PORTAL MAÇÔNICO




( * ) Irm. Antonio Carlos de Souza Godoi
é Advogado - Consultor de Empresas
Recursos Humanoos Comerciante

Trabalho destinado ao Consistório P:.R:.S:. Paulo M. de Carvalho
Região de Itapira – SP


A:.R:.L:.S:. Nove de Abril de Mogi Guaçu
Or:. de Mogi Guaçu–SP

 

A Maçonaria e sua Responsabilidade Il


Irm Antonio Carlos de Souza Godoi

A fantasia do último minuto

(continuação)
As nações mais poderosas, assentadas em seus tronos, decidem sobre os destinos das mais pobres e dependentes acenando-lhes com seu poderio econômico ou com seus mísseis, seus raios da morte, suas mesquinhas guerras nas estrelas, suas bombas sujas e limpas, o seu ridículo - mas ainda assim, mortal - poder.

Vemos, inertes, a propaganda de massa transformar as pessoas em consumidores compulsivos, com seus reflexos condicionados; vemos, igualmente, os meios de comunicação social como a principal escola dos profundos desvios sociais, morais e comportamentais e deturpadores dos nossos valores centrais, dentre eles a família.

Olhemos as ruas de nossas cidades interioranas principalmente, à noite. Vazias! Afinal, é hora da(s) novela(s) e as pessoas já não se sentam mais à soleira das portas para conversar. Não têm mais tempo!

Ao longo de sua tormentosa e acidentada história neste planeta o Homem foi pouco a pouco, mas inexoravelmente, nublando sua visão da vida confundindo o sentido do viver. Assim, sua vida acabou se tornando simplesmente uma sucessão de segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, décadas e séculos. Já discute ele até o próximo milênio como se fosse coisa de somenos importância e não se dá conta de que o que mais fez, neste milênio, foi esquecer. Esquecer que teve um princípio e, consequentemente, chegará a um fim num plano mais alto ou mais baixo, dependendo do uso que fizer do dom da vida que recebeu por empréstimo do Ser Supremo.

O Homem passou a correr cada vez mais, física e espiritualmente falando, para tentar fugir a esse instante final mas, curiosamente, em direção a esse mesmo instante pois que insiste em abreviar sua chegada. Na ansiedade de viver não consegue mais distinguir o exato sentido do termo perdendo, assim, os pontos de referência pelos quais poderia se orientar. Perde, em resumo, o talento para a vida e abandona a vocação para a felicidade aprisionando a vida dentro da pressa, da urgência, do imediatismo, do instante que vai passar e que, de repente, para sua consternação, já se tornou ontem! Como, então, ficar surpreso com a profunda confusão e angústia que o assalta se quer chegar ao amanhã na frente do
calendário?

O despertador toca, o Homem se levanta e de repente já está atrasado e já está trabalhando e já está voltando para casa e já está jantando e já está dormindo e já está acordando outra vez porque o despertador está tocando e ele está atrasado... e está, sempre está, naquele ponto de transição que se localiza imaginariamente entre o ontem e o amanhã mas que não é o verdadeiro hoje. Querendo beber sofregamente apenas o amanhã já não vive mais o hoje e amanhã vai fazer falta na memória o ontem... que é hoje!

Vivemos apenas a fantasia do último minuto, calculando quanto falta para acabar, na contagem regressiva do tempo e chegaremos ao fim da linha sem termos tido tempo de ter tempo, tragicamente esquecidos de que a vida não pode ser plenamente vivida a não ser em pedaços de um dia. Perdidos em um mundo cujos horizontes e limites nós próprios derrubamos ou confundimos, não nos damos conta de que a carga de amanhã, somada à de ontem, é a que nos faz vergar os joelhos hoje. E a mensagem evangélica é tão cristalinamente clara a esse respeito: Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã porque o amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia a sua própria atribulação!