratamento violentando os mais sagrados valores de nossa profissão.

Estamos num beco sem saída.

A medicina de mercado considera os pacientes como centros de lucro.

A medicina pública (federal, estadual e municipal) considera os pacientes como simples número de uma estatística que deve ser ajustada a um orçamento.

O tempo que nos é permitido atender o doente encolhe sob pressão da necessidade de melhorar a estatística e aumentar a produtividade como se estivéssemos lidando mais com um produto industrial do que com um ser humano que precisa de compaixão e cuidados. O direito de escolher e de mudar de médico, a base sólida da autonomia do paciente é um ponto central da medicina e esta sendo rapidamente destruído.

Ouvir, aprender e cuidar são substituídos por negociar, gerenciar a fazer marketing.
Muitos de nós, arriscamos até ser despedidos ou descrendeciados se oferecemos tratamentos onerosos que os sistemas de saúde público privado não querem pagar.

A importância central do paciente, é substituída por uma contabilidade perversa de políticos, burocratas, seguradoras, investidores e empregadores.

Recursos públicos de grande valor, até mesmo dos hospitais que atendem pacientes terminais, construídos com dezenas de anos de impostos, caridade e sacrifício de voluntários dedicados estão desviados para outros fins ou dilapidados.

Hospitais públicos estão sendo fechados, colocados em situação de completa insolvência ou de constrangimento tendo que passar o chapéu com campanhas de arrecadação de fundos para poder sobreviver enquanto nossos governantes permanecem indiferentes.

Os poucos que ainda resistem aglomeram seus pacientes nos corredores, em macas ou cadeiras.
As comunidades descobrem que serviços vitais são desativados porque a economia não é direcionada para responder pelas mais prementes necessidades clínicas mas para obras públicas, tapar furos da balança de pagamentos ou engordar as contas de políticos com salários absurdos, fora da realidade do país e do povo que os elegeu e a quem representam.

Instituições sem fins lucrativos, são obrigadas a diminuir seus gastos em pesquisa, ensino e caridade ou terão de enfrentar a bancarrota.

O contingente de pessoas sem coberturas médica continua a crescer, a rede de apoio das clínicas e hospitais públicos continua a encolher e os programas de saúde públicas estão sendo desmontados.

Até mesmo muitos segurados de planos de saúde particular descobrem que sua cobertura é insuficiente quando dele necessitam: tratamentos e pagamentos são freqüentemente negados para “doenças onerosas” que exijam internação prolongada, uso de próteses ou exames sofisticados. Os cuidados de enfermagem especializados também são negados e os doentes são empurrados para fora dos hospitais. Cada vez mais o conforto do paciente, as necessidades especiais dos idosos, dos enfermos e incapacitados são ignoradas.

Para os médicos e enfermeiros o espaço para um bom trabalho nesse mau sistema está sendo cada vez mais difícil. Para o público, felizmente na sua maioria e é saudável e que não precisa de tratamento, a consciência dessa degradação do sistema só irá chegar o dia em que ficar doente; são principalmente aqueles que estão doentes e necessitam de tratamentos caros que irão encontrar o lado sombrio do sistema de saúde.

Criticamos esta medicina cruel que nada tem a ver com aquele que juramos exercer na nossa formatura sem tentar esconder ou desculpas nossos fracassos do passado, mas apenas para alertar que essas mudanças que agora ocorrem estão levando a medicina para ficar cada vez mais distante do bom atendimento, da justiça e da eficiência.

Não podemos concordar com isto!

A medicina e a enfermagem não devem ser desviadas de sua função básica: o alívio do sofrimento, a prevenção e o tratamento de doenças e a promoção da saúde.

Determinações governamentais que levem ao mau atendimento ou que enfraqueçam a relação médico-paciente ou enfermagem devem ser contestadas.

Negociatas com dinheiro público destinados à saúde ter castigo EXEMPLAR.

O direito do paciente escolher o seu médico deve ser preservado.

O acesso à saúde é um direito de cidadania.

Nossa meta não é apoiar esse ou aquele modelo de sistema de saúde nossa meta é o paciente. Nós realmente acreditamos que existem várias soluções possíveis que possam levar a uma atenção à saúde universal e justa como a nossa nação merece, mas essas soluções não podem ser tomadas em gabinetes de costas para quem convite com este drama, isto é pacientes, enfermagem, médicos e responsáveis pelos hospitais e serviços de saúde. Somente um diálogo amplo e sincero poderá nos levar a formular uma solução genuína de acordo com as tradições sacerdotais da medicina e da enfermagem.