Maçons

 

 

 

 






*Amílcar Silva Júnior é Irm e advogado.
Or de Campo Grande
ARLS Novo Tempo
Gr 31

Artigo postado em junho de 2003

O Irm Amilcar Silva Jr ocupa pela 2ª vez consecutiva o cargo de Gr Mestr adj do Gr Or de MS. Revisão em Out de 2010

A Inconfidência Mineira

e a Revolução Francesa


 

 

Amílcar Silva Júnior*

 

 

 



A Revolução Francesa, mudando o que tem de ser mudado, aproxima-se muito da chamada Inconfidência Mineira. Cronologicamente, a inconfidência antecipou-se à revolução. Ambas se inspiraram no iluminismo europeu que rompeu as amarras do pensamento ocidental, preso aos grilhões obscurantistas da Idade Média.

Da mesma maneira, os autores da Revolução e da Inconfidência não sabiam direito quais eram os propósitos que estavam defendendo. Ambos os movimentos continuam se assemelhando no triângulo que os representa até mesmo graficamente. No lado francês, LIBERDADE, IGALDADE ou MORTE. No lado mineiro, LIBERDADE, AINDA QUE TARDIA.

A Inconfidência morreu antes de nascer. A Revolução morreu menos de duas décadas depois da tomada da Bastilha e a decapitação de vários nobres do antigo regime. Iniciaram o que se prometia ser uma era democrática, do povo, como o povo, para o povo.

O que se instaurou a seguir foi aquilo que hoje conhecemos como o terror. Os revolucionários se auto-destruindo, Paris paralisada, o povo passando fome. Em resumo, o caos.

Desse caos, a França somente foi resgatada quando, depois de ter um reino, entronizou um império. Coroado - proclamado - imperador, Napoleão logo estabeleceu sua sucessão, igualzinho acontecia com os reis depostos anteriormente, Luiz XIV, XV e XVI. Ao Napoleão primeiro (o famoso), sucederam-se vários Napoleões: Segundo, Terceiro, Quarto e Quinto. O resto é história contemporânea, na qual o último imperador francês chamou-se Charles de Gaulle.

Mas, a verdade é que o mundo ocidental nunca mais foi o mesmo depois da Revolução Francesa. Seu triunvirato – LIBERDADE, IGUALDADE ou MORTE (depois FRATERNIDADE) – cravou fundo na consciência da humanidade, de tal forma que hoje só sobrevivem os regimes que se apoiam neste tripé. Podem ter vida às vezes não tão efêmeras como a do nazismo de Hitler - que prometia um 3o. Reich de mil anos e que dourou pouco mais de uma década, provocando um horror perto do qual o horror da Revolução Francesa nada representa - Podem durar mais, como durou o horror comunista, que praticamente atravessou quase todo o século. E que também terminou se autodestruindo.

É curioso observar que a Revolução Francesa nasceu não da revolta popular - mas de um grupo de pensadores que começaram a achar que aquele regime sob o qual viviam, o regime dos reis intocáveis, não estava certo. Aos poucos foram espalhando suas idéias que, ao final, incendiaram a indignação contida do povo. Que reconheceu que sua indignação era certa, correspondia a um ideal supremo.

Na comparação, a Inconfidência teve seu herói. a Revolução Francesa não teve herói. O Brasil bastou-se de heróis em Tiradentes. A França continua à procura de seus heróis. Entronizou Napoleão, jamais houve um herói a respeito do qual se escreveram tantos livros. Porém, cansou-se dele. Ato contínuo, criou-se outro herói que desiludiu: Pétain traiu a França, aliando-se aos invasores alemães.

Seu último herói chama-se Charles de Gaulle, objeto de um culto obsessivo. Todos os anos é lançado na França pelo menos um livro sobre sua vida.

Mito ou lenda, muito pouco se tem escrito sobre a Inconfidência Mineira - que na realidade nunca existiu, pois o movimento de 1.789 era “conspiração mineira contra a presença portuguesa no Brasil” – entretanto, o mito vai se transformando em lenda.

Em mito Tiradentes já foi transformado. Discute-se se ele tinha barba ou não. Se ele realmente sabia tirar dentes, se ele era simplesmente um boquirroto que, de tanto falar aos ventos, terminou jogando por terra as idéias que seus companheiros mais inteligentes estavam elaborando. Que teria sido iniciado na maçonaria e que esta teria salvado-o da forca. Assim por diante.

A própria existência da inconfidência já foi colocada em dúvida. Um dos mais conceituados historiadores deste país nem chaga a citá-la. Os chamados livros didáticos a reduzem a um movimento sem nenhuma importância – “ricaços querendo pagar menos impostos”.

Transformados em lenda tanto Tiradentes como a Inconfidência, eles correm o mesmo risco que corre o maior artista que este país já produziu: Aleijadinho. Já agora, há quem informe que ele nunca existiu, sendo produto do imaginário popular. Algumas obras suas são permanentente colocadas em discussão, como acaba de acontecer com uma imagem até pouco tempo atribuída à ele, retratando Jesus Cristo. o qual por sua vez, é também colocado em discussão. Será que ele existiu mesmo ou não passa de um artifício criado pela necessidade que o homem tem de acreditar em alguma força espiritual que possa comandar seu destino?