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Irm Antonio Carlos de Souza Godoi
(continuação)
Cumpramos
o nosso dever
Somos Maçons mas antes
disso somos Homens; portanto, criaturas instintivas e dotadas de
impulsos interiores, como o ético-moral e o religioso, que
nos distinguem dos demais seres da Criação pois são
eles que nos levam a fazer o que fazemos em Loja. Somos, ainda,
criaturas responsáveis, ou seja, respondemos pelas consequências
das escolhas que fazemos, dos atos que praticamos e dos juramentos
que prestamos; somos, ainda, criaturas originais, únicas
e inconfundíveis, pois que não existem duas iguais,
apenas similares; somos, finalmente, criaturas limitadas pois não
fazemos o que queremos mas o que o Grande Arquiteto do Universo
nos concede segundo a medida de nossas forças.
Mas, eis então que se ergue uma questão
perturbadora. Se somos tudo isso onde foi que erramos, para que
o mundo chegasse ao que se nos apresenta diante dos olhos?
Erramos porque nos perdemos no caminho da alienação,
da individualidade exacerbada, da falta de entusiasmo e de ideais.
Entusiasmo! Que palavra maravilhosa essa, ecoando pelos séculos
desde a antiguidade grega. Entusiasmo, em grego é Enthéos,
ou seja, Deuses Interiores. Entendiam os gregos que o Homem deveria
ter os deuses dentro de sí para poder viver a vida com plenitude.
Cristianizando a palavra podemos traduzí-la como Deus dentro
de mim. E se não temos Deus em nosso interior não
encontraremos, jamais, as respostas para os problemas levantados
neste trabalho. Isso nos é revelado pelo espírito
e sem Entusiasmo não podemos pretender possuir ideais que
valorizem a Vida, que a tornem uma base sólida para os nossos
semelhantes, para os nossos filhos e os seus filhos.
Estamos em um mundo de características
nitidamente
conflitantes, de pontos positivos e negativos, de renúncia
e também de negação, de Bem e de Mal. Estamos,
todos,
em um único barco mas a consciência nítida das
injustiças,
do desamor, dos desacertos que até mesmo dentro de nossa
Ordem encontramos não nos devem alienar da realidade. Ao
contrário, devem fazer com que acendam luzeiros e se calem
as vozes que amaldiçoam a escuridão. Devem fazer com
que salvaguardemos nossas vidas e nossas almas, nossa Fraternidade
e nossos irmãos universais, nossas famílias e nossos
filhos. Devem fazer com que entendamos a Vida, não achando
as respostas que satisfaçam nossos Egos mas praticando-a
24 horas por dia.
É pela prática da Vida, disciplinada
e orientada pelo espírito, não pela matéria,
que atingiremos o verdadeiro conhecimento e compreensão das
mudanças que ocorrem ao longo de nosso caminho evolutivo
e que poderemos, enfim, viver essa mesma Vida segundo dispôs
nosso Criador, o Grande Arquiteto do Universo.
Alguns podem pensar que isso é muito difícil.
Mas, o Mestre dos Mestres já disse, há dois mil anos,
que a porta era realmente estreita e se hoje tantos de nós
ficam a questionar sobre esse mundo louco e absurdo em que vivemos
é porque há gente demais à procura da porta
larga e espaçosa do engano.
Que cada um de nós crie ou desenvolva a
consciência de que o mundo é dupla responsabilidade
nossa; primeiro, como Homens e depois como Maçons. Nossos
filhos são responsabilidade nossa; nossos irmãos,
quer Maçons ou não, são responsabilidade nossa.
Cumpramos, pois, nosso dever com consciência e responsabilidade
social para que não venhamos a suspirar em vão, um
dia, por aquilo que foi destruído ou que deixamos de completar.
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