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Do Irm Ambrósio Peters
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* )
Sabe-se com certeza da presença de um embrião
de rito religioso em todos os atos sociais medievais, pois sempre
iniciavam com uma oração invocando a Santíssima
Trindade, a Virgem Maria e um Santo Padroeiro. esse hábito
se tornou tão tradicional que ainda estava presente em nossa
sociedade há menos de cinqüenta anos, quando nenhum
ato público se iniciava sem ser precedido de uma oração.
É óbvia a conclusão de que
todas as organizações medievais - as guildas em especial
- seguiam esse costume, e é esta a razão de os manuscritos
do grupo dos Antigos Deveres sempre iniciarem com um preâmbulo
contendo uma invocação nesse estilo. Em todas as grandes
religiões o ritual é tão necessário
quanto a própria crença, que muitas vezes é
gerada por ele.( 1 )
Além disso todas as guildas medievais desde
o século X tinham também por hábito representar
aos domingos e dias festivos seus mistérios,( 2 ) isto é,
peças teatrais cujos temas podiam ser passagens bíblicas,
vidas de santos, histórias de milagres e outros temas ligados
à religião. Essas representações inicialmente
eram feitas no interior das igrejas. Posteriormente, com o crescimento
da população e certamente por perturbarem o clima
místico do interior dos templos, passaram a se realizar ao
ar livre, nas praças públicas em frente às
igrejas, a exemplo dos mistérios gregos, que eram representados
em anfiteatros a céu aberto.
Cumpre esclarecer que "mistérios",
tanto para os gregos como para os medievas, nada tinham a ver com
segredos ou cerimônias iniciáticas misteriosas. Mistérios
eram simplesmente peças teatrais que identificavam cada grupo
ou cada associação popular. Cada guilda tinha o seu
mistério próprio.
Possivelmente a Lenda de Hiram tenha derivado
de um desses mistérios, próprios das guildas dos maçons.
Essa definição de mistério é utilizada
ainda hoje na reza católica do rosário, com seus mistérios
gozosos, dolorosos e gloriosos, que na verdade recitam em seus respectivos
itens três diferentes fases da vida de Jesus.
Essas representações de mistérios
de tão repetidas caíram no desinteresse público
e passaram para o interior das lojas e se constituíram em
ritualismos secretos. Assim, o que era apenas um "mistério"
passou a ser algo misterioso, segredo.
As orações em loja ainda eram um
hábito na época da fundação da Grande
Loja de Londres, em 1717. Isto é confirmado pela Grande Loja
dos Antigos, fundada em oposição à Grande Loja
de Londres, acusada de abolir as orações nas lojas
e desprezar e abandonar os "antigos costumes".
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