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De Carlos Orsi Martinho
Astronautas chegam à Lua
Escrito para o Jornal "O estado de São Paulo"
"Houston. Aqui é da Base Tranqüilidade.
A Águia pousou". Com estas palavras, o astronauta
norte-americano Neil Armstrong (*) anunciou ao mundo, ontem, 20/07/1969,
a chegada, pela primeira vez na história, de seres humanos
à superfície da Lua. O momento de maior emoção,
no entanto, só aconteceria algumas horas depois. Exatamente
às 23h56 (horário de Brasília), Armstrong
tocaria o solo lunar com o pé esquerdo: "Um pequeno
passo para o homem, mas um salto gigantesco para a humanidade".
Assim Neil Armstrong definiu sua chegada à Lua. Minutos
antes, ele havia ativado a câmera de TV que transmitiu
o "pequeno" passo para todo o planeta. Antes de enviar
seu comunicado da base Tranqüilidade, no entanto, Armstrong
tinha sido obrigado a agir para salvar a missão e a própria
vida: o local designado para o pouso automático do módulo
não era uma planície limpa, como esperado, mas
uma cratera cheia de rochas. Armstrong foi forçado a
assumir o controle manual do "Águia", pilotando-o
até um local seguro. Segundo os médicos que, da
Terra, acompanhavam o estado de saúde dos astronautas,
no momento da emergência a pulsação de Armstrong
passou de 77 batidas por minuto para mais de 150.
Ao pisar no solo da Lua, Neil Armstrong carregava 38 quilos
de equipamento - entre os sistemas necessários para mantê-lo
vivo na superfície lunar e aparelhos de comunicação.
Na gravidade menor da Lua, no entanto, era como se o astronauta
carregasse apenas pouco mais de seis quilos. Armstrong comparou
a poeira na superfície da Lua a "cinzas", tanto
em cor quanto em consistência. O colega de Armstrong no
módulo "Águia", Edwin Aldrin ( ** ),
desembarcou pouco depois, plantando uma bandeira dos EUA na
Lua. Os astronautas receberam cumprimentos do presidente americano,
Richard Nixon, e coletaram rochas e amostras de poeira lunar.
O "Águia" levou à Lua, ainda, uma placa
metálica, que será deixada no satélite,
com os dizeres: "Aqui, homens do planeta Terra pisaram
pela primeira vez na Lua. Viemos em paz, e por toda a humanidade".
A placa é assinada por Nixon, Armstrong, Aldrin e Michael
Collins, o astronauta que permaneceu na nave Apollo, em órbita
da Lua, pronto para realizar o resgate dos colegas. Tanto a
Apollo quando o Águia foram levados à Lua pelo
foguete Saturno V, de três estágios, desenvolvido
pelo cientista Werner Von Braun.
Tanto a placa quanto a bandeira deixada por Aldrin, e as pegadas
de Aldrin e Armstrong, poderão permanecer, inalteradas,
para sempre - já que na Lua não há ventos,
umidade ou outros seres vivos capazes de modificar ou apagar
os sinais deixados na base Tranqüilidade. Com a chegada
do módulo "Águia" à Lua, a primeira
parte da diretriz firmada pelo falecido presidente americano
John Kennedy em 1961, e que serviu de lema para o projeto Apollo
"levar astronautas à superfície da Lua e
trazê-los de volta, a salvo" - foi cumprida. A segunda
parte - a viagem de volta - deve começar hoje.
Afirmava o colunista naquela época.
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