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Estudo da Filosofia

U T O A A G I


Amílcar Silva Júnior*

“A filosofia tem sido a reflexão desinteressada e livre sobre todas as formas do fazer e do agir humano, a consciência crítica da experiência humana considerada em sua totalidade”. Corbisier

Bertrand Russel, que buscava na ciência pura explicações sobre a “essência da realização humana e existencial”, só encontrou resposta na filosofia.

É de reconhecer-se que o homo sapiens está sendo destruído pelo homo economicus e pelo homo technologicus. Mas é preciso reagir. Sem estudo, sem reflexão, não há resgate de valores perenes do homem, não há criação. E na dinâmica social de hoje, o homem deve redimi-los e ser um criador, colaborando decididamente na transformação da sociedade.

Haverá oposição; lidar-se-á com contraditórios, mas é por isso mesmo é que deverá superar “pelas forças dos argumentos e não pela autoridade, pois uma vitória que depende da autoridade é irreal e ilusória”, isso na observação de Russel, que ainda adverte: “Encontrarás mais prazer na divergência inteligente, do que na concordância passiva”.

A filosofia, bem e sempre estudada, cria hábitos e atitudes que aprimoram o profissional; promove o crescimento espiritual; leva a soluções práticas, rápidas e seguras; gera segurança de opiniões, passando, assim, o homem a ser o gerador do próprio discurso, apresentando uma postura resultante de seu conhecimento e de sua convicção; deixará de ser especialista em discursos alheios, deixará de julgar assim porque assim entende fulano; abandonará os eu acho..., parece-me...

A filosofia faz o indivíduo a raciocinar e meditar sobre algo, que será sempre fruto de demorada reflexão, que leva às raízes, às causas, aos princípios das coisas, ou seja, os elementos basilares de qualquer convencimento. E essa meditação exige disciplina, exige isolamento, quase que retiro. As mensagens que mudaram os rumos da humanidade são fruto de prolongada meditação, vindas do deserto.

Leonel Franca, glória do humanismo brasileiro, assim elenca as vantagens do estudo da filosofia:

1- ele facilita a compreensão das doutrinas, localizando-as no ambiente em que vieram à luz e estabelecendo-lhes o nexo genealógico com as doutrinas que as precederam;

2- ele prepara o caminho à refutação das falsas teorias, indicando-lhes as causas e os efeitos;

3- ele premune a inteligência contra os desvios possíveis na investigação da verdade;

4- ele fortalece a convicção na certeza das verdades fundamentais desta filosofia, e

5- a história da filosofia permite a inteligência perfeita da história da civilização.

Estas colocações, entendo, são suficientes para demonstrar que, para entender o homem, para poder resgatá-lo, é indispensável o conhecimento das diversas correntes do pensamento, da história do homem e dos tratados de filosofia (Ética, ontologia [parte da filosofia que estuda parte do ser enquanto ser ], Gnosiologia [teoria do conhecimento], lógica , axiologia [estudo ou teoria de alguma espécie de valor, particularmente dos valores morais], entre outros).

Vale insistir que, para o conhecimento integral do homem é necessário conhecer-lhe a história: não dos fatos e sim das idéias. Porque, já o disse Luis Castagnola, “a história, antes de ser a história dos fatos, é a história do pensamento; antes de ser das ações materiais dos homens, é a história das idéias que deram origem àquelas ações materiais”.


 

 

*Amílcar Silva Júnior é advogado.
Or de Campo Grande
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