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Irm
Ambrósio Preters
(*)
Embora não
haja documentação que o comprove, deve-se admitir
que os Maçons Operativos, os franco-maçons, usavam
seus instrumentos de trabalho como símbolos de sua profissão,
pois caso contrário não se teria esse simbolismo na
Maçonaria Moderna. A existência desse simbolismo é
a mais evidente demonstração de que houve na Inglaterra,
contatos diretos entre os Maçons Modernos e os franco-maçons
profissionais, e demorados o suficiente para que essa transmissão
se consolidasse. O excerto do Ritual de Emulação,
também o comprova.(*)
O trabalho dos
franco-maçons, limitava-se aos canteiros de obras e à
construção em si. Os instrumentos que eles usavam
eram o esquadro, o compasso e a régua para determinar a forma
exata das pedras a serem lavradas, o maço e o cinzel, para
dar-lhes a forma adequada, e o nível e o prumo, para assentá-las
com perfeição nos lugares previstos na estrutura da
obra. Eram, portanto três diferentes grupos de instrumentos,
cada qual representando uma etapa da obra, a saber: a medição
ou a determinação do formato das pedras, o desbastamento
das pedras para dar-lhes a forma adequada e finalmente a aplicação
das peças lavradas na construção do edifício.
Cada trabalhador
tinha para sua tarefa, instrumentos apropriados que indicavam a
especialidade de cada um. Os Mestres mediam e transmitiam suas instruções
aos aprendizes, estes executavam as instruções dos
Mestres, e os Companheiros aplicavam os trabalhos dos aprendizes
na estrutura da obra.
Na Maçonaria
Moderna esse simbolismo material perdeu o seu sentido. Os novos
francomaçons-aceitos atribuíram um sentido mais nobre
e mais sofisticado àqueles instrumentos, que passaram não
mais a significar etapas do preparo de uma pedra ou de uma estrutura
física material, para passar a simbolizar as diversas etapas
da evolução do espírito humano rumo à
perfeição interior.
Aqueles diversos
grupos de instrumentos devem agora indicar os diversos graus do
avanço individual do neófito rumo à perfeição
moral. Esse processo deve começar num primeiro degrau, pela
determinação ou programação das metas
do comportamento moral a atingir. Essa etapa inicial será
seguida em um segundo degrau, pelo trabalho de burilar o espírito
e amoldá-lo aos projetos morais idealizados no degrau anterior.
A terceira etapa se destina à aplicação de
todo esse trabalho, de aperfeiçoamento individual ao projeto
social que todo Maçom deveria ter em mente, o de melhorar
o nível de moralidade de uma sociedade que a cada dia mais
se desagrega.
Como nem todos
os homens são iguais em sua capacidade interior de chegar
à perfeição, o percurso desses degraus não
se mede por tempo despendido, mas sim pelos esforços pessoais,
de acordo com a potencialidade de cada neófito. O avançar
na senda da perfeição, será mais lento ou mais
veloz de acordo com a capacidade e o esforço pessoais.
Esse é
o grande simbolismo dos instrumentos maçônicos, traçar
o caminho da luta por uma sociedade melhor, mais justa e mais solidária. |