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Bibliografias:

Por excelências pesquisas feitas a internet sobre inúmeros trabalhos e ensaios, com pensamentos e exposições diversas, feitas em diversos idiomas, de autores quiçá desconhecidos mais não menos capazes dos  maiores escritores ou divulgadores da ciência maçônica ou da maçonaria



A Maçonaria Acovardou-se ou... Acovardaram-se os Maçons?

A Igreja Anglicana

 

 

Fernando Guilherme Neves Gueiros
M.·.M.·.
Or de Paulista - PE

 

 

De tudo isto fica para mim a indagação ou dúvida:

A MAÇONARIA ACOVARDOU-SE OU... ACOVARDARAM-SE OS MAÇONS?

 

 

Nesta história toda que passo a analisar e faço um pequeno ensaio, tenho como destaque Jean Théophile Desaguliers, nascido em La Rochelle, a 13 de Março de 1683 e falecido em Londres, 29 de Fevereiro de 1744. Filósofo natural, Calvinista, nascido em França. Membro da Royal Society de Londres, assistente e divulgador de Isaac Newton e toda uma era.

Todas estas referências são para aproximarmos o máximo da filosofia que imperava por aquela ocasião. Estava no auge o iluminismo, dentre estes podemos considerar o discípulo de Newton, Desaguliers.

Sabemos que por aquela época a religião Cristã dominava literalmente o mundo, e este poder estava "lotado" nos Papas de Plantão, todavia para analisarmos o contexto do nascimento da Maçonaria Especulativa teremos que analisar o declínio deste poder, e tudo começa por Felipe IV, o Belo, passando por Henrique VIII.

O Rei Filipe IV, o Belo (1285-1314), que fortaleceu a monarquia, preparou a França para tornar-se o primeiro estado nacional moderno. Cioso das suas prerrogativas, Filipe entrou em confronto direto com o papa Bonifácio VIII (1294-1303), rejeitando qualquer intromissão de Roma nos assuntos internos da França, especialmente nas áreas econômica e judicial. Já por esta época é de se notar se exercitava o estado laico.

O papa revidou com duas bulas, Ausculta fili e Unam sanctam (1302), esta última é considerada o "canto do cisne do papado medieval". Filipe então mandou suas tropas à Itália, e fez o papa preso. Este veio há falecer um mês após ser libertado. Acentuou-se após este fato um período de acentuado declínio e descrédito para a igreja quando então o papa francês Clemente V (1305-14), ascendido ao papado e protegido de Felipe, transferiu a Cúria para Avinhão, no sul da França, dando início ao chamado "cativeiro babilônico da igreja" (1309-1377). A situação agravou-se ainda mais durante o Grande Cisma em que por 40 anos houve papas rivais, um em Roma e outro em Avinhão (1378-1417), ouvindo-se em toda a Europa um clamor por "reformas na cabeça e nos membros".

Dentre inúmeros aspectos negativos do final da Idade Média, um foi o crescente uso da força contra os dissidentes religiosos. No século XI havia surgido no sul da França à seita dos Cátaros ou Albigenses, que praticava um sincretismo cristão, gnóstico e maniqueísta, que se manifestava em um extremo ascetismo (Moral filosófica baseada no desprezo do corpo e das sensações corporais, e que tende a assegurar, pelos sofrimentos físicos, o triunfo do espírito sobre os instintos e as paixões). Condenados pelo 4º Concílio Lateranense em 1215 (Inocêncio III), os Cátaros eventualmente foram aniquilados por uma cruzada e pelas ações da Inquisição, oficializada em 1233.
 
Outro grupo reprimido foram os Valdenses (relativo ao cantão de Vaud, Suíça), surgidos em Lião no século XII. Condenados pelo Concílio de Verona em 1184, eles foram perseguidos por vários séculos e mais tarde abraçaram a Reforma Protestante.

Quanto às Igrejas, como viram e atuaram nestas convulsões históricas? 

A Igreja Anglicana (estatal), nascida durante a Monarquia de Henrique VII, para seus interesses, de muito respeitável, tornara-se um pilar do aparelho de Estado, o que fomentou o emergente crescimento de igrejas protestantes dissidentes.

Quanto à Igreja Romana, despendeu um esforço considerável desde a Reforma, O Concílio de Trento, impôs um debate teológico sério sobre o problema da fé, da graça e das obras, renovou a liturgia, impulsionou a instrução do clero nos seminários, tentou coibir as "extravagâncias" do clero como o concubinato. E resultou numa notável floração de místicos espanhóis: Juan de la Cruz, Santa Tereza d'Ávila e principalmente Inácio de Loyola, que fundou um "exército romano apostólico" neste período, a Companhia de Jesus.

Porém, no conjunto, a Igreja Romana entrara em defensiva. Nas penínsulas Ibéricas e Italianas, a Inquisição ganhava força, enquanto na França, o soberano tratava os conflitos religiosos como questões de Estado: o Jansenismo (Doutrina de Cornélio Jansen, bispo de Ipres, sobre a graça e a predestinação) e Port-Royal foram eliminados, o Édito de Nantes foi revogado e a disputa pela Regalia (o domínio sobre tributos eclesiásticos) terminou com avanços da monarquia, apoiada pelo Arcebispo Bossuet. Ele, que se preocupou com as repercussões do opúsculo de Madame de Guion, "Meio curto e fácil para a oração" (representativo do quietismo - Sistema místico de alguns teólogos, condenado pela Igreja Católica, que defende a inutilidade do esforço humano para a salvação e para a santificação; segundo essa doutrina, a pessoa deve conservar-se em estado de absoluta passividade contemplativa, indiferente a tudo, um estilo de oração e de vida que aproximava o fiel de Deus). Era uma mística bastante devocional, mas nem isso o catolicismo podia tolerar. Mas, no final da vida, Bossuet estava bastante alarmado com a indiferença religiosa, referindo-se a ela como "a loucura do século" (1701).

Já então começa o iluminismo. O Criticismo (Sistema filosófico de Kant, que procura determinar os limites da razão humana; racionalismo crítico) e o Ceticismo faziam progressos. Descartes ainda pensava poder provar a existência de Deus e produziu textos com este objetivo.

Anos depois, Pascal, matemático brilhante, idealizador de uma máquina de calcular e do barômetro, pensava exatamente o contrário; Deus era uma aposta, nenhum raciocínio garantia sua existência. De 1680 a 1700, apareceu uma série de obras críticas. Ricardo Simon, oratoriano francês, publicou a "História Crítica do Antigo Testamento", em 1678 e outra sobre o Novo Testamento, em 1689. Ele comparou as versões da Bíblia nas diferentes línguas. Mostrou a impossibilidade de ser Moisés o único autor do Pentateuco, uma vez que descreve a própria morte no Deuteronômio. Bossuet obteve a condenação da obra e a exclusão de Simon do Oratório.

Outro pensador, John Toland lançou "Christianity not misterious" em 1696, afirmando que o mistério levava a tirania e superstição. Três anos depois, G. Arnold publicou a "História das Igrejas" desde o início do Novo Testamento até 1688. Depois, seguiram-se Moshein, Walch, Noris e outros, mostrando que os dogmas eram produtos de decisões conciliares (relativo a concílios) e não estavam no cânone bíblico. Mais adiante, Hermann Samuel Reimarus mostraria "que Jesus tentou encontrar o estado divino e quando sua missão messiânica fracassara, morrera em desespero".

No séc. XVII, o termo "ateu" servia para designar uma crença religiosa desviante ou herética. Ninguém pensava em apresentar-se como ateu. Mas em 1682, nos "Pensamentos sobre o Cometa", Pierre Bayle, ex-calvinista, que desempenhou um importante papel intelectual, refletia: "Uma sociedade de ateus praticaria as ações civis e morais da mesma maneira como as praticam as outras sociedades". Isto foi forte para a época, pois até mesmo Voltaire e outros iluministas, pensavam que a religião era necessária para manter a "canalha" (malta - povo) na obediência e na moralidade.

Como mais elementar citaria, que o tempo da crise de consciência, tornou-se tanto mais perigoso para a Igreja e a Religião, porque não surgiram dos ambientes religiosos, pensadores de valor e sábios originais. A arma tradicional da Igreja era o anátema: "a ordem do silêncio".

Logo após a morte de Luis XIV (1715), que era o protótipo do conceito de Absolutismo, circularam aos milhares, libelos, panfletos, jornais e estampas. Clubes e cafés amplificaram as novas idéias. Foi neste clima intelectual que começou a surgir a Loja Maçônica Londrina.

Antes, porém, gostaria de considerar, a questão da Igreja Anglicana, que sempre teve e tem até os dias de hoje, o domínio de toda estrutura superior da Maçonaria britânica, ela (igreja) não foi resultante de uma reforma religiosa como foi o Protestantismo, ela foi conseqüência de um interesse menor de um governante concubinário, o Rei Henrique VIII.

Há por parte dos historiadores o fato de que havendo se casado secretamente com a amásia Ana Bolena, que estava grávida, manda em 1533, o rei, coroá-la como Rainha, ainda casado com Catarina de Aragão, tornando-se afora concubinário, bígamo. Thomas Cranmer a quem o Papa nomeara chanceler de Canterbury, oportunistamente, pronuncia-se a favor do divórcio do Rei.

Em 1535, já excomungado pelo papa Clemente VII, com o "Act of Supremacy" (ainda vigente até os dias de hoje) fica estabelecido que o Rei seja o chefe único e Supremo da Igreja da Inglaterra. Nascia aí a igreja Anglicana mantendo os mesmos dogmas que são atacados pelo protestantismo: o celibato eclesiástico, a transubstanciação (transformação da substância do pão e do vinho, durante a consagração da missa, na substância do corpo e sangue de Jesus Cristo), a validade dos votos de castidade e as missas privadas.