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AMBRÓSIO PETERS * *
CURITIBA, quarta-feira, 5 de julho de 1995
A "Ilha dos Bretões", antes
que chegassem os romanos, no século II AC, esteve ocupada
por povos bárbaros, entre os quais os celtas e os bretões.
Depois dos romanos vieram os anglo-saxões, os dinamarqueses,
os viquingues e os normandos, em invasões sucessivas.
Os primeiros reis da Inglaterra pertenceram ao grupo étnico
dos anglo-saxões e constituíram a primeira dinastia
real inglesa conhecida como a Casa de Wessex. Esses anglo-saxões
eram um povo do noroeste da Germânia, que ocupou a ilha
a partir do século IV e nela se mantiveram até
a chegada dos normandos no século XI. Na busca de um
ponto de partida consultamos a Grolier Multimedia Encyclopédia
e encontramos, sob o verbete Kings and Queens of England, a
lista completa dos reis da Inglaterra. Os primeiros sete reis
anglo-saxões da Casa de Wessex são: Alfredo o
Grande (871-899); - Eduardo o Antigo (899-924), filho de Alfredo;
- Athelstan (924-939), Edmundo (939-946), e Edredo (946-955),
três filhos de Eduardo; -Edwy (955-959) e Edgar (959-975),
dois filhos de Edmundo.
Embora considerado oficialmente o primeiro rei da Inglaterra,
Alfredo, o Grande, foi na verdade apenas o primeiro soberano
a desenvolver atividades militares na defesa não só
dos seus reinos de Wessex e da Mércia, mas de todo o
solo da ilha contra os outros invasores, dando início
assim aum sentimento de nacionalidade e plantando as primeiras
sementes do futuro Reino Unido.
Alfredo, o Grande, nascido em 849 e falecido a 26 de outubro
de 899, sucedera seu irmão Aethelred como rei de Wessex
em abril de 871. Ambos, ele e seu irmão, eram filhos
do Rei Aethelwulf. Alfredo, o único rei inglês
denominado "O Grande", tornou-se famoso tanto por
sua habilidade como líder guerreiro como por seu amor
à cultura.
Amante das artes e da cultura, traduzir clássicos latinos
para o inglês, o que denota que já então
se falava e escrevia o inglês arcaico. Tinha a fama de
grande monarca não só na Inglaterra, mas em toda
a Europa, tanto que ficou historicamente conhecido como o "Carlos
Magno" inglês. Ele e Carlos Magno (742-814) são
apontados como os mais notáveis monarcas europeus do
século IX.
Mário Curtis Giordani ( 6 ) nos informa que o Rei Alfredo
mandou organizar um sistema oficial de registros, as crônicas
anglo-saxônicas, para perpetuar, ano a ano, todos os fatos
mais importantes do reino. Esse sistema de registros continuou
nos reinados de Eduardo e de Athelstan, que cumpriram reinados
tão eficientes quanto o pai e avô.
Alfredo teve cinco filhos: Athelflaed, casada com Ethelred,
governador da Mércia; - Eduardo, de que falaremos a seguir;
- Athelgifu, abadessa de Shaftesbury; - Aelfthrith casada com
o Rei Balduino II de Flandres; - e Athelweard, falecido em 920.
Eduardo, denominado "o Antigo", sucedeu ao seu pai
Alfredo como rei de Wessex em 899 ( ou 900). Nesse período
estava a Inglaterra ainda dividida em inúmeros pequenos
reinos independentes. Reinou de 899 a 924, e unificou a maior
parte da Inglaterra ao sul do Humber. Empenhou-se, em conjunto
com seu cunhado Ethelred, governador da Mércia, numa
série de campanhas vitoriosas contra os dinamarqueses.
Em 910 derrotou o exército dinamarquês. Com a morte
de Ethelred, em 911, sua mulher Aethelflaed, também filha
do rei Alfredo, assumiu o governo da Mércia como "Grande
Dama". Era uma mulher guerreira e continuou as campanhas
militares ao lado do irmão, comandando pessoalmente as
forças mercianas.
Em 918 o Rei Eduardo virtualmente destruiu o poder dinamarquês
na Ilha. Neste mesmo ano morreu Aethelflaed, e a Mércia
foi incorporada ao reino de Wessex. Em 920 recebeu Eduardo a
submissão do Rei Reagnald de York, e de outros pequenos
reinos da Nortúmbria, de Gales e da Escócia. Faleceu
em 17 de julho de 924, sendo sucedido imediatamente por seu
filho Aelfweard, que morreu duas semanas depois e não
chega a constar da lista oficial dos reis da Inglaterra, de
modo que oficialmente Eduardo foi sucedido por Athelstan.
Eduardo conviveu sucessivamente com três mulheres, a saber:
a) Egwinn, uma concubina, provavelmente de uma família
nobre da Mércia, que não chegou a ser rainha porque
morreu antes que Eduardo subisse ao trono. Com ela teve o filho
ATHELSTAN e também três filhas cujos nomes são
desconhecidos. Uma delas teve papel importante na anexação
de York, ao ser dada em casamento ao Rei Sithric; as outras
duas se tornaram religiosas e santas conhecidas apenas localmente.
b) Aelftlaed, 2a esposa, com a qual teve os filhos Aelfweard,
falecido em 924, duas semanas após a morte do pai; EDWIN,
condenado ao afogamento em 933; Eadgifu, casada com Carlos,
o Simples, rei dos Francos; Ealfhild, casada com Hugo, duque
dos francos; Edith, casada com Oto I, imperador dos Germanos;
e Ealfgifu, casada com um duque da região dos Alpes.
c) Eadgifu, 3a esposa, da qual teve o filho Edmundo, rei da
Inglaterra (939-945), e Eadred (Edredo) rei da Inglaterra (945-955),
sucessores de Athelstan: e Eadgifu, casada com Lewis, rei da
Burgúndia Superior.
Mencionamos os casamentos das meio-irmãs de Athelstan
porque este se valeu do expediente de oferecê-las em casamento
a príncipes e poderosos da Europa paa conseguir e firmar
alianças políticas.
Athelstan nasceu em 895, primeiro neto do Rei Alfredo, que o
tomou logo como protegido e aficialmente o declarou seu herdeiro.
Quando Alfredo faleceu em 899, sua educação foi
confiada a sua tia Aethelflaed, mulher de Ethelred, governador
da Mércia, companheira das campanhas militares do Rei
Eduardo. Como Grande Dama da Mércia manteve, até
sua morte em 918, Athelstan sob sua proteção e
educação.
Essa educação recebida de uma mulher forte e de
hábitos guerreiros certamente influenciou o caráter
de Athelstan, tornando-o também o vigoroso rei que mostrou
ser, levando a bom termo todas as suas campanhas militares de
unificação da Inglaterra. Passou toda sua juventude
no treino das armas, preparando-se para o trono.
Athelstan assumiu o trono de Wessex em 924 e logo foi aceito
também como rei da Mércia, em cuja corte havia
crescido. não houve aparentemente oposição
a ele na Mércia. Contudo em Wessex a sucessão
não parece ter sido tão tranqüila. Dizem
velhas histórias saxônicas que Eduardo teria sucedido
imediatamente após sua morte por seu filho Aelfweard
que se julgava com direito ao trono por ser filho da rainha.
Providencialmente veio a falecer duas semanas depois do pai,
a 1° de agosto de 924, em condições não
esclarecidas. O escritor medieval William Malmesbury (7) nos
diz que Elfredo (Aelfweard) negava a Athelstan o direito ao
trono por seu filho de concubina. Mas deve ter havido disputas
outras, possivelmente até conspirações,
pois Athelstan somente veio a ser coroado aficialmente rei da
Wessex no dia 4 de setembro de 925, em Kingston.
Athelstan estava firmemente determinado a unificar sob sua coroa
toda a ilha da Inglaterra, e continuar as campanhas de seu pai
e avô. Começou por estabelecer, em 30 de janeiro
de 926, uma aliança com Sithric, rei em York, na Nortúmbria,
dando-lhe uma de suas irmãs em casamento. Sithric faleceu
em 927 e logo o trono foi reclamado para Olaf, filho de Sithric,
pelos viquingues da Nortúmbria. O Rei Guthfrith, de Dublin,
da Irlanda, veio em seu auxílio. Athelstan os derrotou
e expulsou, anexando a Nortúmbria ao seu reino em 927.
A supremacia de Athelstan foi reconhecida em Penrith em 12 de
julho de 927, mas em seguida Guthfrith desfechou violento ataque
contra York. Athelstan o derrotou e destruiu as fortalezas dinamarquesas
da cidade de York. Portanto York foi submetida ao final de 927.
A seguir, durante três ou quatro anos, Athelstan se dedicou
a estabelecer alianças ou submeter todos os demais reis
dos pequenos estados ainda independentes. Estabeleceu um reconhecimento
de poder com a Escócia. E então pela primeira
vez na história toda a Inglaterra estava sob o comando
de um só rei.
Ao fim desse período, no ano de 933, o Príncipe
Edwin, seu irmão, foi condenado ao afogamento e executado
por ordem de Athelstan. Os motivos dessa execução
não parecem ter sido registrados pelas crônicas
anglo-saxônicas, pois apenas as tradições
os transmitiram. Retornaremos ao assunto.
Logo após a morte de Edwin, o Rei Athelstan moveu por
terra e por mar uma repentina, inexplicável e violenta
campanha militar contra o Rei Constantino da Escócia.
São desconhecidas as razões desta campanha iniciada
no ano de 934, pois Athelstan havia firmado a paz com aquele
rei no ano anterior. Teria algo a ver com a suspeita de traição
de Edwin. É uma questão que jamais será
esclarecida definitivamente.
Dinamarqueses, escoceses e noruegueses formaram uma grande e
poderosa coalizão militar para enfrentar as forças
inglesas. Esta coalizão foi derrotada na famosa Batalha
de Brunnanburh, no ano de 937, que é lembrada com orgulho
nas crônicas anglo-saxônicas, pois foi a batalha
que consolidou definitivamente toda a ilha da Inglaterra sob
um só rei, tornando-a um país no conceito europeu
de estado civilizado e cristão.
M.C. Giordani ( 8 ) faz uma observação importante
com respeito ao espírito organizador do Rei Athelstan:
"Na política interna lembremos as seguintes atividades:
1) reorganização administrativa, para adaptar
as instituições governamentais até então
existentes para o Wessex e a Mércia às novas dimensões
do reino;
2) promulgação de leis que visavam sobretudo a
manutenção da paz social interna;
3) desdobramento da organização eclesiástica
com o fim de difundir a civilização cristã".
Ao final do seu governo estabelecera alianças com os
países europeus casando suas irmãs com príncipes
e potentados das casas reais da Europa Ocidental. Manteve, inclusive,
relações de amizade com o rei escandinavo Harold
II (936 - 986), o que o fez trazer parte para sua corte o filho
deste, o Príncipe Haakon, que virtualmente adotou.
Athelstan morreu a 27 de outubro de 940.
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