Autor: Marconi Edson de Souza
Nasceu em Recife,
província de Pernambuco, em 19/08/1849, sendo filho do conselheiro
José Tomás Nabuco de Araújo Segundo e de D.
Ana Benigna de Sá Barreto, completando a instrução
primária em um pequeno colégio de Recife, cujo diretor
lecionava português, latim e rudimentos de aritmética,
transmitindo ao aluno inteligente parte de seus conhecimentos.
Em 1860, matricula-se
no Rio de Janeiro, no colégio Pedro II, onde fez o curso
de humanidades, e, em 8/11/1865, aos 16 anos, é diplomado
Bacharel em letras.
Um ano após,
em 1866, cursa em São Paulo, a primeira série da escola
de direito, e ainda estudante, no ano de 1868, Joaquim Nabuco é
iniciado na Loja Maçônica AMÉRICA, jurisdicionada
ao Grande Oriente dos Beneditinos, cujo Grão Mestre era Saldanha
Marinho.
Em 1870, estando
em Recife, forma-se Bacharel em ciências jurídicas
e sociais pela faculdade de Recife, tendo nesta época manifestado
interesse pela política, demonstrando tendência Monarquista
Liberal, dedicando-se à causa da emancipação
dos escravos, defendendo-os como advogado no júri, e escrevendo
um livro a respeito da escravidão, colaborando assim com
o pai, no estudo da questão dos negros.
Em 1873, publicou
artigos sobre "O partido ultramontano, sua invasão,
seus órgãos e seu futuro, artigos publicados no Recife",
engajando-se na campanha movida pelo Grande Oriente do Vale dos
Beneditinos, dirigida por Saldanha Marinho, contra as pretensões
dos bispos de Olinda e do Pará, tendo em seguida viajado
para a Europa, e mantido contato com expoentes da literatura e da
política Européias, entre os quais, o mestre Mr. Ernest
Renan.
Ao regressar
ao Brasil em 1874 Joaquim Nabuco entrega-se a uma grande produção
literária, escrevendo dentre outros o livro "Minha Formação",
no qual demonstrou quão útil foi a sua viagem, e as
observações colhidas nos meios políticos Europeus,
através do conhecimento dos problemas sociais, a necessidade
da tolerância das opiniões contrárias, ... enfim
a verdadeira política necessária ao nosso país.
O ano de 1876,
marca a entrada de Joaquim Nabuco para a diplomacia, tendo sido
nomeado adido de primeira classe do Brasil em Washington, tendo
viajado algumas vezes pela Europa e Estados Unidos.
Com o falecimento
do pai, o conselheiro Nabuco de Araújo, Joaquim Nabuco, exonera-se
do cargo diplomático, retomando à Pernambuco é
eleito Deputado por aquela província
Ao ocupar sua
cadeira de Deputado, para a qual fora eleito pelo primeiro distrito
de Pernambuco, no Rio de Janeiro, onde demonstrou o seu espírito
superior, o seu correto estilo literário, a sua franqueza
e a sua combatividade a favor dos cativos, Nabuco despertou admiração,
mas também decepção para muitos senhores de
escravos que o apoiaram.
Na celebração
do tricentenário de Camões, em 10/6/1880, como orador
da colônia Portuguesa, Joaquim Nabuco, profere um discurso
que talvez tenha sido o mais belo de sua produção
literária, pois era versado em Camões e Os Lusíadas,
tendo publicado em 1872, um volume de 294 páginas sobre estes
temas de grande significado na literatura portuguesa.
Em 16/7/1880,
Nabuco ataca da tribuna da Câmara Geral dos Deputados "os
privilégios da Igreja Oficial", e ao mesmo tempo, ao
pronunciar outro discurso de cunho abolicionista da mesma tribuna
da Câmara fez uma conferência sob o título "Confederação
Abolicionista", e com outros correligionários como André
Rebouças, Joaquim Serra e alguns outros, funda no Rio de
Janeiro a "Sociedade Brasileira Contra a Escravidão",
que é inaugurada em 28/9/1880, tendo em seguida viajado para
a Europa recebendo homenagens e demonstrações de solidariedade
por onde passava.
Em 1881, tendo
perdido as eleições para Deputado, Nabuco é
nomeado para exercer as funções de Adido de primeira
classe em Londres, tendo de lá, escrito artigos para o "Jornal
do Comércio" do Rio de Janeiro, e para o "La Razon"
de Buenos Aires, esteve também em Milão, onde defendeu
os direitos dos escravos. Voltando ao Brasil, retorna à política
tendo vencido as eleições para deputado em Recife,
tomando posse em seguida.
Em 10/02/1888,
é recebido pelo Papa Leão XIII, em audiência
particular e sem a presença de qualquer testemunha, Joaquim
Nabuco, pede à S. S. a condenação da escravidão,
em nome da Igreja... e, solicita ao mesmo tempo, que o Papa fizesse
chegar a sua palavra ao Brasil, antes da abertura do Parlamento,
que seria em maio.
Nabuco, não
teria esmorecido em sua luta a favor da emancipação
dos escravos..., em Londres escreve "Reformas Nacionais".
"O Abolicionismo", em um livro de 256 páginas,
publicado em Londres em 1883, e consegue, com o auxílio de
outros colaboradores, a lei libertando os sexagenários escravos
no Brasil.
Voltando ao
Brasil, na abertura da Câmara, em 03/05/1888, Nabuco, Dantas
e Patrocínio, falam à multidão, das janelas
do senado, onde aconteceu uma verdadeira apoteose e ao mesmo tempo
o prenúncio da LEI ÁUREA.
Em 07/05/1888,
o gabinete presidido pelo Conselho João Alfredo Correia de
Oliveira, apresenta à câmara dos deputados a proposta
para a extinção imediata da escravidão. O Deputado
Joaquim Nabuco requer a nomeação de uma comissão
para dar parecer, o que é feito no mesmo dia, com parecer
favorável à proposta do governo.
Em 13 de maio
de 1888, a LEI ÁUREA, é sancionada pela Princesa D.
Isabel. De uma sacada, Joaquim Nabuco comunica à multidão,
postada em frente ao Palácio, que a escravidão estava
EXTINTA NO BRASIL.
A encíclica
do Papa Leão XIII, sobre a escravatura, é então
divulgada no Brasil, resultando inócua, por terem sido já
libertados os escravos.
Divergindo das
idéias republicana Joaquim Nabuco retira-se à vida
privada onde passa a colaborar no JORNAL DO BRASIL, fundado por
Rodolfo Dantas, por ser este quotidiano, em oposição
ao regime republicano, e em pouco tempo foi nomeado Redator-Chefe
do jornal do Brasil.
Entre 1896/1897,
Joaquim Nabuco, publica seus artigos no jornal "O Comércio
de São Paulo", que era um órgão Monarquista,
publicando também vários livros e estudos, dentre
os quais, "Um Estadista do Império" onde retrata
a vida de seu pai, José Tomaz Nabuco de Araújo Segundo,
obra que foi considerada como uma das mais importantes de sua produção
literária.
Nomeado para
representar os interesses do Brasil, junto ao Rei da Itália,
no arbitramento da pendência de limites com a Guiana Inglesa,
demonstrou, de um lado o seu talento genial e, do outro, a imensa
erudição de que era dotado.
Em 31/12/1900
Nabuco chefia uma missão Brasileira como enviado extraordinário
e Ministro Plenipotenciário, para defender os interesses
do Brasil, tendo se comportado com distinção.
Em 10/01/1905,
tendo sido nomeado Ministro do Brasil em Washington, e sendo elevada
a Legação à categoria de Embaixada, Joaquim
Nabuco, foi na realidade, o primeiro embaixador do Brasil nos Estados
Unidos da América.
Ao retornar
ao Brasil, para presidir a terceira conferência Pan-Americana,
e tendo sido recebido com calorosos aplausos pelos seus concidadãos,
agradece em vibrante discurso, às manifestações
recebidas, e... mostrando-se favorável à República,
regressa em seguida para os Estados Unidos.
Em 17/01/1910,
morre em Washington, Joaquim Nabuco, embaixador do Brasil..., era
também sócio do Instituto Histórico e Geográfico,
ocupando na Academia Brasileira de Letras, a cadeira de Maciel Monteiro.
Diz um de seus
biógrafos "Joaquim Nabuco, foi personagem ilustre da
história literária e política do Brasil...
a sua vida pública, quer como Deputado, quer como propagandista
do Abolicionismo ou como Diplomata, honra a nação
que lhe deu o berço".
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