| Irm
Ambrósio Peters ( * )
Recentemente
foi noticiado um diálogo entre os bispos alemães e os grão-mestres
da Maçonaria alemã. Essa notícia de início já encerra um equívoco.
Não há uma Maçonaria alemã, pois não há maçonarias nacionais. Há
apenas a Maçonaria na Alemanha. A Maçonaria não tem nacionalidade.
Em segundo lugar, esses grão-mestres somente poderiam ter falado
em nome de seus respectivos Grão-Mestrados, se autorizados, ou então
por si próprio, se não autorizados, e jamais em nome da Maçonaria.
Tudo o que disseram terá sido apenas sua opinião pessoal e não opinião
oficial da Maçonaria. Após esse aparente diálogo teriam os bispos
da Alemanha concluído que a Maçonaria prega uma definição de Deus
difusa e indefinida, que comprovaria a sua incompatibilidade com
a religião. A conclusão é completamente equivocada.
Esse sistema administrativo evita que eventuais elementos mal intencionados
se infiltrem nas lojas maçônicas e tentem modificar a Maçonaria.
Na eventualidade de algum elemento desses conseguir agir dentro
de uma loja e chegar ao seu intento, sua ação ficará restrita ao
âmbito dessa loja. Por exemplo, uma tentativa de cristianizar a
Maçonaria somente teria êxito se essa cristianização fosse feita
de loja em loja e repetida sempre que houvesse mudança no corpo
administrativo. Isso também torna incongruente querer acusar de
anticlericalismo a Maçonaria em geral porque alguma loja em particular
entrou em litígio com autoridades aclesiáticas. É portanto incorreto
querer condenar ou excomungar todos os maçons da face da Terra porque
alguma loja se pronunciou anticatólica. A primeira potência maçônica
a se fundar, no ano de 1717, foi a Grande Loja de Londres (não da
Inglaterra), com jurisdição sobre Londres, Westminster e arredores.
Esta grande loja contribuiu para a formação da Grande Loja Unida
da Inglaterra no ano de 1813. É importante observar que em 1717
nasceu a organização da Maçonaria Moderna em potências administrativas.
Se havia lojas para formar uma potência é forçoso concluir que já
existiam lojas maçônicas modernas anteriormente àquele ano. Portanto
1717 não é ano do surgimento da Maçonaria Moderna. Quando a Maçonaria
começou a se desenvolver de forma mais organizada, no início do
século XVIII, os contingentes militares ingleses que se deslocavam
para as colônias do reino Unido (Américas, Índia, Nova Zelândia
a Austrália) levaram consigo os ideais maçônicos. Nessas colônias
fundaram também grandes lojas com a autorização e a supervisão da
Grande Loja de Londres, que decidia sobre a sua regularidade ou
não.
Essa circunstância levou a posterior Grande Loja Unida da Inglaterra
a se autojulgar o arbitro da regularidade de todas as potências
maçônicas, mesmo daquelas fundadas fora do Reino Unido, quando na
verdade a sua jurisdição nunca foi além dos limites da Inglaterra.
Suas decisões quanto ao reconhecimento ou não da regularidade de
potências só têm tido afeitos práticos dentro dos limites de sua
própria jurisdição.
A Grande Loja de Londres tem o privilégio de ter sido a primeira
potência maçônica a ser criada formalmente, mas essa primazia não
lhe confere autoridade sobre nenhuma outra potência. Ela é a Potência
Primaz, não a Potência-Mãe das potências. Esta primazia não a institui
como um poder maçônico superior, como por vezes os não-maçons poderiam
pensar. É conclusão lógica que a Constituição de 1723 é a Constituição
da Grande Loja de Londres, e não a Constituição da maçonaria Universal.
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