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( * )Irm Ambrósio Peters.

Saudoso Irm Escritor, Historiador Filosofo e Livre Pensador. Viveu em Curitiba - PR.

Extraído do livro "ANTOLOGIA MAÇÔNICA"
do mesmo Autor

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Símbolo que antede


Amanhã


I - Ausência de uma definição precisa de Metas


II - Falta de envolvimento sério das Lojas


III - Abrandamento dos
critérios de seleção de candidatos.



V - Exaltação de ideais que não são atingidos

 

 

IV - Falta de uma análise competente.

 

 

Irm Ambrósio Peters. ( * )

Do que publicam as nossas Revistas


Que Anderson tenha escrito aquela sua infeliz história da Maçonaria, retrocedendo as suas origens até os mais primitivos povos da Antigüidade, pode até ser desculpado pois não era ainda nascida a historiografia, e conseqüentemente a crítica de textos históricos era desconhecida.

A arqueologia, o fundamental instrumento para confirmar a legitimidade dos compêndios de história antiga nem ainda era incipiente. Os hieróglifos egípcios constituíam ainda um profundo mistério. Tudo o que se dissesse a respeito podia ser aceito ou negado pois não havia como comprovar a sua legitimidade. Estão nesse contexto também os próprios livros bíblicos. Nem mesmo o desenvolvimento das ciências da historiografia e da arqueologia conseguiu expurgar de suas fantasias os livros de história ou os livros sagrados, que continuaram a ser impressos, propagados e lidos como se como se verdades históricas contivessem.

A Constituição de 1723 pode ser considerada uma ilha de bom senso naqueles tempos em que cada qual fantasiava os fatos a seu belo talante. e isto porque entre os fundadores daquela Grande Loja dominavam aqueles verdadeiros pensadores que já tinham aderido aos princípios do pensamento crítico, os deístas liderados por John TolandContinuamos a ver não poucos Irmãos comentarem os textos daquela Constituição deixando entrever por suas palavras a impressão de que nunca leram com atenção e muito menos analisaram e compreenderam aquele documento magno. Assim também os artigos que se publicam em nossos periódicos, são lidos sem que os leitores os analisem sob o ponto de vista de sua veracidade histórica, ou de sua palpabilidade teologico-filosófica. Os aprendizes e os companheiros para se desincumbirem mediocremente de sua tarefa de elaboração de trabalhos literários para poderem ser elevados ou exaltados, usam esses comentários irresponsáveis como base de suas dissertações, continuando a divulgar o que as vezes não é mais que uma historieta inconseqüente. Um exemplo clássico é o Templo de Salomão. O edifício do templo em si, sem considerar os átrios externos, era de reduzidas dimensões, e não maior do que um de nossos templos de tamanho médio. Sua grandiosidade material estava no seu revestimento de madeira coberta de ouro e na sua condição especial de morada terrena do Deus Supremo. e não em seu simbolismo místico. Ele era, isto sim, um símbolo da nacionalidade judaica. A sua comparação com os nossos templos maçônicos é lugar comum em muitos artigos. O Santo dos Santos, que muitos querem corresponder ao Oriente, na verdade esta no Ocidente do Templo de Salomão. Diz-se habitualmente que o assento do Venerável Mestre é uma réplica do Trono de Salomão, mas no Templo de Salomão não havia trono algum. e nem ali fisicamente caberia um trono de um rei. Outrossim Salomão, não sendo sacerdote, não tinha acesso ao Templo, onde somente entravam os sacerdotes oficiantes. A porta de entrada o Templo ficava voltada para o Oriente, e a porta de nossos templos está simbolicamente voltada para o ocidente já que o altar do Venerável-mestre fica no oriente. A posição do templo com a entrada voltada para o Oriente, como praticamente todos os templos da Antigüidade e muitos templos católicos da Idade Média, é uma reminiscência do antiqüíssimo culto ao sol. São abundantes também artigos que tentam definir a Maçonaria como um centro de esoterismo. Não consegui encontrar nenhuma ligação entre as nossas atividades em Loja e as definições maçônicas com o essa visão espiritualista. Os nossos rituais foram introduzidos nas nossas sessões meramente para ordenar os trabalhos, e numa imitação dos rituais das Igrejas. O que dentro de uma Loja pode levar a ver evidências esotéricas? não as encontramos. O legítimo Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo são sistemas religiosos bem definidos que nada tem a ver com esoterismo. Como então dizer esoterista uma Maçonaria que quer abrigar em seu seio pessoas de todas as religiões e de todos os credos? Se em nossos estatutos se diz que não se deve falar em religião nem em política, como podemos dizer que é esoterista nossa Ordem? Do mesmo modo e pelo mesmo raciocínio a maçonaria não pode ser nem religiosa, nem política, nem espiritualista e nem animista

São colocações de todo evidentes e contudo nossas revistas estão cheias de artigos que sob os mais diversos aspectos querem defender uma Maçonaria teísta, esotérica, católica, etc. etc. O estabelecimento de uma linha editorial mais definida seria imprescindível, para que nossos aprendizes não venham a pensar que tudo isto é a Maçonaria.