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Irm Ambrósio Peters. ( * )
Do que publicam
as nossas Revistas
Que
Anderson tenha escrito aquela sua infeliz história da Maçonaria,
retrocedendo as suas origens até os mais primitivos povos
da Antigüidade, pode até ser desculpado pois não
era ainda nascida a historiografia, e conseqüentemente a crítica
de textos históricos era desconhecida.
A
arqueologia, o fundamental instrumento para confirmar a legitimidade
dos compêndios de história antiga nem ainda era incipiente.
Os
hieróglifos egípcios constituíam ainda um profundo
mistério. Tudo o que se dissesse a respeito podia ser aceito
ou negado pois não havia como comprovar a sua legitimidade.
Estão nesse contexto também os próprios livros
bíblicos. Nem mesmo o desenvolvimento das ciências
da historiografia e da arqueologia conseguiu expurgar de suas fantasias
os livros de história ou os livros sagrados, que continuaram
a ser impressos, propagados e lidos como se como se verdades históricas
contivessem.
A
Constituição de 1723 pode ser considerada uma ilha
de bom senso naqueles tempos em que cada qual fantasiava os fatos
a seu belo talante. e isto porque entre os fundadores daquela Grande
Loja dominavam aqueles verdadeiros pensadores que já tinham
aderido aos princípios do pensamento crítico, os deístas
liderados por John TolandContinuamos
a ver não poucos Irmãos comentarem os textos daquela
Constituição deixando entrever por suas palavras a
impressão de que nunca leram com atenção e
muito menos analisaram e compreenderam aquele documento magno. Assim
também os artigos que se publicam em nossos periódicos,
são lidos sem que os leitores os analisem sob o ponto de
vista de sua veracidade histórica, ou de sua palpabilidade
teologico-filosófica. Os
aprendizes e os companheiros para se desincumbirem mediocremente
de sua tarefa de elaboração de trabalhos literários
para poderem ser elevados ou exaltados, usam esses comentários
irresponsáveis como base de suas dissertações,
continuando a divulgar o que as vezes não é mais que
uma historieta inconseqüente. Um
exemplo clássico é o Templo de Salomão. O edifício
do templo em si, sem considerar os átrios externos, era de
reduzidas dimensões, e não maior do que um de nossos
templos de tamanho médio. Sua grandiosidade material estava
no seu revestimento de madeira coberta de ouro e na sua condição
especial de morada terrena do Deus Supremo. e não em seu
simbolismo místico. Ele era, isto sim, um símbolo
da nacionalidade judaica. A
sua comparação com os nossos templos maçônicos
é lugar comum em muitos artigos. O Santo dos Santos, que
muitos querem corresponder ao Oriente, na verdade esta no Ocidente
do Templo de Salomão. Diz-se habitualmente que o assento
do Venerável Mestre é uma réplica do Trono
de Salomão, mas no Templo de Salomão não havia
trono algum. e nem ali fisicamente caberia um trono de um rei. Outrossim
Salomão, não sendo sacerdote, não tinha acesso
ao Templo, onde somente entravam os sacerdotes oficiantes. A porta
de entrada o Templo ficava voltada para o Oriente, e a porta de
nossos templos está simbolicamente voltada para o ocidente
já que o altar do Venerável-mestre fica no oriente.
A posição do templo com a entrada voltada para o Oriente,
como praticamente todos os templos da Antigüidade e muitos
templos católicos da Idade Média, é uma reminiscência
do antiqüíssimo culto ao sol. São
abundantes também artigos que tentam definir a Maçonaria
como um centro de esoterismo. Não consegui encontrar nenhuma
ligação entre as nossas atividades em Loja e as definições
maçônicas com o essa visão espiritualista. Os
nossos rituais foram introduzidos nas nossas sessões meramente
para ordenar os trabalhos, e numa imitação dos rituais
das Igrejas. O que dentro de uma Loja pode levar a ver evidências
esotéricas? não as encontramos. O legítimo
Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo são sistemas
religiosos bem definidos que nada tem a ver com esoterismo. Como
então dizer esoterista uma Maçonaria que quer abrigar
em seu seio pessoas de todas as religiões e de todos os credos?
Se em nossos estatutos se diz que não se deve falar em religião
nem em política, como podemos dizer que é esoterista
nossa Ordem? Do mesmo modo e pelo mesmo raciocínio a maçonaria
não pode ser nem religiosa, nem política, nem espiritualista
e nem animista
São
colocações de todo evidentes e contudo nossas revistas
estão cheias de artigos que sob os mais diversos aspectos
querem defender uma Maçonaria teísta, esotérica,
católica, etc. etc. O estabelecimento de uma linha editorial
mais definida seria imprescindível, para que nossos aprendizes
não venham a pensar que tudo isto é a Maçonaria.
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