Portal Maçônico
Queridos
Quão bom seria que percebêssemos profundamente o que o saudoso Irm Ambrosio Peters expõe nesta página.
Propomos ao Mano que proceda a exame, em minúcia, linha por linha e que se compenetre detalhadamente dessas idéias.

 

 

 

 


( * )Irm Ambrósio Peters.

Saudoso Irm Escritor, Historiador Filosofo e Livre Pensador. Viveu em Curitiba PR.

Extraído do livro "ANTOLOGIA MAÇÔNICA"
do mesmo Autor

 

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Amanhã


I - Ausência de uma definição precisa de Metas


II - Falta de envolvimento sério das Lojas


III - Abrandamento dos critérios de seleção de candidatos.


IV - Falta de uma análise competente.

 

 



V - Exaltação de ideais
que não são atingidos

 

Irm Ambrósio Peters ( * )



Outro dos lugares comuns muito freqüentes nos escritos maçônicos é atribuir a nossa Ordem a característica de ser uma escola de moral, e a maioria dos Irmãos que escrevem ou apresentam trabalhos em Loja se orgulham muito disso. A sua repetição é tão insistente que quase todos nós já nos conscientizamos de que estamos diante de uma verdade inconteste. Mas será mesmo a Maçonaria uma escola de moral?

Se por princípio todos os candidatos a iniciação devem ser homens livres e de bons costumes, então todos os maçons também por princípio são homens de vida eticamente irreprochável. Então como seria a Maçonaria uma escola de moral, se a moral não é aprendida dentro de nossas Lojas onde concentramos nossas atividades? Os nossos Irmãos não aprendem princípios de moral dentro de nossas Lojas simplesmente porque já os tem, ou pelo menos seria desejável que os tivessem. ou que todos fossem homens de moral ilibada. Seria antes um farol de irradiação de princípios éticos sadios através do exemplo dos seus membros.

A Constituição de 1723 confirma o que dissemos logo no início. O artigo primeiro "De Deus e da Religião", diz que "o Maçom por sua condição deve obedecer à lei moral", isto é, supõe-se que todo o Maçom é um homens de bons costumes por sua própria natureza de Maçom. Certamente será o caso de mudarmos essa expressão "uma escola de moral" e dizer que a Maçonaria é uma fonte de irradiação de bons costumes, o que é diferente de ser uma escola de moral. Acontece que todos os Irmãos partilham da idéia que a Maçonaria não deve agir diretamente junto a sociedade, mas sim exercer sua influência através dos Irmãos individualmente.

Dessa forma, se todos os Irmãos já entram para a Ordem como cidadãos livres e de bons costumes, não será a Maçonaria uma escola de moral, mas muito mais proficuamente um centro de irradiação de moral através de seus membros. Seria necessário antes de tudo orgulhar-nos de sermos uma sociedade cuja maioria absoluta é composta de homens livres e de bons costumes. Também nos orgulhamos de ser nossa Ordem uma escola de fraternidade, o que obedece ao mesmo raciocínio antes analisado. Se todos somos homens bons isso implica em que sejamos todos fraternos.

Na realidade muitas vezes não o somos, não que não o pretendamos, mas porque pouco nos exercitamos na pratica os nossos princípios de fraternidade maçônica.

Deixa-se de incentivar a convivência familiar, que é quase o único caminho para o despertar dos sentimentos fraternais pois que estabelecem uma ligação sentimental mais profunda entre os homens. Mas nossa convivência está muitas vezes infelizmente restrita ao recinto de nossas Lojas.

Exaltamos, outrossim, a Maçonaria como uma sociedade universalista, isto é, que abrigamos homens de todas as religiões e de todos os credos, e de todas as cores políticas e de todos os princípios filosóficos.

Será mesmo verdade que somos assim tão tolerantes? Nem sempre o parecemos ser. Para que o fossemos jamais deveríamos falar em Deus, em religião, em esoterismo, ou qualquer coisa que se assemelhe a isso.

Dizemos que somos uma escola de livre pensamento, e então perguntamos: quantas de nossas Lojas se dedicam verdadeiramente a pesquisar a verdade, ao desenvolvimento do livre pensamento? Os livres pensadores não passam em número de mero um por cento de toda a humanidade. Dentro da Maçonaria talvez esse percentual possa chegar a dez por cento dos membros ativos. Já é uma situação melhor do que a regra geral. Mas nossa meta deveria ser muito maior já que somos todos homens livres de pensamento por definição. Devemos concluir que há evidentemente muito mais Irmãos capazes de contribuir para a elevação de nosso nível cultural. A Maçonaria está esperando por isto!! Mantenhamo-nos dentre da realidade do que verdadeiramente somos.