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Irm
Ambrósio Peters. ( * )
CURITIBA PR
quarta-feira, 5 de julho de 1995.

Para os indivíduos é o desfazer-se na morte; para a humanidade o amanhã é o realizar-se em novos projetos. Não podemos fugir da aniquilação individual; mas, crescendo intelectualmente podemos nos integrar ao grande projeto da evolução humana, e isto depende só de nosso esforço.
Se a Maçonaria continuar a trilhar a estrada que no momento trilha, de poucas certezas e sem a busca das definições necessárias, certamente nos embrenharemos por uma senda brumosa que está se delineando à nossa frente. Parece incrível que muitos de nós, tal como muitos dos líderes das outras sociedades e igrejas, olham sem preocupar-se, um amanhã de poucas promessas e nada fazem para modificar essa perspectiva de um futuro pardacento.
Os grupos humanos todos tem sua trajetória existencial assemelhada a dos homens individualmente, ou melhor, a de todos os seres vivos. Nascem, crescem exuberantes em sua juventude, reproduzem-se, chegam ao auge da vida adulta, entram em declínio, envelhecem e morrem. É um processo que pode durar minutos ou décadas, séculos ou milênios, dependendo das raízes do sistema vital ou da textura do tecido social que lhe deram origem, ou da firmeza da âncora dos princípios sociais em que se apóiam.
O sistema de envelhecimento é irreversível nas associações humanas se deixado em ação livre e sem interferência de fatores externos. O diagnóstico é válido tanto para grandes civilizações como para pequenas nações, tanto para poderosos grupamentos religiosos como para pequenas comunidades religiosas alternativas, tanto para grandes associações internacionais como para pequenos grupos humanos. Esse trâmite, contudo pode ser influenciado por modificações nos comportamentos a nível individual. Isso dependerá exclusivamente do crescimento interno de cada um no campo ético cultural de cada indivíduo.
A Maçonaria, como uma associação de homens, certamente nem todos perfeitos, evidentemente não foge a esse prognóstico negativo. Nos dias que correm a nossa civilização já trilha indubitavelmente o caminho descendente da sua velhice, pois já percorreu praticamente todos os possíveis sistemas de organização social, desde o matriarcado e o patriarcado, passando por ferrenhos governos ditatoriais e absolutistas, e pelas democracias e pelo socialismo em suas mais diversas formas.
Não parece haver mais sistema de governo ainda a experimentar, pois o que envelheceu e adoeceu não é só a nossa civilização como um todo, o que envelheceu é o homem individualmente em sua "célula-mater", a família.
O enfraquecimento da família deixou o homem sem referências socio-morais, e isto enfraqueceu de roldão as grandes religiões que estão decadentes e paulatinamente cedem lugar para as alternativas mais jovens, que nascem novas e fortes, ainda que sustentadas pelo fanatismo das pessoas incultas.
A Maçonaria também se enfraquece seguindo esse processo natural que, se deixado à ação de suas forças de envelhecimento interno se tomará irreversível a partir de certo estágio.
Caberá a cada Maçom o trabalho inadiável de reverter o curso desse processo, num esforço conjunto voltado para o interior do indivíduo. Os movimentos grupais globais estarão sempre na dependência dos esforços pessoais, não se corrigem as falhas de uma sociedade corrigindo os estatutos, ou modificando os seus dirigentes, ou os seus programas por melhores que possam ser. Há que modificar os indivíduos tirando-os de sua mediocridade, movendo-os de sua rotina, de sua acomodação.
Que males estariam afetando a nossa Sublime Ordem? O mesmo mal que ataca a tudo e todos, a mediocridade e a acomodação que como as ervas daninhas sempre medram vigorosas no solo enfraquecido pela acomodação e pela rotina da estagnação. Tudo se inicia com grandiosidade de metas, sob o entusiasmo dos líderes idealistas que levam seus liderados a abraçar a grande causa desassombradamente. Com o passar das gerações as lideranças iniciais são substituídas, os sucessores se acomodam, o declínio se estabelece e se auto-alimenta, o entusiasmo inicial arrefece, e o processo segue o seu ritmo com a instalação de deletéria mediocridade.
Há uma absoluta certeza; nossa Instituição está atravessando momentos de fraqueza estrutural principalmente por uma indefinição de metas, resultado da acomodação provocada pela mediocridade. Tudo sofre um afrouxamento, tudo é facilitado. Todo aquele que sobre ao poder, quer seja em uma Loja, quer seja no Grão Mestrado, quer seja em simples comissões internas quer seja nas associações de maior amplitude, tentam suprir as deficiências de sua mediocridade com providências que nada tem a ver com a essência individual dos Maçons. Modificam-se rituais, modificam-se formulários, transferem sedes de eventos, criam-se novas Lojas, mas pouco se faz e a nível cultural, ao nível do que poderia atingir a formação interior dos Irmãos,
Tomou-se urgente uma análise profunda das origens de toda essa situação de debilidade para que o problema da sobrevivência da Maçonaria no futuro não venha a seguir o ritmo decadente geral, e possa ser conscientizado e superado. A crise pode até ser momentânea, mas se ignorada se tomará muito fundamental.
As causas que deram origem a esse preocupante estado são diversas, todas, porém oriundas de um quadro geral de mediocridade.
Podem ser assim sintetizadas:
1. Ausência de uma definição precisa de metas;
2. Falta de envolvimento sério das Lojas num processo cultural;
3. Abrandamento dos critérios de seleção de candidatos
4. Falta de uma análise competente do que se publicam em nossas revista;
5. Exaltação inapropriada de ideais que não são atingidos.
Vale apenas ler considerar e analisar com todo o critério que-podermos dispensar, cada tópico exposto. Se os IIrm desejarem-nos gostaríamos de lhes transmitir, dentro dos nossos critérios SDS fraternas, tsmaia. |