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Do Irm Ambrósio Peters ( * )
Extraído do trabalho "O NOSSO AMANHÃ"
CURITIBA, quarta-feira, 5 de julho de 1995
Normalmente não se deveria passar por uma sessão ou assembléia em loja sem que os Irmãos saíssem com sua bagagem cultural acrescida de alguma saber a mais. Mas isso só raramente acontece.
As sessões ditas econômicas, este nome de per si parece um anacronismo porque transmite a idéia de discussão de assuntos financeiros, habitualmente se desenvolvem em torno da discussão de problemas administrativos que estariam muito melhor postos em reuniões de Administração, fora dos horários normais das sessões regulares. Discutem-se em Loja por vezes coisas tão corriqueiras que mencioná-las só ajudaria ainda mais a nos trazer deméritos perante terceiros.
Então para desenvolver um processo cultural seria necessário afastar de nossas assembléias em Loja todo e qualquer problema administrativo, como programação de eventos, discussão de mensalidades e anuidades. ou quejandos.
Esses assuntos deveriam ser resolvidos pela Administração, que tem os devidos poderes para isso, e as decisões simplesmente comunicadas aos Irmão em Loja. É impensável que uma boa e competente administração pretenda todas as suas decisões submetidas a um plenário. É como se nossos congressistas tivessem que recorrer a um plebiscito toda vez que lhes fosse necessário decidir e votar sobre leis e decretos. Eles foram eleitos para representar o povo nessas decisões, assim como o foi a Administração de uma Loja.
Qualquer objeção seria apresentada ao Venerável Mestre por escrito através do S PP e II cabendo ao Venerável Mestre a solução. Assuntos muito polêmicos e de pouca importância são justamente os que tomam uma tempo demasiado e tornam uma reunião fastidiosa e são prejudiciais a tomada de qualquer atividade cultural. Os temas corriqueiros são exatamente os que provocam maior discussão porque são poucos os conhecimentos que se exige dos Irmãos para participar.
Cada Loja a cada reunião alternada, ou pelo menos uma vez a cada mês, deveria promover a apresentação de teses e palestras por Irmãos de outras Lojas ou outros Orientes, com ampla abertura de diálogo, teses não somente versando sobre temas maçônicos, ou paramaçônicos, mas também sobre temas de ordem geral da Filosofia e da Ciência profanas.
Não se pode seriamente querer promover um trabalho de crescimento cultural apresentando apenas trabalhos sobre o simbolismo do compasso, do triângulo ou de outros símbolos nossos de cada dia, primeiro porque são temas já debatidos à exaustão, e depois porque os simbolismos são dados culturais aleatórios já amplamente conhecidos.
É urgente restabelecer essa meta cultural e com prioridade absoluta, para que não continuemos pisando num vazio que pode levar a mediocridade. Assim contando com Irmãos esclarecidos e cultos poderemos retomar a nossa ação na sociedade e justificar plenamente a nossa existência. A ação cultural e social que se espera dos Irmãos, seria assim encetada pessoalmente com resultado de aprendizados hauridos em nossas Lojas.
Levar conscientemente de volta para a sociedade o exemplo moral de homens probos e cultos dignificaria a nossa Maçonaria. Essa deveria ser a nossa meta básica, e a justificação plena de nossa existência e de nossas reuniões habituais, mas que somente se alcançará com critérios rígidos de seleção de candidatos
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