Portal Maçônico

 

 





( * ) Irm Ambrósio Peters.
A R L S "Os Templários"
GOB/Paraná
Or de Curitiba - PR.
Escritor, Historiador Filosofo e Livre Pensador.

Extraído do Livro
Maçonaria História e Filosofia


Continuação
Antigos Deveres parte II

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

( 20 ) Em 1350 o francês fora oficialemente substituído na escolas da Inglaterra pelo inglês medieval que em 1362 se tornou língua Judiciária e em 1399 a do parlamento. O latim continuou a ser a ser p idioma oficial das universidades.

 

 

 

Os Antigos Deveres. - Parte I

 

 

Irm Ambrósio Peters ( * )


Há três séries ou grupos de documentos muito importantes para o estudo da história da Maçonaria. As crônicas anglo-saxônicas da época dos reis anglo-saxões e dinamarqueses, instituídas pelo Rei Alfredo (século IX e XI, e os manuscritos da época dos reis franceses normandos e angevinos. (séculos XI e XIV); e os manuscritos dos Antigos Deveres, que começaram no ano de 1389 com o Poema Régio.

As duas primeiras séries - as crônicas anglo-saxônicas e os manuscritos medievais que os seguiram - compõem-se de documentos existentes nos mosteiros e nas bibliotecas e arquivos públicos ingleses. Em conjunto com as antigas baladas e canções dos menestréis e jograis formam a base para o estudo da história do Reino Unida da Inglaterra. São também a fonte confiável para o estudo da história da Maçonaria Operativa.

O terceiro grupo, o dos Antigos Deveres, é também conhecido como as Antigas Constituições Góticas, ou os Manuscritos das Antigas Constituições, ou as Constituições Góticas. Segundo uma teoria geralmente aceita, todos os manuscritos pertencentes ao grupo são cópias de um único original, o Manuscrito Régio, também conhecido como o Poema Régio ou Manuscrito de Haliwell, teoria que nos parece merecer algumas considerações.

Chegaram até nós 119 desses manuscritos, havendo referências a mais outros 15, que foram perdidos. Cerca de 75 são anteriores a 1717 e destes 55 são anteriores a 1700. Quatro foram escritos em torno de 1600, um é de 1589 (G.L.-I, ou Manuscrito de Lansdowne), um de 1400 ou 1410 (Manuscrito de Coke) e um de 1390 ou 1389 (o Poema Régio), sendo ou outros de data incerta. Mais de cinqüenta estão em Londres, treze na Escócia, três nos Estados Unidos, um no Canadá e um na Alemanha. Há algumas reproduções impressas, mas a maioria está escrita em folhas de papel e em pergaminhos com iluminuras ou não. Alguns manuscritos estão em folhas soltas, em outros as folhas presas e formam livros, e uma grande parte está em rolos ou enrolada sobre um suporte.

Estes manuscritos dos Antigos Deveres parece terem se incorporado às tradições maçônicas a partir do século XVI com o manuscrito G.L.-I. Há falta de dados históricos a respeito, mas já a partir do início do final do século XVII todas as lojas, tanto as operativas como as já especulativas, deviam possuir uma cópia, que era sempre lida obrigatoriamente nas sessões de iniciação e, habitualmente, como instrução nas sessões comuns.

Porque esses documentos são tão importantes para as tradições maçônicas?

Certamente devido ao seu conteúdo, um misto de religião, história fantasiosa e regulamento. Obedecem a um padrão geral, embora nem todos contenham todos os itens que a seguir mencionaremos.
Segundo o escritor Wallace Mcleod começam sempre com uma oração, invocando a Santíssima Trindade, a Virgem Maria e o Santo Padroeiro da guilda, seguindo-se um rápido resumo das finalidades e do conteúdo do documento.

Este preâmbulo continua com uma explanação sobre as Sete Ciências ou Artes Liberais e a tradicional história fantástica da Geometria, ou da Maçonaria, ou da Arquitetura, o que tomava cerca da metade de todo o texto.

A história está quase sempre baseada em passagens bíblicas. Muito resumidamente ela inicia afirmando que a Arte de Construir foi inventada por Jabal antes do dilúvio de Noé e que a fundição de metais foi descoberta por seu irmão Tubal-Caim. Eles souberam que Deus iria a Terra por causa dos pecados e, para sua preservação, escreveram os fundamentos da Arte em duas estelas (colunas), que foram encontradas depois do dilúvio.

A história falando de Nemrod, da Torre de Babel e de Abraão que chegou ao Egito e lá ensinou a Arte e as ciências, tendo tido um famoso aluno chamado Euclides. Segue dizendo que o Rei Daví amava muito os maçons e como o Rei Salomão construiu o templo com a colaboração do Rei Hiram e de seu mestre construtor. Diz depois que um homem que trabalhou na construção do templo do Rei Salomão chegou à França e ensinou a Arte a Carlos Martel e que, logo a seguir, a Maçonaria chegou à Inglaterra. Finalmente, cerca do ano 930 o Príncipe Edwin convocou a Grande Assembléia de Maçons, em York, estabelecendo um regulamento, que foi retransmitido até nós.

Este relato não deve ser lido como História, pois há nele uma fusão de diversas tradições e um terrível desencontro de datas. Por exemplo, o templo do Rei Salomão foi construído cerca do século X a.C. e Carlos Martel foi rei de França no século VII d.C. Como poderiam trabalhadores do templo chegar à França, que ainda nem existia, e transmitir algo a Carlos Martel, que viveria quase 1700 anos depois?

É necessário considerar que no tempo em que os manuscritos foram redigidos a história da humanidade ainda não fora escrita nem era conhecida a ciência da Historiografia. O mais antigo dos manuscritos do grupo Antigos Deveres é o Manuscrito Régio, cujo original data provavelmente de 1389 (algumas fontes dizem 1390). Seu conteúdo se enquadra perfeitamente no esquema geral dos manuscritos do século XIV. A maior parte do seu texto é ocupada pelos Antigos Deveres e está em inglês medieval, ( 20) com o cabeçalho e todas as chamadas dos diversos capítulos e títulos ainda em latim clássico. As chamadas em latim e a forma poética com rimas qualificam o seu autor como uma pessoa de bom nível cultural para a época. Assim, mesmo que não seja do ano de 1389 (ou 1390), o manuscrito original não é anterior ao século XIV. A forma poética era de uso corrente na Idade Média.

Portanto, sendo o autor uma pessoa culta, certamente estava ligado a um mosteiro ou a uma universidade, como o estavam todas as pessoas daquele tempo. Tinha fácil acesso ao acervo cultural que via de regra se mantinha nesses institutos, inclusive aos registros das crônicas anglo-saxônicas e a toda a coleção de atos, regulamentos e leis do Rei Athelstan. Estas crônicas e estes documentos talvez sejam as mais importantes fontes de consulta para a história da Maçonaria, pois foram iniciadas por determinação do Rei Alfredo, o Grande.

Com possível relação com a origem do Manuscrito Régio e possivelmente com o Manuscrito Coke, encontramos na Encyclopédia Britannica esta anotação sob o verbete "Guilds": "Em 1388 o Parlamento ordenou a cada administrador de condado na Inglaterra que determinasse que os mestres e os vigilantes das guildas e das fraternidades remetessem ao Conselho do Rei, junto à Chancelaria, antes de 2 de fevereiro de 1389, informações completa sobre sua fundação, seus regulamentos e suas propriedades. Isto trouxe muita luz sobre o funcionamento das guildas. Seus regulamentos eram similares aos das acima mencionadas fraternidades anglo-saxônicas.

O conteúdo desses mencionados regimentos das fraternidades anglo-saxônicas, segundo a Chamber's Encyclopédia, eram a solidariedade, a fraternidade, o socorro mútuo, o auxílio funeral, o amparo às viúvas e assistência aos irmãos estrangeiros.

O Manuscrito Régio costuma ser datado de 1389, o mesmo ano marcado pelo Parlamento para a resposta sobre as fraternidades (2 de fevereiro de 1389). Essa incrível coincidência de datações não será certamente mero acaso e nos leva à fundamentada hipótese de que o documento é seguramente uma das respostas àquela ordem do Parlamento e não cópia de algum documento anterior, como por vezes se supõe. Todo o conteúdo do Manuscrito Régio se constitui de informações colhidas nos antigos manuscritos dos mosteiros e das universidades.

Da mesma forma o Manuscrito de Coke (cerca de 1410), sempre tido como cópia modificada do Manuscrito Régio, pode o não ser, mas sim cópia da resposta dada por outra guilda àquela ordem do Parlamento. Isto explicaria aceitavelmente o porquê de esse manuscrito trazer informações não contidas no Manuscrito Régio, como as atinentes a um filho de Athelstan.

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