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Irm Ambrósio Peters (
* )
Outro dos lugares
comuns muito freqüentes nos escritos maçônicos é atribuir a nossa
Ordem a característica de ser uma escola de moral, e a maioria dos
Irmãos que escrevem ou apresentam trabalhos em Loja se orgulham
muito disso. A sua repetição é tão insistente que quase todos nós
já nos conscientizamos de que estamos diante de uma verdade inconteste.
Mas será mesmo a Maçonaria uma escola de moral?
Se
por princípio todos os candidatos a iniciação devem ser homens livres
e de bons costumes, então todos os maçons também por princípio são
homens de vida eticamente irreprochável. Então como seria a Maçonaria
uma escola de moral, se a moral não é aprendida dentro de nossas
Lojas onde concentramos nossas atividades? Os nossos Irmãos não
aprendem princípios de moral dentro de nossas Lojas simplesmente
porque já os tem, ou pelo menos seria desejável que os tivessem.
ou que todos fossem homens de moral ilibada. Seria antes um farol
de irradiação de princípios éticos sadios através do exemplo dos
seus membros.
A
Constituição de 1723 confirma o que dissemos logo no início. O artigo
primeiro "De Deus e da Religião", diz que "o Maçom por sua condição
deve obedecer à lei moral", isto é, supõe-se que todo o Maçom é
um homens de bons costumes por sua própria natureza de Maçom. Certamente
será o caso de mudarmos essa expressão "uma escola de moral" e dizer
que a Maçonaria é uma fonte de irradiação de bons costumes, o que
é diferente de ser uma escola de moral. Acontece que todos os Irmãos
partilham da idéia que a Maçonaria não deve agir diretamente junto
a sociedade, mas sim exercer sua influência através dos Irmãos individualmente.
Dessa
forma, se todos os Irmãos já entram para a Ordem como cidadãos livres
e de bons costumes, não será a Maçonaria uma escola de moral, mas
muito mais proficuamente um centro de irradiação de moral através
de seus membros. Seria necessário antes de tudo orgulhar-nos de
sermos uma sociedade cuja maioria absoluta é composta de homens
livres e de bons costumes. Também nos orgulhamos de ser nossa Ordem
uma escola de fraternidade, o que obedece ao mesmo raciocínio antes
analisado. Se todos somos homens bons isso implica em que sejamos
todos fraternos.
Na
realidade muitas vezes não o somos, não que não o pretendamos, mas
porque pouco nos exercitamos na pratica os nossos princípios de
fraternidade maçônica.
Deixa-se de incentivar a convivência familiar, que é quase o único
caminho para o despertar dos sentimentos fraternais pois que estabelecem
uma ligação sentimental mais profunda entre os homens. Mas nossa
convivência está muitas vezes infelizmente restrita ao recinto de
nossas Lojas.
Exaltamos,
outrossim, a Maçonaria como uma sociedade universalista, isto é,
que abrigamos homens de todas as religiões e de todos os credos,
e de todas as cores políticas e de todos os princípios filosóficos.
Será
mesmo verdade que somos assim tão tolerantes? Nem sempre o parecemos
ser. Para que o fossemos jamais deveríamos falar em Deus, em religião,
em esoterismo, ou qualquer coisa que se assemelhe a isso.
Dizemos que somos uma escola de livre pensamento, e então perguntamos:
quantas de nossas Lojas se dedicam verdadeiramente a pesquisar a
verdade, ao desenvolvimento do livre pensamento? Os livres pensadores
não passam em número de mero um por cento de toda a humanidade.
Dentro da Maçonaria talvez esse percentual possa chegar a dez por
cento dos membros ativos. Já é uma situação melhor do que a regra
geral. Mas nossa meta deveria ser muito maior já que somos todos
homens livres de pensamento por definição. Devemos concluir que
há evidentemente muito mais Irmãos capazes de contribuir para a
elevação de nosso nível cultural. A Maçonaria está esperando por
isto!! Mantenhamo-nos dentre da realidade do que verdadeiramente
somos. |