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Marechal Manoel Deodoro da Fonseca
IIrm Almir Silva e
Heinz Jakobi
Nascido a 5 de agosto de 1827, na vila de Anádia (hoje, Deodoro),
na província de Alagoas, e falecido no Rio de Janeiro, a 23
de agosto de 1892. 0 marechal Manoel Deodoro da Fonseca, além
de chefe militar, foi o proclamador da República do Brasil,
chefe do Governo Provisório, primeiro Presidente constitucional
e Grão Mestre de Grande Oriente do Brasil.
Pertencia a uma família
de militares: era filho do tenente-coronel Manuel Mendes da Fonseca
e irmão dos marechais Lemes Ernesto e Severiano, do general-médico
João Severiano, do major Eduardo Emiliano, capitão
Hipólito. do alferes Afonso Aurino - estes três últimos,
mortos na Guerra do Paraguai, motivo pelo qual não chegaram
a postos mais elevados — e Pedro Paulino, que, embora também
militar, foi reformado muito cedo.
Deodoro ingressou na
Escola Militar em 1843, tendo pertencido geração seguinte
a de Caxias e Osório. Quando tenente, integrou a tropa destacada
para Pernambuco, por ocasião da Revolução Praieira
de 1848. Como capitão, seguiu para o Uruguai, participando
dos episódios que antecederam a Guerra do Paraguai, da qual
também participaria e da qual retornaria, em 1870, já
como coronel. Em 1874 era promovido a brigadeiro e, em 1884, a marechal-de-campo.
Foi um dos líderes
da chamada Questão Militar, de fundamental importância
no processo que resultou na queda do império, embora tenha
havido, também, certa contribuição da Questão
Religiosa e dos problemas econômicos causados pela abrupta
extinção da escravatura.
Na Questão militar,
quando comandante de armas da província do Rio Grande do
Sul, Deodoro defendeu a legitimidade da posição de
seu subordinado, coronel Sena Madureira, que criticara, em artigo
publicado pela imprensa, a administração do ministro
da Guerra (civil). Sua atitude seria bastante criticada por Silveira
Martins, seu adversário, na Câmara dos Deputados, tendo
havido, também, uma denúncia contra ele, sob a acusação
de prevaricação, apresentada ao Supremo Tribunal de
Justiça. Antes do julgamento, ele chega ao Rio de Janeiro
e é recebido com as mais amplas manifestações
de apoio e com a solidariedade hipotecada pelos Oficiais do Exército
e da Armada, que, para isso, se reuniram, no dia 10 de outubro de
1886, presididos por Benjamin Constant e pelo almirante Artur Silveira
da Mota (barão de Jaceguai), ambos Maçons (o último
foi Grão-Mestre do GRANDE ORIENTE DO BRASIL, de 1881 a 1882).
Os militares conseguiram, então, a vitória, com o
cancelamento dos atos punitivos e a substituição do
ministro.
Em julho de 1887, é
fundado o Clube Militar, com Deodoro na presidência e Benjamin
Constant na vice-presidência, fato de grande importância
para o desenrolar dos acontecimentos futuros, pois o Clube logo
adotou a bandeira da abolição da escravatura e da
república, embora, neste último caso, a influência
maior fosse de Benjamim, já que Deodoro tinha grande respeito
pela família imperial. Em outubro de 1887, através
de Deodoro, o Clube enviava, à Princesa Regente, Dna. Isabel,
uma mensagem enérgica, solicitando que o Exército
fosse dispensado da tarefa de proceder a captura de escravos fugidos.
Após a abolição,
o governo imperial, com a intenção de afastar Deodoro
da Corte — e, portanto, dos principais acontecimentos políticos
— nomeou-o para o comando de Mato Grosso, em dezembro de 1888;
ele, porém, rebelou-se quando foi nomeado presidente da província
um oficial de patente inferior à sua, o coronel Cunha Matos,
a quem entregou o comando de armas, retornando, em setembro de 1889,
ao Rio de Janeiro, em plena efervescência republicana, acesa
pela revolta dos oficiais liderados por Benjamim Constant. Instado
por este, tendo em conta o seu alto prestígio no Exército.
Deodoro acabaria desempenhando o papel principal e decisivo na implantação
da República, a 15 de novembro de 1889. Já no dia
10 de novembro, havia sido decidida a queda do império, numa
reunião realizada na casa de Benjamin, com a presença
dos republicanos históricos e Maçons paulistas Francisco
Glicério e Campos Salles. O obstáculo, que, nessa
altura, era considerado o maior, era a grande afeição
de Deodoro ao imperador; para contornar esse obstáculo, foi
necessário o poder de persuasão de Benjamin e de outros
companheiros de farda, que acabaram por convencer o marechal.
Ele estava doente e acamado,
quando os principais líderes militares do movimento foram
buscá-lo, em sua casa, defronte ao Campo de Sant’anna
(depois, praça da República), para colocá-lo
à testa da tropa, em plena madrugada. Sua mulher, indignada
com a verdadeira invasão de sua casa, quis expulsar todos
os oficiais, tendo sido, todavia, convencida de que era necessário
que o marechal assumisse o comando, para dar maior força
ao movimento. Não era firme, todavia, a sua intenção
de derrubar a monarquia, preferindo que o velho imperador terminasse
os seus dias, para que fosse providenciado, então, um novo
regime. Tanto isso é verdade, que, deposto todo o Conselho
de Ministros, presidido pelo Visconde de Ouro Preto, Deodoro, num
rasgo de sua antiga fidelidade a D. Pedro II, não se dispunha
a tomar providências para proclamar a república, tendo
declarado, a Ouro Preto, que iria mandar procurar o imperador, em
Petrópolis, para propor-lhe uma nova lista de ministros para
o Gabinete. Foi aí que entrou em cena, mais uma vez, o grande
Maçom e articulador do movimento, Benjamin Constant, que
alertou Deodoro sobre o perigo que eles correriam, daí em
diante, por sua rebeldia, caso sobrevivesse o governo imperial.
Implantada a república,
Deodoro assumiria o poder, como chefe do Governo Provisório,
com um ministério totalmente constituído por Maçons,
embora nem todos ativos: Aristides Lobo, ministro do Interior; Quintino
Bocaiúva, ministro dos Transportes; Benjamin Constant, ministro
da Guerra; Rui Barbosa, ministro da Fazenda; Campos Salles, ministro
da Justiça; Eduardo Wandenkolk, ministro da Marinha; e Demétrio
Ribeiro, ministro da Agricultura. Alguns autores maçônicos
tendenciosos, querem fazer crer que esses homens foram escolhidos
devido ao fato de serem Maçons, o que não corresponde,
evidentemente, à visão imparcial da história,
pois eles foram escolhidos porque representavam a nata dos chamados
republicanos históricos (com exceção de Rui,
que, não tendo participado do movimento, era considerado
"republicano do dia 16"), a qual, por feliz coincidência,
se reunia sob a égide da Instituição Maçônica,
numa época em que a Maçonaria abrigava os melhores
homens do país e a elite intelectual da nação.
Nos primeiros momentos
do novo regime, havia duas correntes republicanas com idéias
antagônicas: uma queria uma república democrática
representativa, enquanto que a outra desejava uma ditadura sociocrátíca
de tipo comunista, ou seja, de acordo com a doutrina de Comte, o
positivismo. Acabou vencendo a corrente democrática, sustentada
por Rui, seu maior expoente e a cuja diligência deve-se a
elaboração do projeto de Constituição
Provisória. Em decorrência, instalou-se, a 15 de novembro
de 1890, o Congresso Constituinte, que, a 24 de fevereiro de 1891,
aprovava e promulgava a primeira Constituição da República,
que instituía o presidencialismo e o federalismo. Dois dias
depois, a Assembléia elegeu, para a Presidência da
República, por pequena margem sobre Prudente de Moraes, o
Marechal Deodoro, e, para vice-presidência, o Marechal Floriano
Peixoto, da chapa da oposição, o qual derrotou Wandenkolk.
A 23 de novembro de 1891,
Deodoro renunciou ao cargo, para não provocar uma guerra
civil, diante da revolta da armada liderada pelo almirante Custódio
de Melo, em reação ao golpe do presidente, que, a
3 de novembro, dissolvera a Câmara e o Senado.
Foi um MAÇOM ATIVO
desde que foi Iniciado, a 20 de setembro de 1873, na Loja "ROCHA
NEGRA", de São Gabriel (RS), a qual, na época,
era da jurisdição do GRANDE ORIENTE DO BRASIL, do
qual seria dissidente, em 1927, para se tomar a Loja número
um da Grande Loja do Rio Grande do Sul. Apesar de suas viagens e
remoções devidas à sua patente militar —
por remoção, teve que deixar o quadro da "Rocha
Negra", em dezembro de 1874— manteve sempre uma apreciável
atividade maçônica, pertenceu, provavelmente, à
Loja "DOIS DE DEZEMBRO", do Rio de Janeiro, e foi eleito
Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil (13 º), a 19
de dezembro de 1890, tomando posse a 24 de março de 1891.
A 18 de dezembro de 1891, seja vinte e cinco dias depois de renunciar
à Presidência da República, Deodoro também
renunciou ao cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente. A República,
ele entregou a Floriano, para que este a consolidasse; o Grande
Oriente ele entregou ao Adjunto, conselheiro Joaquim Antônio
de Macedo Soares, que assumira o cargo em 10 de agosto de 1891,
depois da morte de Josino do Nascimento Silva Filho. Doente e desencantado
com tudo, veio a falecer oito meses depois. |