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Irm Antonio Carlos de Souza Godoi
(continuação)
A
parte integrante da Vida
Se queremos, portanto, encontrar
respostas para as profundas mudanças sociais do mundo de
hoje é preciso que deixemos de lado tanto o futuro quanto
o passado. O futuro é hoje, não existe ainda o amanhã.
O momento da salvação do Homem e de suas instituições
- e isso está inserido na missão maçônica
de forma indelével e indelegável - é agora,
é a vida do presente, a de hoje, vivida a sério e
intensamente e sem estendê-la ao que está distante
dos olhos da alma e do pensamento. É preciso que reflitamos
que nosso horizonte não pode ser maior que um círculo
de vinte e quatro horas pois o que nele deixarmos de fazer emergirá
como carência mais adiante, inapelavelmente.
Devemos nos lembrar que só estaremos plenamente
vivos quando nossa atenção se concentrar no aqui e
agora pois o único tempo que temos para viver, por obra e
graça de Deus, nosso Criador, é o presente. O passado
já se foi e o amanhã ainda está por vir; para
desfrutar, pois, plena e conscientemente do presente e, por conseqüência,
da vida toda não podemos nos esquecer que o dia de hoje só
vem uma vez ... e nunca mais.
Entretanto, teimamos em pensar que ele volta amanhã.
Mas, o amanhã é outro dia que também só
virá uma vez e nunca mais. Cada dia é e, conseqüentemente,
insubstituível. Como poderíamos apreciar e usufruir
melhor do presente e, assim, construir o mundo e as pessoas dentro
dos verdadeiros propósitos do Grande Arquiteto do Universo,
se tivéssemos sempre na lembrança, especialmente nos
dias tristes e amargos, como foram bons aqueles que passamos sem
dor ou privação e como eles agora nos aparecem no
pensamento como algo infinitamente desejável e invejável,
como o Paraíso perdido, como um irmão que não
soubemos conhecer e que perdemos!
Quantas e quantas vezes deixamos passar, aborrecidos
e emburrados, milhares de momentos felizes e serenos sem aproveitar
deles um único segundo que seja, para depois suspirarmos
saudosos por eles, inutilmente?
Por que, ao invés disso, não honramos
cada momento aceitável do presente, mesmo o cotidiano que
hoje deixamos passar indiferentes e até mesmo impacientes?
Esquecemo-nos de que ao passarmos por ele aquele momento se precipita
no passado e dali só sairá, muitas vezes, para surgir-nos
na memória exatamente na hora mais amarga e como objeto de
nossa maior saudade?
Eis nosso grande paradoxo: sermos artífices
de nossa própria confusão e angústia e, ao
mesmo tempo, lutar contra isso. Somos o pai dos desvios e desencontros
da sociedade contemporânea, buscando Deus como se ele estivesse
lá e nós aqui, não nos dando conta de que não
existe uma separação mensurável em escala humana,
entre Deus e nós. Deus é o continente, nós
o conteúdo. Estamos, pois, imersos em Deus e devemos nos
ocupar do bem que ele nos confiou por empréstimo: a Vida.
Nossa e de nossos filhos; nossa e de qualquer instituição
a que pertençamos; nossa e de nossa comunidade, Estado, país;
nossa e do mundo.
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