Samaúma

 

 

 

 





O homem e a Educação

 

S E Frost Jr

 

Sócrates, Platão e Aristóteles Sócrates, Platão e Aristóteles

Por que criamos escolas e as mantemos? É objetivo fundamental da educação preparar cidadãos que obedeçam a um Estado totalitário ou formar homens livres numa democracia? Devem as escolas ser dominadas pela Igreja ou pelo Estado? Que deve ser ensinado em nossas escolas?

Ao pesquisaramos todo o curso do desenvolvimento do homem, desde os primeiros tempos até ao presente, e desde os modos de vida mais primitivos e simples até aos mais complexos, ficamos fortemente impressionados com o fato de sempre ter havido certo interesse pela educação, onde quer que os homens tenham vivido agrupados. À medida que o agrupamento se tornava mais complexo, aumentava esse interesse e criavam-se instituições encarregadas do ensino. Surgiram, assim, as escolas e desenvolveu-se o sistema educacional.

Tanto quanto sabemos, pelos poucos registros deixados, o sistema educacional dos primeiros homens foi muito simples. Grande parte da educação da criança provinha de suas relações com os pais e outros membros da família, da tribo, do clã ou de grupo maior. Aprendia a pescar e caçar, preparar alimentos, lutar contra os inimigos e cuidar das necessidades mais simples e elementares. Em resumo: aprendia a sobreviver no mundo em que se encontrava.

Com o tempo, porém, ao desenvolverem-se as tradições e costumes, deixaram de ser suficientes essas simples relações. A criança não podia aprender, por esse método, tudo que era necessário, disso resultando que os homens mais velhos, em certas fases da vida, tomaram a si a tarefa de instruir os jovens sobre as tradições, os costumes e os conhecimentos do grupo. Uma das fases mais importantes era a da puberdade, quando, para o grupo, a criança começava a tornar-se adulto. Realizavam-se ritos especiais. Se o jovem resistisse às provas que lhe impunham, contavam-lhe as coisas mais secretas do grupo, e ele, então, era aceito como membro, com todos os direitos. A educação, assim, tornou-se definitivamente uma preocupação do grupo.

Crescendo a complexidade da vida do grupo, certos membros cuidaram de familiarizar-se com as tradições e os costumes e dedicaram a maior parte do tempo ao ensino dos jovens. A princípio, o ensino era ministrado onde quer que o mestre e os alunos quisessem reunir-se. Tempos depois se estabeleceram lugares próprios para o ensino e o estudo, as primeiras escolas.

Muitas vezes, tais lugares eram também aqueles onde os membros do grupo se reuniam para fins religiosos, devido ao fato de a religião estar intimamente ligada às tradições, aos costumes, aos conhecimentos e modos de vida dos povos primitivos. Acreditava-se serem seus deuses que estabeleciam os costumes e as tradições. O culto e a observância de costumes e tradições achavam-se, portanto, tão estreitamente unidos que a educação era, em grande parte, de ordem religiosa e tudo o que se aprendia devia ter a sanção da religião. Conseqüentemente, era natural que os mestres fossem homens com poderes religiosos, e os locais de ensino também os destinados ao culto.

A história dos antigos hebreus revela claramente esse fato. Suas escolas funcionavam na sinagoga ou lugar para o culto religioso, sendo professores os rabinos. Embora a educação mais tarde, cuidasse de outros pontos além das simples questões religiosas, os guias da vida religiosa do povo continuaram a manter posição dominante no ensino dos jovens, e grande parte das matérias ensinadas era, direta ou indiretamente, de natureza religiosa.

Com o tempo, pensadores ou filósofos começaram a dedicar considerável atenção à educação. Procuravam saber o que se devia ensinar aos jovens e como fazê-lo. Meditaram sobre a relação da educação com a vida do grupo, sua importância e necessidade. Suscitaram-se questões sobre seus objetivos e métodos de ensino, e sobre o que devia ser ensinado. Tornou-se, assim, questão importante para os filósofos.

Era lógico e necessário tal desenvolvimento. Se um filósofo julgava verdadeiro certo ponto, logo indagava como ensiná-lo aos outros, a fim de acreditarem verdadeiro. Todo filósofo, quando desenvolvia sua filosofia, via-se frente ao problema de como fazer com que os outros a aceitassem como verdadeira. A resposta era sempre esta. "Através do ensino".