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( * ) Irm Ambrósio Peters.
A R L S "Os Templários"
GOB/Paraná
Or de Curitiba - PR.
Escritor, Historiador Filosofo e Livre Pensador.

Extraído do Livro
Maçonaria História e Filosofia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

( 1 ) In S.T.B N° 9, Vol 71, 1997.

( 2 ) Constituições de Anderson, GOB. pg 32.

.

 

 

 

 

 

 

 



 

 

( 3 )Giordani, Mário C. O Mundo Feudal, Vol I. pgs 188/189.

( 4 )Idem. idem. pg 189.

 

 

A Grande Assembléia

 

Irm Ambrósio Peters ( * )


Há a respeito desta assembléia três questões que merecem ser esclarecidas: quem foi convocado, quando se realizou e onde se realizou.

Para saber quem foi convocado para o Grande Congresso de Maçons leiamos o Manuscrito Régio:

"Por causa de diversas falhas que numa guilda ele achou
Ele enviou para todas as partes naquela Terra
À Procura de todos os maçons da guilda
Para virem a ele todos em ordem
Para corrigir estes erros todos
Com bons conselhos, e se pudesse ser,
Uma assembléia poderia ser constituída,
Entre as diversas autoridades em seus estados,
Duques, condes, e barões também
Cavaleiros, escudeiros, e muitos mais".

Portanto não foram convocados maçons de todo a Europa, mas unicamente daquela terra, que interpretamos como sendo a Nortúmbria, cuja capital era York, embora possa também ser o reino da Inglaterra.

Todavia não se pode simplesmente descartar a validade de alguns manuscritos que dizem terem sido convocados os maçons de toda a Terra. Vimos como Athelstan promovia intensos contatos diplomáticos com todas as cortes européias e em algumas ocasiões chegou a usar as suas irmãs como trunfo de negociação, casando-as com reis e príncipes para formar a consolidar alianças.

Athelstan já se tornara um rei muito respeitado na Europa e não é um contra-senso supor que tenha mandado convites formais também para os maçons do continente, sempre de rei para rei, pois as tradições mandavam que se respeitassem as posições sociais da aristocracia. O que não se sabe é se os convites foram correspondidos ou não. O Manuscrito Régio nos fala somente de York, ou da Inglaterra.
Por outra parte também não se conhecem registros de que haveria guildas de maçons organizadas no continente antes do século XI.

Dizem alguns manuscritos que se apresentaram na assembléia regulamentos em inglês, em francês e em grego, o que não quer necessariamente dizer que tivessem sido trazidos por maçons vindos da França e da Grécia ou de outros países do continente. Não se tem conhecimento de que o inglês arcaico, então falado na Inglaterra, fosse corrente em qualquer outro país, e por isso os documentos em inglês devem ter vindo da própria Inglaterra.

Quanto ao grego, era idioma dominado pelas pessoas cultas de toda e Europa Ocidental e Europa Oriental, mas parece improvável aceitar que alguém redigisse nesse idioma de difícil compreensão um regulamento destinado a trabalhadores braçais, ainda que dotados de alguma cultura. Quanto ao francês, de onde viriam os regulamentos nessa língua se na Europa continental do século X não havia guildas organizadas em moldes tão avançados?

Os regulamentos em francês ou grego citados nos relatos sobre a Grande Assembléia provavelmente vieram do acervo da biblioteca do próprio Rei Athelstan, pois nos diz a história que os primeiros reis ingleses eram todos muitos cultos. Contudo é bom lembrar que no século X o francês antigo apenas estava começando a se formar, sendo improvável que já se escrevessem regulamentos nesse idioma.

Parece-nos lógico concluir que na Grande Assembléia estavam presentes somente ingleses súditos de Athelstan e isso, por si mesmo deve ter sido uma terefa quase sobre humana numa época de transportes difíceis e lentos. Ainda segundo o Manuscrito Régio não foram convocados somente os maçons, mas também todas as autoridades.

Em que ano poderia ter acontecido a Grande Assemléia de Maçons presidida pelo Príncipe Edwin, sob autorização do rei Athelstan? O Manuscrito de Coke e o G.L.-I dizem que em 926. Já o escritor maçônico Henry Wilson Coil estima que o exato seja o ano de 932. Nós estamos com o escritor Coil. (1) Anderson, na primeira edição do Livro das Constituições, de 1723, em uma nota marginal do texto parece indicar uma data posterior a 930
( 2 ).

York foi anexada ao reino da Inglaterra por Athelstan em julho de 927, mas ainda sofreu oposição militar por parte dos dinamarqueses até o final desse ano. No ano de 926 houve um tratado com o Rei Sithric, de York, e em sinal de paz Athelstan lhe ofereceu sua irmã em casamento. A anexação definitiva se deu pela força em 927, depois da morte do Rei Sithric.

Portanto, se quisermos ligar o Príncipe Edwin à Grande Assembléia e a York, devemos situá-la depois de 927 e antes de 933, ano em que ele foi mandado à morte por afogamento.

Se isso estiver correto, e pensamos que o seja, Edwin assumiu uma posição importante no reino por causa do seu êxito com a realização da Grande Assembléia, fato que suscitou inveja entre os nobres da corte a ponto de estes tentarem afastá-los, levantando a suspeita de traição. Devemos situar o ano da Grande Assembléia em um tempo próximo e anterior à sua execução, ou seja, no ano de 932.

Tentemos uma possível justificação para a divergência entre as datas 926 e 932. Na Idade Média ainda estava em vigor o calendário juliano, implantado no Império Romano no ano de 46 a.C., pelo Imperador Júlio César, e baseado num antigo calendário egípcio ainda mais imperfeito. Nem sempre era esse calendário aplicado uniformemente em todas as regiões. Essa circunstância provocou divergências de região para região na contagem dos anos. A correção foi feita quando, em 1582, o Papa Gregório XIII introduziu o calendário gregoriano.

O historiador Mário Curtis Giordani ( 3 ), ao relatar com muitas minúcias a história do Rei Athelstan, nos dá conta de que ele, aproveitando-se de discórdias internas entre os normandos de Nortúmbria ( 4 ) anexou York em 926/927 aproximadamente. A Chamber's Encyclopédia também confirma o ano de 926 como o da anexação da Nortúmbria.

Para dirimir dúvidas que podem causar confusões a respeito da anexação de York, observamos que, no reinado de Edmundo, os viquingues retomaram York em 940, porém o mesmo rei a retomou no ano de 944. Os invasores continuaram na região e foram definitivamente expulsos, pelo Rei Edredo, somente em 954.

Onde se teria realizado a Assembléia? Todas as tradições maçônicas e todos os manuscritos do grupo Antigos Deveres que tratam do assunto apontam em direção a York, e a lógica também leva a York.

Vejamos porque.

Os reinos de Wessex e da Mércia, inclusive alguns reinos limítrofes de menor importância, estavam sob o domínio dos reis Alfredo e Eduardo desde 871. Estes dois reis, tanto quanto Athelstan o seria, são conhecidos na história da Inglaterra como monarcas cultos, organizadores e hábeis legisladores.

Conhecendo suas características reais não é admissível supor que permitissem alguma desorganização nos seus territórios depois de mais de cinqüenta anos de domínio.

Portanto os problemas de que fala o Manuscrito Régio devem ter surgido em um território anexado logo após a coroação de Athelstan em setembro de 925, mas antes da morte do Príncipe Edwin, em 933. E só há um território nessas condições, a Nortúmbria com sua capital York. Quando Athelstan derrotou os dinamarqueses e tomou posse desta cidade ele mandou destruir todas as fortalezas dinamarquesas.

Athelstan anexou outro território importante ao reino da Inglaterra, o reino da Escócia, mas essa anexação ocorreu definitivamente apenas no ano de 937, decorridos já quatro anos desde a morte de Edwin.

Não encontramos evidências históricas claras da realização da Grande Assembléia em York no ano de 932. Contudo todos os indícios a que nos referimos são bastante claros para que simplesmente o neguemos.