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Desde o alvorecer da humanidade, a Igreja e o Estado têm caminhado
sempre de mãos dadas. Os primeiros governos foram de caráter
e índole religiosos e considerava-se que os que tinham, de
alguma forma, o contato com o Supremo Criador, eram os chamados
a dirigir os povos. À medida que o homem deixou de ser caçador,
converteu-se em sedentário ao poder sobreviver sem a ajuda
indispensável que lhe proporcionava a caça. Ao ter
um incipiente conhecimento da agricultura, esta lhe permitiu manter-se
num mesmo lugar durante todo o ano. Também teve que resolver
uma série de problemas que escapavam ao poder dos Sacerdotes
em satisfazê-los, sem ter por isso que deixar sua primazia
de ser intérpretes da Vontade Suprema. Com esses antecedentes,
nasce o Governo Civil, para suprir as necessidades de segurança,
ordem, direitos e obrigações. Assim começa
a formular-se, por experiências próprias da vida, os
Códigos ou Constituições que dirigiriam esses
grupos de comunidades ou regiões.
A
RELIGIÃO CATÓLICA E A MAÇONARIA
Por
milhares de anos a Igreja e o Estado formaram uma dupla que se protegia
mutuamente. À medida que o mundo seguia seu processo evolutivo,
começaram a separar-se. No início esta separação
era insignificante, porém, como conseqüência lógica,
seguiu-se o rompimento. Assim, deu-se conta que necessariamente
teriam que ter um vínculo de união para manter o controle
da população, convertendo-se em uma classe de elite
e dessa forma exercer um controle sobre o dito processo de evolução,
que deteve o avanço da civilização e a fez
passar pelos obscuros anos da Idade Média. É assim
que referimo-nos especificamente a Cultura Ocidental e parte da
Oriental, que difundiu a doutrina de Cristo, e que é importante
para nós. Os acontecimentos que se seguiram desde o século
IV, em que a Igreja Católica se transformou na Religião
Oficial do Império Romano, já em franco período
de decadência, ao início da Idade Média, com
o surgimento do Renascimento e o avanço até nossos
dias, analisaremos seu comportamento e a relação que
necessariamente tem com a Ordem Maçônica.
Relação
Igreja-Estado
Carlos Magno, Imperador do Sacro Império Romano
Papa Leão III e o Estado do Vaticano
Quando a Igreja do Oriente estava a ponto de cair sob o jugo do
poder Muçulmano, esta pediu a ajuda de sua irmã, a
Igreja do Ocidente. Com esta ação, despertou novamente
a ambição da formação de uma só
Igreja unida, sob a autoridade de Roma.
Desta forma, inicia-se o processo que daria um novo chamado à
fé e que fortaleceria o poder do Papa, com a criação
dos Estados Papais e a Monarquia Absolutista, mantendo-a unida até
o século XVI, em que se produz a Reforma de Martinho Lutero,
o nascimento da Igreja Anglicana na Inglaterra e o começo
dos movimentos de libertação que, desde os triunfos
da Revolução Francesa, iniciou o fim da Monarquia.
Carlos Magno foi o primeiro Rei Francês que levou o nome de
Carlos e foi o fundador da Dinastia Carolíngia, que durou
desde o ano de 800 (ano em que foi coroado Imperador) até
1806, ano em que a coroação de Napoleão como
Imperador faz desaparecer o título de Rei. Carlos Magno,
Rei dos Gauleses (768-814), era simplesmente um dos muitos reis
que governavam as diferentes regiões em que a Europa estava
dividida. Essa era precisamente a grande diferença com a
Idade Antiga, em que o Império Romano havia conquistado quase
todo o continente, os Países do Mediterrâneo e imposto
a lei e a ordem, mediante a implementação do primeiro
Código Civil. Assim a Pax Romana manteve o status durante
quase 1000 anos. Com a queda do Império do Ocidente, só
sobrava o Império do Oriente, transformado em Império
Bizantino, que governava a parte Sul da Itália, Cecília,
Turquia e o Oriente Médio. Este mantinha todos esses territórios
sob uma mesma lei, e a ordem era mantida numa área muito
grande, existindo por isso estabilidade de governo. Na Europa, tudo
era diferente. A proliferação de pequenos reinos mantinha
convulsionada toda a região, em contínuas guerras
e diferenças de critérios, fazendo com que a sobrevivência
fosse verdadeiramente milagrosa. Sem dúvida, com a tomada
do poder do Reino Gaulês, Carlos Magno iniciou uma série
de conquistas que o levou a formar um só Reino, que se estendia
sobre toda a França, Holanda, Bélgica, Alemanha, Suíça,
Sérvio-Croácia e parte da Polônia. Tinha ainda
alguns reinos vassalos até a Europa Oriental. A extensão
de seu reino e a defesa que efetuara do Papa Adriano I, que foi
acusado de heresia por alguns dos Nobres, interessados em colocar
no Trono Pontífice alguém vinculado à Carlos
Magno, ainda que a implantação de uma educação
em todos os níveis e a maneira que se começou a implantar
a ordem e a justiça de forma igualitária, em toda
a extensão do reino, não convinha aos interesses daqueles
que se viram afetados com o crescimento do reino de Carlos Magno.
Devido também que se reinstalou o título de Imperador
Romano, com o agregado de Sacro “Sacrum Romanum Imperium”
(Imperador do Sagrado Império Romano), Defensor da Fé
e do Papa. Ao falecer Adriano I, substitui-lhe o Papa Leão
III, que no ano de 800 coroa a Carlos Magno como Imperador do Sagrado
Império Romano. O Papa, desde a separação do
Império Romano entre Ocidente e Oriente, ficou sendo a única
autoridade reconhecida no Ocidente, sobretudo por que confiaram
nele quando foram atacados pelos Bárbaros. Dessa forma, os
Papas seguiram governando Roma, cidade que não representava
mais o centro do poder da antiguidade e foram testemunhas da divisão
em que se encontrava a Europa até a chegada de Carlos Magno.
Este rei, com todas as aptidões que possuem os grande homens,
como Júlio César ou Alexandre, O Grande, possuía
uma intuição que seguramente o fez compreender que
unido à Igreja poderia chegar a ser o supremo condutor dos
destinos do Ocidente. Com isso em mente, ajuda inicialmente a Adriano
I a sair vitorioso do juízo público de que era herege,
donde sai exonerado. Também prevê que para ter uma
presença dentro da política dessa época, e
como barreira de contenção com o Império Bizantino,
deve conceder territórios que abrangem quase um terço
da Itália, desde a região Romana no Adriático,
passando pela Península até parte da Humbria. Dessa
forma nascem os Estados Papais, ou Estados da Igreja. Com esta propriedade
criada especificamente para o Papa, nasce um poder político
militar, pois a força moral não era suficiente para
defender os territórios. Com os Estados Papais, nascem também
os Papas Guerreiros, que tiveram talvez sua máxima expressão
em Júlio II, protetor das Artes e especialmente de Miguel
Ângelo, que durante seu reinado termina a Capela Cistina.
Sem dúvida as possessões dos Estados Papais variaram
com o tempo e as circunstâncias. Uma delas foi em 1307 quando
o Papa Clemente V deixa Roma para governar desde a Igreja de Avignon,
oportunidade que é aproveitada por seus inimigos para revolucionar
a região e cortar seus limites. Apesar desse curto período
em que a Igreja governa fora de Roma, os Estados Papais continuaram
sendo protegidos pela Monarquia e, ainda que o título de
Imperador do Sagrado Império Romano passou ao poder da Monarquia
Alemã, esta sempre foi protetora do Papa e de seus interesses.
A
Maçonaria e o Papado
Os anos da Idade Média foram passando com uma fé renovada,
por causa das Cruzadas. A evolução da humanidade seguiu
adiante, entrando no Renascimento, que significou um novo enfoque
das diversas escolas Filosóficas e um regresso para a educação,
principalmente sobre as artes e o conhecimento. Assim, com o trabalho
de Diderot e o desenvolvimento de sua Enciclopédia, uniu
a livres pensadores como Voltaire e a sociólogos como Russeau,
cujo pensamento e ações foram convulsionando as idéias
mantidas por séculos e como conseqüência lógica,
começou a colocar em “xeque” por que os Reis
governavam por Poder Divino.
O poder infinito que tinham os reis os manteve envoltos em seu status
quo, que não lhes permitia observar que o mundo estava iniciando
uma mudança e que a Monarquia se mantinha sobre bases fundamentais,
que estavam se convertendo em um anacronismo nos tempos de mudança
que se precipitavam. Esta falta de perspicácia em dar-se
conta da realidade, e os novos pensamentos libertários, sobretudo
intelectuais e científicos pregados por algumas instituições
como a Maçonaria, em vez de servir-lhes de aviso se converteram
em perigo eminente, e a primeira reação foi de atacar
frontalmente, na frente que, todavia, encontrava um amparo legal,
que era a fé. Sem dúvida que todo aquele que se levantava
contra o Governo do Rei, o fazia também contra a Igreja,
pois Estado-Igreja era um todo indivisível.
Nestas circunstâncias, durante o reinado de Clemente XII,
em 28 de abril de 1738, a 32 anos da Independência dos Estados
Unidos e há 68 anos depois de acabar o título de Imperador
do Sagrado Império Romano, foi emitida a Encíclica
ou Bula In Eminente, que institui a excomunhão de todos os
católicos que pertenciam ou que pretendiam ingressar na Sociedade
Secreta (?) conhecida como Maçonaria.
Entre as considerações que expõe a Bula, por
ser considerados incriminatórios e contra os princípios
da Igreja, se destacam:
Que
os homens pretendiam legislar Leis para governar-se a si mesmos
Que
pretendiam que existisse uma separação entre Estado
e Igreja
Que se introduzira na educação laica
Princípios que hoje em dia são a forma de governo
em quase todos os países do mundo, mas que naqueles tempos
eram sacrílegos e se castigavam com a pior das condenações:
ser expulsos do seio da Igreja. Apesar da maioria dos países
conhecidos já terem conseguido sua liberdade, talvez como
conseqüência da perda territorial dos Estados Papais
pelo acorde de anexação da Umbria em 1870, e como
o Papa se negava a reconhecê-lo como governo legal da Itália,
esta praticamente se dividia em duas. O Papa Leão XIII vê
passar o tempo de seu reinado enclausurado no Vaticano. Se bem que
o governo italiano lhe passava uma pensão anual, pela perda
de seus territórios, e este mantinha seu poder sobre a Igreja
Católica, mas centralizado eu seu palácio ao redor
da Igreja de São Pedro. Esta profunda mudança sócio-política-econômica
devia ser analisada pela Cúria Romana e particularmente por
Leão XIII, considerando que era a Maçonaria que seguia
proclamando Liberdade, Igualdade e Fraternidade, com o que triunfou
a Revolução Francesa, sendo iniciado o fim para o
sistema monárquico e de aliança Estado-Igreja, assim
como outros interesses escondidos que sempre existiram. Em 1884
emite a Encíclica ou Bula Papal Humanum Genus, que volta
a excomungar aos católicos que pertencem à Ordem Maçônica
ou aqueles que nela pretendam ingressar. Esta Encíclica condena
os Maçons por sua posição liberal de defender
a separação da Igreja-Estado e por favorecer a anexação
dos Estados Papais para a criação da Itália
como país. Depois das duas Encíclicas, existem outros
cinco documentos, de menor autoridade, que confirmam a excomunhão
dos Maçons e em todas elas os acusam de multidões
de deformações do tipo religioso, nem sempre demonstradas,
senão mais bem concebidas pelas crenças populares
que afirmam que a Maçonaria tem por fim pernicioso o combate
à Igreja Católica, seus dogmas, seus princípios
e sua organização.
Levando em consideração como base tais crenças
e afirmações, foi que a Igreja excomungou oficialmente
aos Maçons ao incluí-los no Direito Canônico
(Canon 2335), mantendo até hoje este critério e parece
manifestar-se o latente desejo da Igreja de reprimir a Maçonaria
por considerá-la uma instituição inimiga e
perigosa. Mas convém considerar serenamente e sem prejuízos
se, na atualidade, é o que a Igreja mantém tradicionalmente
ou se é devido as mudanças históricas e evolutivas
da humanidade, que mudaram sua linha de conduta em relação
aos Maçons.
Os sete documentos mencionados anteriormente datam de antes de 11
de fevereiro de 1929, em que se firmou o Tratado de Letran, que
aceita um Estado Papal com território nominal, mas que lhe
outorga um Estado de Direito e que não existe documento algum
que renove ou atualize as penas aos Católicos que pertencem
à Ordem Maçônica. Conseqüentemente, podemos
afirmar que essas Encíclicas e outros documentos foram ditados
por uma autoridade investida de caráter político-religioso
e que ao ser considerada em qualquer de suas formas, o Pontífice
castigava atuando como tal e, ainda, como chefe de estado. Essas
circunstâncias provocaram uma “reação”
à “ação” empregada pela Igreja
e se declarou, de alguma forma, um sistema de defesa a acusação
da Maçonaria ser considerada, particularmente a seus membros
católicos, inimigos irreconciliáveis e antagônicos
a ela. Nestas circunstâncias é bom e justo reconhecer
que tal inimizade manifestou-se das seguintes formas:
1. Os Maçons respondiam à luta (excomunhão)
com atitudes anti-religiosas
2. A Igreja, reatualizava a excomunhão, divulgando as crenças
populares acerca dos Maçons.
Sem
dúvida, tudo parece indicar que esta foi uma luta do momento
que se vivia, pois, segundo se pode apreciar nas Constituições
Maçônicas, não existe nelas o fim constitucional
implícito ou explícito de combater a Igreja Católica
e não se pode negar que existiram algumas que, de livre vontade,
a enfrentaram, mas nem por isso se pode considerar como um fim próprio
da Ordem Maçônica. Por outro lado, teríamos
que considerar que desde que a Igreja deixou de ser um Estado Temporal
ou Territorial, o enfrentamento deveu-se à evolução
do espírito de libertação que tinham os povos
do mundo contra uma Monarquia Absolutista, anacrônicas aos
novos tempos que o mundo em mudanças vinha desenvolvendo
e que terminaram com a suposta “designação divina
dos Reis” e que, logicamente, era a parede oposta do lema
da Ordem: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
A relação do co-governo Estado-Igreja terminou, mas
nenhum dos dois desapareceu. Simplesmente cada um tomou o lugar
que lhe corresponde, no dever histórico da evolução
da humanidade. O Governo se preocupa em resolver os problemas próprios
de sua constituição, isto é, buscar a forma
para que todos tenham igualdade de direitos e cumpram com suas obrigações,
dentro das muitas filosofias de vida existentes. Algumas delas passaram
deixando uma marca de dor, morte e destruição na existência
da humanidade. Outras estão em processo de achar novos caminhos
que nos levem a uma sociedade plena, com felicidade e bem estar
para todos.
A Igreja, por outro lado, cumprindo com seu labor Pastoral, por
intermédio do Papa, tem reconquistado seu papel reitor da
moral e da justiça social, buscando harmonizar-se entre o
materialismo consumista e a espiritualidade que deve existir como
contenção ao risco de que a liberdade, convertida
em libertinagem, pode levar à destruição da
civilização como nós a conhecemos. Se a Igreja
tem feito mudanças substanciais a partir do Concílio
Vaticano II, devemos esperar que conceitos e ordens como as que
se mantém no Canon 2335 devem sofrer emendas ou simplesmente
serão anulados seus efeitos negativos: “... incorrem
em excomunhão Latae Sententiae, reservada à Santa
Sé, aos que dão seu nome a uma Seita Maçônica
ou a outras associações deste gênero que atentam
contra a Igreja ou aos legítimos poderes civis”
Como contradição, devemos citar também que
o Concilio Plenário Latino-americano, em seu acordo nº
170 expressa que: “Não podemos afirmar que todas as
Lojas sejam ímpias ou exortam ao episcopado assistente a
que instrua o povo à respeito”.
Sobre a Ordem Maçônica foi escrito, se escrevem e seguramente
continuarão escrevendo, infinidade de livros que falam sobre
supostos Ritos, Declarações ou Juramentos que os Maçons
devem cumprir, todos eles dirigidos contra a Igreja Católica.
Sem dúvida podemos dizer, sem faltar com a verdade, o seguinte:
1.
Os Maçons acreditam em Deus e em sua Igreja e exigem esta
crença para admitir a seus postulantes
2. A Maçonaria tem preconizado a todo momento e defende a
tolerância religiosa, a que foi promulgada pelo Concílio
Vaticano II, como critério atual da Igreja.
3. É certo que os Maçons regem por Rituais e Constituições
Próprias e que tenham reuniões secretas, mas em lugares
conhecidos por todos e cuja existência é devidamente
registrada na Junta Comercial, com CNPJ etc., de caráter
privado, com endereço e nome de seus dirigentes. Em conseqüência,
seus lugares de reunião são de conhecimento público.
4. Que em nenhum Ritual, Constituição ou Regulamentos
se inclui uma atitude ou gesto que pudesse interpretar-se como sátira
ou ofensivo a qualquer religião.
5. As Lojas Maçônicas reúnem em seu seio a todos
os homens de boa vontade os mesmos que necessariamente precisam
acreditar em um Ser Supremo, ao qual chamam de Grande Arquiteto
do Universo, o qual representa Deus para cada um de seus membros.
6. Que na Ordem Maçônica nunca são tratados
assuntos de ordem político partidária ou Religião
em seus postulados ou conceitos Teológicos.
7. Que, ingressando no Terceiro Milênio da Era Cristã,
a Ordem Maçônica coloca como exemplo a tolerância
que pratica entre todos os homens, ao reunir em seu seio homens
das mais variadas crenças religiosas, assim como de todas
as tendências políticas, lugar donde as inconveniências
das leis profanas que os separam, tornam-se milagrosamente sem efeito
quando se reúnem em paz e harmonia numa Loja Maçônica.
Temos
que considerar, por outro lado, as ações extraordinárias
que faz o Papa João Paulo II. Na sua visita à Lourdes,
França, em 1998, pediu perdão pela matança
de São Bartolomeu, em 28 de agosto de 1584, ocorrida em Paris,
em que mais de 100.000 protestantes foram degolados. Esta ação,
que foi celebrada com um Te Deum de ação de graças
pelo Papa Gregório XIII, foi uma demonstração
de intolerância sem precedentes para o Chefe de uma Igreja,
contra gente que simplesmente pensava diferente. Em 1997, também
o Papa exonerou de toda culpa e retirou as acusações
que se fizeram contra Galileu Galilei que, em sua qualidade de cientista,
afirmara que a Terra girava ao redor do Sol e não o inverso,
como a Igreja sustentava. Esta ação reconhece a existência
da ciência, em todos os seus conceitos, e deixar a Igreja
em seu papel pastoral, como deve ser. Em 1999, o Papa João
Paulo II pediu desculpas ao povo judeu pelo silêncio que manteve
a Igreja Católica, durante o genocídio da II Guerra
Mundial. Muitos se perguntaram: “Que importância tem
agora o pedido de desculpas por fatos que ocorreram a tantos anos
atrás?” Deveria responder que ações como
esta tendem a fechar as feridas abertas por ações
cujos efeitos vão se transmitindo através dos séculos
e as mantém latentes, sendo impossível de cicatrizar
em muitos casos, impedindo que existam vínculos de união,
deixando que cada uma das partes tenha lugar em nosso mundo.
Em meio a todos os problemas que enfrenta a civilização
atual, a intolerância é a que segue causando os maiores
conflitos, que acabam em morte, sofrimento, pobreza e incompreensão.
Como Maçons, sustentamos que o remédio para solucionar
muitos males do nosso tempo é empregar a Tolerância
como meio, fazendo uso extensivo de uma Liberdade ampla sob a lei,
com uma Igualdade que proporcione oportunidades a todos e demonstrando
a Fraternidade que, como filhos do mesmo Ser Supremo, devemos manter
e exercer. Tudo isso, unido a uma Fé indissolúvel
em nossos ideais, com respeito e guardando os direitos dos demais,
com a Esperança de fazê-lo realidade, conforme colocamos
nosso empenho. E com Caridade, para com todos os seres vivos de
nosso mundo, talvez possamos encontrar expandindo os sentimentos
Maçônicos, que o Paraíso, se encontra em nossa
própria realidade e que depende só de nós o
poder de descobri-lo e viver a sua plenitude. O presente trabalho
foi formulado com a mais completa imparcialidade, levando em consideração
os fatos históricos, consignados em documentos de reconhecida
veracidade e mantendo as verdades causa-efeito, ao efetuar uma análise
que nos permita chegar a verdades concretas. Tudo isso, considerando
que a única forma de chegar a um juízo coerente aos
fatos e deixando à consideração de todos e
a cada um que leia ou escute esta mensagem, a oportunidade para
buscar suas próprias conclusões. Como Maçom,
entendo e respeito às idéias e as crenças de
todos e ao expor as minhas, só o faço com a vontade
de que sejam úteis como referência ou, talvez, um convite
para impulsionar o desejo de investigar e buscar a verdade ou as
verdades que acreditam ter cada ser humano.
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