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Fernando Guilherme Neves Gueiros
M.·.M.·.
Or de Paulista - PE
De tudo isto fica para mim a indagação ou dúvida:
A MAÇONARIA ACOVARDOU-SE OU... ACOVARDARAM-SE OS MAÇONS?
Verdades históricas (Sem se meter em religião).
"Henrique VIII***
Greenwich, 1491 - Westminster, 1547
Rei de Inglaterra. Casou-se com Catarina de Aragão, filha dos Reis Católicos. Em 1509 acede ao poder, que exerce com a ajuda do seu conselheiro, o cardeal Wolsey. No início favorece a política de Carlos V contra a França, mas depois da Batalha de Pavia (1525) alia-se a Francisco I. Em 1527 coloca-se a possibilidade de romper com o papado e com a Igreja Católica.
Os problemas começam quando pretende divorciar-se de Catarina, ao que se opõe o papa Clemente VII. A negativa provoca a queda do Cardeal Thomas Wolsey (Lorde-chanceler que o ajudara como conselheiro) e o acesso ao poder de Thomas Cromwell***, que lhe sugere a possibilidade de se converter no chefe da igreja de Inglaterra.
Thomas Cranmer***, arcebispo de Canterbury, é favorável a estes planos e aceita o divórcio do rei, que de seguida se casa com Ana Bolena (que era dama de companhia de Catarina de Aragão e amásia do Rei).
Em 1535, o Parlamento vota uma lei que confirma Henrique VIII como chefe da nova Igreja Anglicana (até os dias de hoje, salvo engano, não foi suprimida esta lei), independente de Roma. Nesta separação há o confisco (entenda-se subtração a força - roubo) dos mosteiros e demais bens eclesiásticos, que passam para as mãos da aristocracia.
***Henrique VIII - Bígamo é excomungado.
***Thomas Cromwell - Foi artífice da Reforme Anglicana. Morreu decapitado. (Excomungado). Quem o mandou decapitar, adivinhem?
***Thomas Cranmer - Primeiro arcebispo protestante de Canterbury nascido em Aslacton, Nottinghamshire, Inglaterra, tido como o fundador intelectual e, em parte, espiritual da Igreja Anglicana. Depois de estudar no Jesus College, em Cambridge, casou-se, mas logo enviuvou e, então, entrou para a igreja e dedicou-se ao estudo, tornando-se um notável participante dos debates suscitados pela revolta de Lutero. Historicamente seu episódio mais conhecido foi o fato de Henrique VIII, que queria divorciar-se de Catarina de Aragão para desposar Ana Bolena, ter sido encarregado de fundamentar teologicamente o divórcio, defendê-lo em Oxford e Cambridge, e junto ao papa. (Excomungado). Traidor do Papado e oportunista que viu a possibilidade de ser chefe da Igreja; chefia usurpada pelo Rei. Foi enviado à Alemanha como embaixador na corte de Carlos V (1532), e lá conheceu Margaret Osiander, com quem se casou, apesar das ordens sacerdotais. Tornou-se arcebispo de Canterbury (1533) e em cooperação com Oliver Cromwell, promoveu a publicação de uma Bíblia em inglês. Com a ascensão de Eduardo VI (1547), empenhou-se em transformar a igreja da Inglaterra em protestante, mas a rainha católica Maria I, ao assumir o poder, destituiu-o do posto e, por sua ordem, foi preso, condenado e queimado na fogueira, em Oxford.
Surgia, voltando ao tema, a MAÇONARIA Inglesa que é um caso atípico a todas as maçonarias. Ela é comandada e gerida "ad perpetum" por descendentes da família real, não há eleição para o Grão Mestrado, daí não podermos conjeturar com este exemplo tipicamente inglês. Desconheço outras monarquias que detenha o cargo de Grão Mestre da Maçonaria, "ad perpetum", como só ocorre na Inglaterra. Por outro lado, a de se convir que no reinado Inglês quem estar sentado no trono não governa, tampouco pode errar, se para isto nem o primeiro ministro indica, apesar de que, o estado parlamentar é uma criação Inglesa que por época ter um Rei Alemão que mal falava alemão teve que criar a função de um parlamentar-ministro, que fizesse sua voz junto aos outros parlamentares.
Obs.: Este parlamentar-ministro se chamava Robert Wallpole (1º conde de Oxford), um dos chefes do partido whig (liberais), chanceler do erário e 1º Ministro. Foi este que lançou as bases do atual regime parlamentar Britânico.
Todas as mudanças no catecismo (ritual) da Maçonaria Inglesa (Rito de York) foram feito à ótica e supervisão, da estrutura maior da Maçonaria Inglesa, sob mando e comando de membros Anglicanos que eram também maçônicos.
Ao tempo que o poder Papal e a Igreja Católica Romana declinavam em seu poder, nascia o ápice do esoterismo, da política e livre pensamento (1717 - 1789).
Também para o melhor entendimento devemos analisar fatos e elementos como as Guildas medievais (associação de mutualidade - mutualismos - formada na Idade Média entre as corporações de operários, negociantes ou artistas), tinham suas iniciações e mistérios e, como vimos pouco atrás, podia incomodar a Igreja e o Clero, o que gerou o decreto de Sorbonne, em 1655.
Os construtores também tinham seus mistérios. Será que deram origem a uma organização? Pode ser plausível, pois as igrejas e catedrais medievais mostravam na sua arquitetura e simbolismo, preocupações cosmológicas, uso de símbolos astrológicos, uso de material folclórico e lendário nas esculturas, insinuando claramente um esoterismo. Mas se isto ocorreu, a organização - a maçonaria operativa - protegeu muito bem os seus segredos, pois não temos nenhum documento que faça referência à organização. Supõe-se que ela fosse estritamente corporativa, só admitindo membros que fossem construtores.
Há, contudo, na história a existências de papéis póstumos de Elias Ashmole, dando conta de uma anotação sobre o ingresso do autor numa Loja maçônica em Warrington, em 1646. Há ainda um documento que indica algo anterior, Robert Moray fora admitido em uma Loja, em 20 de maio de 1641. Ashmole e Moray tinham algo em comum além de maçônicos: foram sócios fundadores da Sociedade Real. Num panfleto de 1676, podia-se ler que os Maçons consagrados jantariam em companhia de Adeptos Herméticos e de membros da Antiga Fraternidade da Rosa-Cruz, num clube whig de Londres. Este é um fato que daria nascimento anterior à maçonaria.
Mas a fundação de uma Loja maçônica em 1717, por James Anderson, foi uma ruptura com a tradição. Quem defende esta tese é Robert Ambelain, historiador e franco-maçom muito graduado, sobre o qual Eu corroboro, pois mesmo diante de tudo que se mostrava a maçonaria Londrina tomaria rumos e ritmos dogmáticos.
Anderson, ministro escocês presbiteriano, não era maçom quando fundou a loja londrina e, portanto, não tinha direito de iniciar ninguém. Em 1714, Anderson, já em Londres, mantinha reuniões com Payne, Désaguliers, Sayer, o duque de Montagu, Johnson, Entick e Stuart. Maçons tiveram notícia destas reuniões e tentaram barrar os passos de Anderson. Até o arquiteto Christopher Wren viu-se envolvido na disputa. Entretanto Désaguliers tinha um vasto trânsito. Francês e protestante fugiu para Londres, cursou Oxford, ingressou na Sociedade Real, na Loja L'ANTIQUITY em 1712 e, na Igreja Anglicana, foi capelão do príncipe de Gales. O rei George II seguia seus cursos e na Holanda sua audiência contava com Huygens e Boerhaave. Anderson e Désaguliers tiveram a orientação espiritual e intelectual de Haim Sammuel Jacob, conhecido como Falk-Schek, com reputação de grande mago judaico.
Além de não "ser maçom aceito", Anderson teria alterado algumas regras das antigas observâncias e introduzido o que poderíamos chamar de suspeito ritual da morte de Hiram. Ambelain dedica três capítulos de seu livro para mostrar que este antigo mito era luciferino. O autor junta muitos fragmentos de lendas do Oriente médio e norte da África para argumentar sua tese. O ponto central da defesa parte da observação de que nos textos bíblicos (Crônicas e Reis), Hiram não é um arquiteto, mas um ferreiro, que tem uma mitologia e uma ascendência maldita: Caim. De fato, o estudo de Eliade mostra como o mistério que cerca as operações dos ferreiros com o fogo gerou uma vasta mitologia ao redor do mundo. Nesta tese de Ambelain não faço coro, pois a Lenda de Hiram nada mais é do que uma consagração do que seja Justo e Perfeito ao homem.
Por que esta mudança teria ocorrido no início do séc. XVIII? Na explicação de Amberlain: "Assim, por uma lenta evolução, as lojas operativas foram pouco a pouco se transformando em sociedade de pensamento, as cerimônias de iniciação transferiram seu simbolismo do plano material para o plano intelectual... Foi no século XVIII, com o ceticismo de bom-tom, a zombaria espiritual, o materialismo grassando nos salões (...). Isso ganhou os meio maçônicos (...). Pois o esoterismo abrigado no seio da Ordem não podia caminhar lado a lado com uma Maçonaria nascida de uma sociedade superficial e fútil" |