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Irm Ambrósio Peters (
* )
Há a respeito desta assembléia três
questões que merecem ser esclarecidas: quem foi convocado,
quando se realizou e onde se realizou.
Para saber quem foi convocado para o Grande Congresso
de Maçons leiamos o Manuscrito Régio:
"Por causa de diversas falhas que numa guilda
ele achou
Ele enviou para todas as partes naquela Terra
À Procura de todos os maçons da guilda
Para virem a ele todos em ordem
Para corrigir estes erros todos
Com bons conselhos, e se pudesse ser,
Uma assembléia poderia ser constituída,
Entre as diversas autoridades em seus estados,
Duques, condes, e barões também
Cavaleiros, escudeiros, e muitos mais". Portanto não foram convocados maçons
de todo a Europa, mas unicamente daquela terra, que interpretamos
como sendo a Nortúmbria, cuja capital era York, embora possa
também ser o reino da Inglaterra. Todavia não se pode simplesmente descartar
a validade de alguns manuscritos que dizem terem sido convocados
os maçons de toda a Terra. Vimos como Athelstan promovia
intensos contatos diplomáticos com todas as cortes européias
e em algumas ocasiões chegou a usar as suas irmãs
como trunfo de negociação, casando-as com reis e príncipes
para formar a consolidar alianças.
Athelstan já se tornara um rei muito respeitado
na Europa e não é um contra-senso supor que tenha
mandado convites formais também para os maçons do
continente, sempre de rei para rei, pois as tradições
mandavam que se respeitassem as posições sociais da
aristocracia. O que não se sabe é se os convites foram
correspondidos ou não. O Manuscrito Régio nos fala
somente de York, ou da Inglaterra.
Por outra parte também não se conhecem registros de
que haveria guildas de maçons organizadas no continente antes
do século XI.
Dizem alguns manuscritos que se apresentaram na assembléia
regulamentos em inglês, em francês e em grego, o que
não quer necessariamente dizer que tivessem sido trazidos
por maçons vindos da França e da Grécia ou
de outros países do continente. Não se tem conhecimento
de que o inglês arcaico, então falado na Inglaterra,
fosse corrente em qualquer outro país, e por isso os documentos
em inglês devem ter vindo da própria Inglaterra.
Quanto ao grego, era idioma dominado pelas pessoas
cultas de toda e Europa Ocidental e Europa Oriental, mas parece
improvável aceitar que alguém redigisse nesse idioma
de difícil compreensão um regulamento destinado a
trabalhadores braçais, ainda que dotados de alguma cultura.
Quanto ao francês, de onde viriam os regulamentos nessa língua
se na Europa continental do século X não havia guildas
organizadas em moldes tão avançados?
Os regulamentos em francês ou grego citados
nos relatos sobre a Grande Assembléia provavelmente vieram
do acervo da biblioteca do próprio Rei Athelstan, pois nos
diz a história que os primeiros reis ingleses eram todos
muitos cultos. Contudo é bom lembrar que no século
X o francês antigo apenas estava começando a se formar,
sendo improvável que já se escrevessem regulamentos
nesse idioma.
Parece-nos lógico concluir que na Grande
Assembléia estavam presentes somente ingleses súditos
de Athelstan e isso, por si mesmo deve ter sido uma terefa quase
sobre humana numa época de transportes difíceis e
lentos. Ainda segundo o Manuscrito Régio não foram
convocados somente os maçons, mas também todas as
autoridades.
Em que ano poderia ter acontecido a Grande Assemléia
de Maçons presidida pelo Príncipe Edwin, sob autorização
do rei Athelstan? O Manuscrito de Coke e o G.L.-I dizem que em 926.
Já o escritor maçônico Henry Wilson Coil estima
que o exato seja o ano de 932. Nós estamos com o escritor
Coil. (1) Anderson, na primeira edição do Livro das
Constituições, de 1723, em uma nota marginal do texto
parece indicar uma data posterior a 930
( 2 ).
York foi anexada ao reino da Inglaterra por Athelstan
em julho de 927, mas ainda sofreu oposição militar
por parte dos dinamarqueses até o final desse ano. No ano
de 926 houve um tratado com o Rei Sithric, de York, e em sinal de
paz Athelstan lhe ofereceu sua irmã em casamento. A anexação
definitiva se deu pela força em 927, depois da morte do Rei
Sithric.
Portanto, se quisermos ligar o Príncipe
Edwin à Grande Assembléia e a York, devemos situá-la
depois de 927 e antes de 933, ano em que ele foi mandado à
morte por afogamento.
Se isso estiver correto, e pensamos que o seja,
Edwin assumiu uma posição importante no reino por
causa do seu êxito com a realização da Grande
Assembléia, fato que suscitou inveja entre os nobres da corte
a ponto de estes tentarem afastá-los, levantando a suspeita
de traição. Devemos situar o ano da Grande Assembléia
em um tempo próximo e anterior à sua execução,
ou seja, no ano de 932.
Tentemos uma possível justificação
para a divergência entre as datas 926 e 932. Na Idade Média
ainda estava em vigor o calendário juliano, implantado no
Império Romano no ano de 46 a.C., pelo Imperador Júlio
César, e baseado num antigo calendário egípcio
ainda mais imperfeito. Nem sempre era esse calendário aplicado
uniformemente em todas as regiões. Essa circunstância
provocou divergências de região para região
na contagem dos anos. A correção foi feita quando,
em 1582, o Papa Gregório XIII introduziu o calendário
gregoriano.
O historiador Mário Curtis Giordani ( 3
), ao relatar com muitas minúcias a história do Rei
Athelstan, nos dá conta de que ele, aproveitando-se de discórdias
internas entre os normandos de Nortúmbria ( 4 ) anexou York
em 926/927 aproximadamente. A Chamber's Encyclopédia também
confirma o ano de 926 como o da anexação da Nortúmbria.
Para dirimir dúvidas que podem causar confusões
a respeito da anexação de York, observamos que, no
reinado de Edmundo, os viquingues retomaram York em 940, porém
o mesmo rei a retomou no ano de 944. Os invasores continuaram na
região e foram definitivamente expulsos, pelo Rei Edredo,
somente em 954.
Onde se teria realizado a Assembléia? Todas
as tradições maçônicas e todos os manuscritos
do grupo Antigos Deveres que tratam do assunto apontam em direção
a York, e a lógica também leva a York.
Vejamos porque.
Os reinos de Wessex e da Mércia, inclusive
alguns reinos limítrofes de menor importância, estavam
sob o domínio dos reis Alfredo e Eduardo desde 871. Estes
dois reis, tanto quanto Athelstan o seria, são conhecidos
na história da Inglaterra como monarcas cultos, organizadores
e hábeis legisladores.
Conhecendo suas características reais não
é admissível supor que permitissem alguma desorganização
nos seus territórios depois de mais de cinqüenta anos
de domínio.
Portanto os problemas de que fala o Manuscrito
Régio devem ter surgido em um território anexado logo
após a coroação de Athelstan em setembro de
925, mas antes da morte do Príncipe Edwin, em 933. E só
há um território nessas condições, a
Nortúmbria com sua capital York. Quando Athelstan derrotou
os dinamarqueses e tomou posse desta cidade ele mandou destruir
todas as fortalezas dinamarquesas.
Athelstan anexou outro território importante
ao reino da Inglaterra, o reino da Escócia, mas essa anexação
ocorreu definitivamente apenas no ano de 937, decorridos já
quatro anos desde a morte de Edwin.
Não encontramos evidências históricas
claras da realização da Grande Assembléia em
York no ano de 932. Contudo todos os indícios a que nos referimos
são bastante claros para que simplesmente o neguemos.
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