PORTAL MAÇÔNICO

 

 





( * ) Irm Ambrósio Peters.
A R L S "Os Templários"
GOB/Paraná
Or de Curitiba - PR.
Escritor, Historiador Filosofo e Livre Pensador.

Extraído do Livro
Maçonaria História e Filosofia

 

14 Durant, Will. Idade da Fé. pg 562.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




15 Durant, Will. Idade da Fé. pg 563

 

16 Giordani, M. C. 0 Afundo Feudal. Vol I, pg. 562.

 

 

 

 

 

 

17 Aston, S. C. A Worthy Kynge in England Callyd Athelstone. pg 62.

 

 

 

 

 

18 Traduqao: Regulamentos da Cidade de Londres. Vemos o antigo nome romano "Londinium" escrito "Lundonium" (Lundoniae = de Lundonium), ja tomando a forma atual "London". Fonte: Encyclopedia Britannica, verbeteAthelstan

19 Aslan, N. A A1agonaria Operativa. pg 54.

 

 

 

 

 

 

 

 

As Guildas dos Maçons

Do Irm Ambrósio Peters ( * )

Havia guildas de maçons na época do rei Athelstan?

Estamos certos que sim.

Este rei - a Historia o confirma amplamente - foi um grande legislador, um competente e organizado administrador, um exímio general e também um incentivador da cultura. Suas leis e atos administrativos atingiam todos os setores da sociedade. Legislou para todos os cidadãos, civis, militares e eclesiásticos e organizou os serviços públicos modelarmente.

Parece lógico concluir que não poderia deixar de ter organizado, em associações especificas, os numerosos talhadores de pedra do seu reino, os maçons, colocando-as sob o controle de uma organização central superior, ou seja, uma grande loja na expressão maçônica dos dias atuais. Seriam essas as guildas dos maçons de que fala tão claramente o Manuscrito Régio?

Para confirmar que as guildas já não eram novidade no inicio do século X, vejamos o que nos diz o grande historiador Will Durant (14) quando fala da sua destruição apos a queda do Império Romano do Ocidente: "Ao norte dos Alpes a destruição dos antigos collegia foi presumivelmente mais completa do que na Itália. Não obstante, encontramo-los mencionados nas leis de Dagoberto (634), nas capitulares de Carlos Magno (779-789) e nas ordenanças do arcebispo Hincmar, e Reims, (852)."

A Encyclopédia Britannica confirma essas informações, acresce outras mais detalhadas e diz que as guildas se desenvolveram em todos os paises da Europa, mas que as primeiras noticias confirmadas nos vem da Inglaterra, onde surgiram a partir do século IX, e que são
muito claras na segunda metade desse século, isto é, no reinado de Alfredo, o Grande.

Que guildas eram essas de que falam historiadores e enciclopédias? De benemerência, de maçons, de ofícios e artes ou de mercadores?

Certamente nao se trata das guildas de mercadores, pois estas urgiram na Inglaterra somente apos a chegada dos normandos no século XI (1066). Estas guildas resultaram do rapido crescimento as atividades industriais e comerciais, que modificaram as relagoes
ercantis sob o dominio dos novos conquistadores.

Também nao se trata de guildas de artes e oficios, pois de um modo geral estas resultaram também do desenvolvimento do comércio e da industria. Ademais, todas as fontes consultadas säo unanimes em informar que as guildas de artes e oficios surgiram depois do século XI, ao lado das guildas de mercadores.

Por exclusao, a unica classe de trabalhadores com maior expressão na Inglaterra de Athelstan e em condigoes sociais de formar guildas tao organizadas no inicio do século X era a dos talhadores de pedra, os magons.

Will Durant (15) cita, entre as muitas realizagöes administrativas de ordem interna de Alfredo, uma que reputamos muito importante por dizer respeito ao tema de que nos ocupamos: "Construiu ou reconstruiu cidades e vilas e erigiu pavilhöes reais e ccimaras com pedra e madeira para o seu crescente pessoal de governo."

Buscamos outro historiador renomado, Mario Curtis Giordani (16), que também nos diz do rei Alfredo: "No terreno rnilitar devemos mencionar a reorganizagao do exército, a criagao de uma frota de guerra e a construgäo de fortificagoes. (...) "Mandou reerguer as velhas fortificagoes das cidades romanas, ..."
Estas citagoes coincidem com um excerto muito semelhante do Manuscrito Régio que fala de Athelstan:

"Ele construiu para ela
(a guilda dos maçons)
então sedes e abrigos
e altos templos de grande esplendor
Para alegra-lo dia e noite".

0 manuscrito Historias, de Layamonr e de Peter, e outras de autor desconhecido do final do século XI (17), nos informam que muitas guildas, tanto grandes como pequenas, foram iniciadas por Athelstan, e associam o rei com a construgao de igrejas no estilo saxonico e de pavilhoes para reunioes, assembléias etc.

Considerando que as construgöes eram de pedra talhada e madeira, deve ter havido uma intensa atividade de talhadores de pedra nos trabalhos de construgao em geral, como sedes de guildas, templos e fortificagöes ja durante o reinado de Alfredo, o Grande, atividade que evidentemente se estendeu, como veremos, aos reinados de seus sucessores imediatos, o filho Eduardo e o neto Athelstan.

Eram essas guildas regulamentadas?

Entre os muitos manuscritos que nos chegaram do reinado de Athelstan esta o Judicia Civitatis Lundonie (18), importante porque é uma fonte primaria que os historiadores nao costumam questionar. Esse é um conjunto de leis e regulamentos também referidos por Nicola Aslan ( 19 ) e dele transcrevemos esta citagäo: "Cada mes os membros da guilda reuniam-se num banquete no qual eram discutidos seus interesses comuns, a observacäo dos estatutos e outras questöes semelliantes. No caso da morte de um mernbro, cada associado devia oferecer um pedago de bom päo para a salvagao de sua alma e cantar cinquenta salmos no espago de um mes. Todos os participantes nao deviam se f'iliar a nenhuma outra eram obrigados a por em comum as suas afeigöes e os seus odios, a
vingar todo insulto feito a um de seus irmaos como se fora feito a todos."

Do inicio do século XII, quando o dominio normando mal completava meio século e sua influencia na industria e comércio ainda nao se fizera sentir totalmente, e portanto as guildas de oficios e artes e de mercadores estavam ainda no inicio de sua organizagao,
temos os estatutos das fraternidades de Cambridge, Abbotsbury e Exeter. Estes estatutos sao importantes porque formariam no futuro o padräo dos regulamentos das guildas de oficios do continente e, certamente, da futura Grande Loja de Londres.

A citagao de Aslan nao se refere as guildas de benemerencia que existiram desde os primeiros tempos do cristianismo, pois aquelas tinham como principal finalidade providenciar um enterro decente aos seus associados, e ampara-los na infelicidade ou na extrema penuria. A citagao nos fala de banquetes e da discussäo de assuntos de interesse comum, o que nao condiz com o modelo daquelas guildas, que eram de interesse geral das necessidades pessoais e nao de uma classe em especial com interesses pecuniarios.

Portanto havia guildas no reino da Inglaterra nos tempos daquele rei, e rnuitas, pequenas e grandes, a ponto de se proibir aos associados de se filiarem a mais de uma, o que supöe uma organizagäo com controles, o que leva necessariamente a regulamentos e regulamen-
tos exigem assembléias para serem aprovados.

Os membros se reuniam mensalmente num banquete, tinham estatutos, discutiam em conjunto os interesses comuns, eram solidarios, fraternos e leais por principio, acertavam em comum as suas divergencias. Eram tipicamente uma associagäo de classe, o embriao
de uma loja magonica especulativa atual.

Em se tratando de guildas da Idade Média e seus regulamentos, surgem imediatamente a nossa mente os manuscritos medievais.