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Apesar de existirem inúmeras biografias do Caxias profano, somente se encontra um trabalho sério sobre o Caxias maçônico: o de Kurt Prober, citado na Introdução deste estudo.
Kurt chega, mesmo, a afirmar que "biografias de CAXIAS, quer sobre a sua vida profana, militar ou política, existem às centenas, mas por curiosa coincidência, o seu primeiro biógrafo, o Monsenhor Pinto de Campos, sacerdote pernambucano, e que escreveu sobre a vida de Caxias em 1878, enquanto vivo ainda, esquiva-se de qualquer alusão maçônica, apesar de ter sido ele um maçom bastante ativo no passado. Ao leitor desavisado de hoje, este fato por certo causará estranheza, mas as condenações da Santa Sé, já então postas em vigor no Brasil, durante a famigerada "Questão Religiosa", tornam tudo perfeitamente plausível, pois afinal de contas o sacerdote "não queria perder o seu emprego"...
A bem da verdade deve aqui ser mencionado, que a magnífica conferência proferida pelo Marechal Augusto da Cunha Magessi, em 25.8.1965, também não faz qualquer referência a vida maçônica de Caxias, cousa muito natural uma vez que o conferencista NÃO era maçom, e sim convidado de honra"
Tudo leva a crer que o pai do Ir.·. Caxias - Francisco de Lima e Silva - não deve ter sido maçom, contudo, o seu tio - José Joaquim de Lima e Silva, Visconde de Magé - era maçom de destaque e ativo ali pelos idos de 1831 a 1834. Muitos escritores, notadamente maçônicos, confundiram o Ir.·. Caxias com o seu tio. "Por sinal este parentesco talvez possa tornar compreensível a..."atitude INEXPLICAVEL..." do futuro Ir.·. CAXIAS no caso do maçom MIGUEL DE FRIAS, na ABRILADA, fato tão comentado por Gustavo Barroso, inimigo fidagal da Maçonaria.
NÃO PRENDENDO.. Miguel de Frias, Luiz Alves provavelmente assim agiu em atenção ou mesmo por ordem de seus superiores hierárquicos JOSÉ JOAQUIM e MANOEL DA FONSECA, seus tios e talvez, quem sabe, mesmo por ordem do próprio Regente Feijó, o que por sua vez iria explicar o fato, de CAXIAS NÃO TER PRENDIDO FEIJÓ ao ter ocupado Sorocaba em 1842".
Inexistem, até os dias de hoje, provas documentais sobre a loja e a data onde o profano Caxias teria sido iniciado. "Embora não haja documentação "oficial" sobre o ingresso de CAXIAS na maçonaria e sobre sua atividade maç.·. antes de 1847, pelo menos até agora não apareceu, é isto uma circunstância perfeitamente explicável, pois, sendo ele católico praticante, posteriormente muita "gente boa" tinha todo o interesse em fazer desaparecer qualquer vestígio de ter ele pertencido à Ordem".
Prober supõe que Caxias deve ter sido iniciado numa loja do GOP ou numa das três lojas do Supremo Conselho do Conde de Lages, antes da fusão de 1842, na Corte, entre 30 de junho de 1841 e 17 de maio de 1842, quando ainda era brigadeiro e Barão. "A iniciação com mais probabilidade se teria realizado na Loja S. PEDRO DE ALCANTARA, em 1842, sob o malhete do Dr. Thomaz José Pinto de Serqueira 33.·. ...Poderiam ter sido os seus padrinhos: O próprio Conde de LAGES - João Vieira de Carvalho - que, sendo Ministro da Guerra, em 12.12. 1839 escolhera o então CORONEL LUIZ ALVES para pacificar a BALAIADA no Maranhão, ...Ou então ingressara pela mão de seu amigo dileto José Clemente Pereira, o Ir.·. CAMARÃO, Ministro da Guerra...".
Castellani, ao pinçar alguns traços biográficos de Caxias, afirma que "foi iniciado numa das Lojas do Grande Oriente do Passeio, integrando-se ao Grande Oriente do Brasil, a partir da fusão deste com o Supremo Conselho, em 1852".
Em outubro de 1842, o Visconde de Albuquerque, na vida profana Ministro da Guerra e, na maçonaria, Grão-Mestre do GOB nomeia o Ir.·. Caxias para acabar com a interminável rebelião Farroupilha. Quase todos os líderes da revolução dos Farrapos eram maçons, tanto que na bandeira Farroupilha aparecem as colunas maçônicas J.·. e B.·. e o Ir.·. Bento Gonçalves chegou a ser Ven.·. da Loja Filantropia e Liberdade de Porto Alegre. Os ideais maçônicos podem ser visualizados, tanto nos proclamas e manifestos de Caxias quanto no Manifesto da Paz de 28 de fevereiro de 1845, assinado pelo Ir.·. David Canabarro.
Ao voltar dos pacificados pagos do Sul, o Ir.·. Caxias encontrou as lojas do Supremo Conselho incorporadas ao GOP pelo tratado de 4 de novembro de 1842. Assiste ao cisma perpetrado no GOP pelo Ir.·. Brito Sanches, Marechal de Campo e Grande Secretário do GOP, que tendo sido derrotado pelo Ir.·. Manoel Alves Branco para o Grão-Mestrado do GOP, resolve, como é praxe, em alguns momentos, na maçonaria brasileira, "criar" uma nova obediência. Com a eleição de Alves Branco, este resolve reclamar os seus direitos de Lug.·. Ten.·. do Supremo Conselho, com o que não concorda o alquebrado Conde de Lages. Com a precária e caótica situação do GOP, o Conde de Lages denuncia o referido tratado de 1842 e nomeia Caxias seu sucessor. Kurt Prober apresenta um documento provando que a fundação do Supremo Conselho de Caxias e do Círculo Maçônico Independente deu-se a 20 de março de 1847, pois, "para poder desincumbir-se da FUNDAÇÃO de seu Círculo Maç.·. INDEPENDENTE o Conde de Caxias pediu licença do Comando das Armas da Côrte, o que conseguiu em 22.3.1847, só se apresentando da licença em 11 de Maio do mesmo ano, quando os trabalhos mais prementes da Instalação já tinham sido realizados".
Castellani afirma que diante das desavenças "o Conde de Lages, já doente e sem condições de enfrentar essa dura batalha, entregou a direção do Supremo Conselho LEGÍTIMO a Luiz Alves de Lima e Silva, o conde de Caxias, o qual pelo prestígio de que já desfrutava, era quem poderia salvar a situação. Caxias, então, tomando posse como Soberano Grande Comendador do Conselho, declara-se independente, saindo da sede - então na rua do Conde - e mantendo o título que a Obediência possuía desde a fusão de 1842, ou seja, Muito Poderoso Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito do Grande Oriente Brasileiro, já que esse título não fora extinto pelo Passeio, quando da criação de seu Supremo Conselho espúrio. Caxias tornava-se, assim, além de Soberano Grande Comendador, Grão-Mestre desse Grande Oriente, que costuma ser tratado, pelos historiógrafos, como "Grande Oriente de Caxias". A Obediência perduraria até 1852, quando foi feita a sua fusão com o Grande Oriente do Brasil".
Com a fundação de seu Oriente Independente, Caxias contou com pouquíssimas lojas, dentre as quais podem ser citadas: 23 de Julho, de Saquarema (RJ); 2 de Dezembro, União Escocesa e Triunfo do Brasil, todas do Rio de Janeiro; e 24 de Junho de S. Gabriel (RS).
Um dos primeiros documentos que começam a aparecer sobre o Caxias maçônico, partir de 1847, foi o de uma solenidade na Loja União Escocesa na qual se comemorava a posse do Conde de Caxias como Soberano Grande Comendador e Grande Inspetor do Grau 33. Convém salientar que, a hoje quase-sesquicentenária, ARLS União Escocesa é a Loja-Mãe do velho Kurt!
Kurt apresenta um fac-símile deste libreto de 1847 com o seguinte título na capa: Discursos e Mais Peças D'Achitectura Recitada por Ocasião da Posse das Luzes e Mais Dignidades da Sempre Aug.·. e Resp.·. L.·. Un.·. Esc.·. aos 26 dias do 5º mês da Verd.·. L.·. de 5847 e oferecidas AO SOB.·. GR.·. COMM.·. INSP.·. G.·. 33º CONDE DE CAXIAS. |