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De Ambrósio
Peters (
* )
Outro motivo
de incompreensões para com a Maçonaria é a
diferença entre Maçonaria Operativa e Maçonaria
Moderna. É uma diferença aparentemente sutil para
o mundo não maçônico, por causa da adoção,
pela Maçonaria Moderna, de todas as tradições
e práticas da Maçonaria Operativa, como os símbolos,
os rituais, o sigilo e os regulamentos, embora a essência
de seus princípios e de sua filosofia sejam totalmente distintas.
Os
maçons operativos eram os construtores medievais que se associavam
em guildas para melhor defender os seus interesses classistas e
estavam estreitamente ligadas ao sistema religioso. As primeiras
guildas surgiram na Inglaterra ao final do século IX e início
do século X.
Os
maçons especulativos eram cidadãos livres, com uma
nova mentalidade social que a partir do século XVI começaram
a ocupar o espaço deixado vago pelos maçons operativos,
que se desestruturavam. Empunhavam a bandeira de uma nova fraternidade,
não mais alicerçada exclusivamente em princípios
religiosos, mas livremente nascida da compreensão e a solidariedade
humana.
A
diferença fundamental é, pois que, maçom especulativo
não é simplesmente um maçom operativo que deixou
de trabalhar no seu ofício e aprimorou o seu espírito.
Foram as lojas operativas que se transformaram em lojas especulativas
pela substituição progressiva dos membros operativos
por membros especulativos. Veremos essa transformação
mais detalhadamente no capítulo Os Maçons Especulativos.
Se
assim não fosse, e se a Maçonaria Especulativa tivesse
simplesmente abandonado os ideais classistas da Maçonaria
Operativa ao assumir as suas lojas, se teria transformado em uma
sociedade sem objetivos, e nenhuma sociedade pode evoluir e prosperar
sem propósitos definidos. O rápido crescimento da
Maçonaria Especulativa no século XVIII demonstra que
ela tinha propósitos definidos, que serão traduzidos
no capítulo A Filosofia Maçônica
Pode-se
melhor aquilatar a diferença entre as duas fases históricas
da Maçonaria comparando o texto do mais antigo dos documentos
do grupo Antigos Deveres, que é o Manuscrito
Régio, datado de 1389, com o do mais antigo documento oficial
da Maçonaria Especulativa, o Regulamento Geral, de 1721,
que é parte integrante do Livro das Constituições,
promulgado oficialmente pela Grande Loja de Londres em 1723.
Nos
documentos das guildas medievais se percebe a preocupação
constante com a regulamentação do exercício
da profissão, com o comportamento social dos mestres, companheiros
e aprendizes, com o cumprimento dos deveres religiosos e, em especial,
com a assistência social aos associados da guilda. O conjunto
desses regulamentos, que remontam ao tempo do Rei Athelstan (924/940)
é conhecido como Antigos Deveres.
No
Regulamento Geral não há logicamente referências
expressas a deveres profissionais, a não ser como alusão
simbólica e comparativa, e se omitem as referências
aos deveres religiosos, que não são obviamente relegados
a um segundo plano na vida do maçom, mas reservados ao plano
individual. Há sim uma preocupação com a convivência
fraternal entre os membros e com o socorro aos desvalidos, em geral
e não somente aos irmãos. Evidentemente os princípios
básicos são diferentes.
Ser
maçom especulativo significa ser observador, perceber os
princípios morais subjacentes aos símbolos e aplicá-los
na construção de relacionamentos humanos confiáveis,
sinceros e leais, e, através do estudo e da observação,
tentar apreender a melhor forma de construir uma harmoniosa e perfeita
fraternidade.
O
que os maçons especulativos fazem ultrapassa os limites de
suas Lojas. O maior trabalho de um mestre maçom moderno é
aplicar de maneira prática e correta a sabedoria moral que
se espera tenha adquirido durante sua vida maçônica.
Ele vai à loja para especular, estudar e aprender e volta
ao mundo para trabalhar e aplicar o que aprendeu. O mestre maçom
especulativo não é mais um construtor material como
o eram os mestres maçons operativos. Ele será antes
de tudo um homem moralmente sadio em busca da luz da verdade, dedicado
à construção do edifício moral da humanidade.
Havia
também fraternidade entre os irmãos operativos, mas
era uma fraternidade corporativista, voltada apenas para os membros
das guildas. Os irmãos especulativos ampliam os horizontes
de sua fraternidade estendendo-a a todos os homens. Os operativos
eram individualistas, e os especulativos são essencialmente
altruístas e filantropos.
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