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(*) Irm Ambrósio Peters.
Or de Curitiba - PR.
Escritor, Historiador Filosofo e Livre Pensador.

Extraído do Livro
Maçonaria História e Filosofia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(1)Aslan, Nicola. A Maçonaria Operatica . pgs 20, 54 e 123

 

(2) do Autor. O manuscrtito Régio e o Livro das Constituições. Ed A trolha, pg 117

 

 

 

 

 

 

 

Giordani, Mario Curtis - História do Mundo Feudal Vol I pág 118

 

 

(4) Mcleod, Wallace. The Old Charges. in The Colledte Prestonian Lectures Vol III pag 360
(5)Aston, SC A Worthy Kinge in Engladnd Callyd Athelstone (pesquisas sobre crônicas anglo-Saxônicas). pag 45 a 87

Os Maçons Operativos

 

De Ambrósio Peters (*)


Introdução

A história da Maçonaria deve ser estudada em dois períodos distintos: o dos maçons operativos, que se inicia no século X com o Rei Athelstan, e o dos maçons modernos, que começa oficialmente no início do século XVIII com a fundação da Grande Loja de Londres, mas resulta de um processo histórico ocorrido nos três séculos anteriores. Esses dois períodos se sobrepuseram, portanto, nos séculos XVI, XVII e XVIII, constituindo uma época intermediária de transformação conhecido entre os pesquisadores da Maçonaria como "Transição".

Os maçons operativos foram os mestres e os operários construtores da Idade Média, associados em guildas, os verdadeiros artistas que ergueram as majestosas catedrais românicas e góticas, os grandes castelos e as fortificações, verdadeiros monumentos arquitetônicos que ainda hoje podem ser admirados em tantas cidades da Europa.

As suas guildas medievais se comparam de certa forma aos sindicatos modernos, pois tinham como principal finalidade proteger os interesses da classe dos artistas construtores. Estes passaram a ser chamados de maçons operativos a partir da Idade Moderna, para serem distinguidos dos maçons modernos, também conhecidos como maçons especulativos.

Embora essas duas maçonarias sejam absolutamente distintas e diferentes em sua essência e em seus propósitos sociais, e uma não seja a sucessora direta da outra, o estudo de suas histórias deve ser feito em continuidade, porque a Maçonaria Especulativa preservou todas as tradições culturais da Maçonaria Operativa, como os deveres dos associados, os regulamentos, os rituais, os simbolismos e, principalmente, o sentimento de solidariedade e fraternidade. Por essa circunstância iniciamos o estudo da história da Maçonaria Moderna pelo estudo dos maçons operativos e de suas guildas.

Considerando-se que as primeiras notícias históricas da existência de guildas nos vêm da Inglaterra do século IX, é necessário que as pesquisas partam daquele século e centrem-se no estudo das guildas dos maçons (operários construtores) e nos primeiros reis da Inglaterra.

O primeiro nome a chamar a atenção dos escritores maçônicos foi o Rei Athelstan, que ganhou destaque nos meios literários maçônicos ao ser mencionado como fundador da Maçonaria nos manuscritos conhecidos na história como Old Charges [Antigos Deveres].

Pessoalmente, tomamos conhecimento da existência do Rei Athelstan através do Manuscrito Régio e também pelo livro A Maçonaria Operativa, do judicioso escritor maçônico Nicola Aslan(1), que por duas ou três vezes o citou superficialmente como um rei inglês de pouco interesse histórico, quase lendário.

Nos antigos manuscritos citados é mencionada pela primeira vez oficialmente, na história da Maçonaria, a Grande Assembléia de Maçons(2), ou seja, a conhecida Lenda de York.

Assim o nome de Athelstan despertou nossa curiosidade como personagem histórico, e isto nos levaria à pesquisa de um fascinante período da história, o mundo medieval das guildas dos profissionais talhadores da pedra, e à certeza de que já têm hoje mais de mil anos os nossos tradicionais Antigos Deveres, que foram a base para a elaboração do Regulamento Geral e dos Deveres de um Maçom, as partes mais importantes do Livro das Constituições da Grande Loja de Londres, oficializado em janeiro de 1723.

Dispondo de escassas e pouco informativas fontes maçônicas para nossas pesquisas sobre o Rei Athelstan, dirigimos nossa atenção para fontes não maçônicas e encontramos então amplas referências a seu respeito no Grolier Multimedia Encyclopedia, na Encyclopedia Britannica, na Chambers's Encyclopedia, na História do Mundo Feudal de Mário Curtis Giordani(3), e evidentemente as poderíamos encontrar em muitas outras fontes mais.

Tivemos assim através das enciclopédias Britannica e Chamber's também um primeiro contato com as crônicas anglo-saxônicas iniciadas ao final do século IX pelo Rei Alfredo. Já lamentávamos a impossibilidade de acesso a essas crônicas citadas como fontes primárias nas enciclopédias consultadas, quando inesperadamente nos chegou uma preciosa informação, através de dois trabalhos de autores ligados à Loja Quatuor Coronati, os Irmãos Wallace Mcleod(4) e S. C. Aston(5).

Essas fontes cruzadas, as maçônicas e as profanas, nos trouxeram no conjunto um cabedal de seguras informações históricas sobre essa figura ímpar que foi o Rei Athelstan e, de sobejo, também sobre a Lenda de York, o príncipe Edwin e a Grande Assembléia de Maçons, e isso confirmou nossa convicção de que não se pode escrever sobre história da Maçonaria sem recorrer também às fontes profanas.

Concluímos, ainda, que tanto as guildas de benemerência como as guildas dos maçons operativos merecem um estudo à parte das demais guildas de artes e ofícios e das guildas de mercadores da Idade Média. A partir daí nos convencemos de que a história de uma primeira regulamentação das guildas dos maçons no reinado de Athelstan, a que os manuscritos se referem, com muita definição, têm bases históricas seguras, ainda que a multissecular tradição maçônica possa ter-lhes acrescentado algumas fantasias.

Outra constatação que fizemos foi a de que os documentos mais antigos que se referem à Maçonaria não são os primeiros manuscritos dos Antigos Deveres, como por vezes se pretende, mas sim as crônicas anglo-saxônicas iniciadas no tempo do Rei Alfredo, avô de Athelstan, isto é, ao final do século IX. Não se pode no entanto deixar de considerar que foram esses manuscritos que introduziram nas tradições maçônicas a noção de sua antigüidade.

Essas considerações iniciais nos mostram uma profunda relação entre o surgimento da Maçonaria Operativa e o despertar do Reino Unido da Inglaterra ao final do Século IX e início do século X. Detenhamo-nos pois no estudo desse período histórico para melhor conhecer o Rei Athelstan.