Maçons

 

 

 





O MOSAICO
Retirado do livro Fragmento da Pedra Bruta, Editora Maçônica "A Trolha", volume 1
julho 1999 pagina 125
Em memória do Centenário de Falecimento

Deodoro: Presidente e
Grão-Mestre


 

deodoro
Marechal Manoel Deodoro da Fonseca

 

 

IIrm Almir Silva e
Heinz Jakobi



Nascido a 5 de agosto de 1827, na vila de Anádia (hoje, Deodoro), na província de Alagoas, e falecido no Rio de Janeiro, a 23 de agosto de 1892. 0 marechal Manoel Deodoro da Fonseca, além de chefe militar, foi o proclamador da República do Brasil, chefe do Governo Provisório, primeiro Presidente constitucional e Grão Mestre de Grande Oriente do Brasil.

Pertencia a uma família de militares: era filho do tenente-coronel Manuel Mendes da Fonseca e irmão dos marechais Lemes Ernesto e Severiano, do general-médico João Severiano, do major Eduardo Emiliano, capitão Hipólito. do alferes Afonso Aurino - estes três últimos, mortos na Guerra do Paraguai, motivo pelo qual não chegaram a postos mais elevados — e Pedro Paulino, que, embora também militar, foi reformado muito cedo.

Deodoro ingressou na Escola Militar em 1843, tendo pertencido geração seguinte a de Caxias e Osório. Quando tenente, integrou a tropa destacada para Pernambuco, por ocasião da Revolução Praieira de 1848. Como capitão, seguiu para o Uruguai, participando dos episódios que antecederam a Guerra do Paraguai, da qual também participaria e da qual retornaria, em 1870, já como coronel. Em 1874 era promovido a brigadeiro e, em 1884, a marechal-de-campo.

Foi um dos líderes da chamada Questão Militar, de fundamental importância no processo que resultou na queda do império, embora tenha havido, também, certa contribuição da Questão Religiosa e dos problemas econômicos causados pela abrupta extinção da escravatura.

Na Questão militar, quando comandante de armas da província do Rio Grande do Sul, Deodoro defendeu a legitimidade da posição de seu subordinado, coronel Sena Madureira, que criticara, em artigo publicado pela imprensa, a administração do ministro da Guerra (civil). Sua atitude seria bastante criticada por Silveira Martins, seu adversário, na Câmara dos Deputados, tendo havido, também, uma denúncia contra ele, sob a acusação de prevaricação, apresentada ao Supremo Tribunal de Justiça. Antes do julgamento, ele chega ao Rio de Janeiro e é recebido com as mais amplas manifestações de apoio e com a solidariedade hipotecada pelos Oficiais do Exército e da Armada, que, para isso, se reuniram, no dia 10 de outubro de 1886, presididos por Benjamin Constant e pelo almirante Artur Silveira da Mota (barão de Jaceguai), ambos Maçons (o último foi Grão-Mestre do GRANDE ORIENTE DO BRASIL, de 1881 a 1882). Os militares conseguiram, então, a vitória, com o cancelamento dos atos punitivos e a substituição do ministro.

Em julho de 1887, é fundado o Clube Militar, com Deodoro na presidência e Benjamin Constant na vice-presidência, fato de grande importância para o desenrolar dos acontecimentos futuros, pois o Clube logo adotou a bandeira da abolição da escravatura e da república, embora, neste último caso, a influência maior fosse de Benjamim, já que Deodoro tinha grande respeito pela família imperial. Em outubro de 1887, através de Deodoro, o Clube enviava, à Princesa Regente, Dna. Isabel, uma mensagem enérgica, solicitando que o Exército fosse dispensado da tarefa de proceder a captura de escravos fugidos.

Após a abolição, o governo imperial, com a intenção de afastar Deodoro da Corte — e, portanto, dos principais acontecimentos políticos — nomeou-o para o comando de Mato Grosso, em dezembro de 1888; ele, porém, rebelou-se quando foi nomeado presidente da província um oficial de patente inferior à sua, o coronel Cunha Matos, a quem entregou o comando de armas, retornando, em setembro de 1889, ao Rio de Janeiro, em plena efervescência republicana, acesa pela revolta dos oficiais liderados por Benjamim Constant. Instado por este, tendo em conta o seu alto prestígio no Exército. Deodoro acabaria desempenhando o papel principal e decisivo na implantação da República, a 15 de novembro de 1889. Já no dia 10 de novembro, havia sido decidida a queda do império, numa reunião realizada na casa de Benjamin, com a presença dos republicanos históricos e Maçons paulistas Francisco Glicério e Campos Salles. O obstáculo, que, nessa altura, era considerado o maior, era a grande afeição de Deodoro ao imperador; para contornar esse obstáculo, foi necessário o poder de persuasão de Benjamin e de outros companheiros de farda, que acabaram por convencer o marechal.

Ele estava doente e acamado, quando os principais líderes militares do movimento foram buscá-lo, em sua casa, defronte ao Campo de Sant’anna (depois, praça da República), para colocá-lo à testa da tropa, em plena madrugada. Sua mulher, indignada com a verdadeira invasão de sua casa, quis expulsar todos os oficiais, tendo sido, todavia, convencida de que era necessário que o marechal assumisse o comando, para dar maior força ao movimento. Não era firme, todavia, a sua intenção de derrubar a monarquia, preferindo que o velho imperador terminasse os seus dias, para que fosse providenciado, então, um novo regime. Tanto isso é verdade, que, deposto todo o Conselho de Ministros, presidido pelo Visconde de Ouro Preto, Deodoro, num rasgo de sua antiga fidelidade a D. Pedro II, não se dispunha a tomar providências para proclamar a república, tendo declarado, a Ouro Preto, que iria mandar procurar o imperador, em Petrópolis, para propor-lhe uma nova lista de ministros para o Gabinete. Foi aí que entrou em cena, mais uma vez, o grande Maçom e articulador do movimento, Benjamin Constant, que alertou Deodoro sobre o perigo que eles correriam, daí em diante, por sua rebeldia, caso sobrevivesse o governo imperial.

Implantada a república, Deodoro assumiria o poder, como chefe do Governo Provisório, com um ministério totalmente constituído por Maçons, embora nem todos ativos: Aristides Lobo, ministro do Interior; Quintino Bocaiúva, ministro dos Transportes; Benjamin Constant, ministro da Guerra; Rui Barbosa, ministro da Fazenda; Campos Salles, ministro da Justiça; Eduardo Wandenkolk, ministro da Marinha; e Demétrio Ribeiro, ministro da Agricultura. Alguns autores maçônicos tendenciosos, querem fazer crer que esses homens foram escolhidos devido ao fato de serem Maçons, o que não corresponde, evidentemente, à visão imparcial da história, pois eles foram escolhidos porque representavam a nata dos chamados republicanos históricos (com exceção de Rui, que, não tendo participado do movimento, era considerado "republicano do dia 16"), a qual, por feliz coincidência, se reunia sob a égide da Instituição Maçônica, numa época em que a Maçonaria abrigava os melhores homens do país e a elite intelectual da nação.

Nos primeiros momentos do novo regime, havia duas correntes republicanas com idéias antagônicas: uma queria uma república democrática representativa, enquanto que a outra desejava uma ditadura sociocrátíca de tipo comunista, ou seja, de acordo com a doutrina de Comte, o positivismo. Acabou vencendo a corrente democrática, sustentada por Rui, seu maior expoente e a cuja diligência deve-se a elaboração do projeto de Constituição Provisória. Em decorrência, instalou-se, a 15 de novembro de 1890, o Congresso Constituinte, que, a 24 de fevereiro de 1891, aprovava e promulgava a primeira Constituição da República, que instituía o presidencialismo e o federalismo. Dois dias depois, a Assembléia elegeu, para a Presidência da República, por pequena margem sobre Prudente de Moraes, o Marechal Deodoro, e, para vice-presidência, o Marechal Floriano Peixoto, da chapa da oposição, o qual derrotou Wandenkolk.

A 23 de novembro de 1891, Deodoro renunciou ao cargo, para não provocar uma guerra civil, diante da revolta da armada liderada pelo almirante Custódio de Melo, em reação ao golpe do presidente, que, a 3 de novembro, dissolvera a Câmara e o Senado.

Foi um MAÇOM ATIVO desde que foi Iniciado, a 20 de setembro de 1873, na Loja "ROCHA NEGRA", de São Gabriel (RS), a qual, na época, era da jurisdição do GRANDE ORIENTE DO BRASIL, do qual seria dissidente, em 1927, para se tomar a Loja número um da Grande Loja do Rio Grande do Sul. Apesar de suas viagens e remoções devidas à sua patente militar — por remoção, teve que deixar o quadro da "Rocha Negra", em dezembro de 1874— manteve sempre uma apreciável atividade maçônica, pertenceu, provavelmente, à Loja "DOIS DE DEZEMBRO", do Rio de Janeiro, e foi eleito Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil (13 º), a 19 de dezembro de 1890, tomando posse a 24 de março de 1891. A 18 de dezembro de 1891, seja vinte e cinco dias depois de renunciar à Presidência da República, Deodoro também renunciou ao cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente. A República, ele entregou a Floriano, para que este a consolidasse; o Grande Oriente ele entregou ao Adjunto, conselheiro Joaquim Antônio de Macedo Soares, que assumira o cargo em 10 de agosto de 1891, depois da morte de Josino do Nascimento Silva Filho.

Doente e desencantado com tudo, veio a falecer oito meses depois.

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