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Samaúma - PORTAL MAÇÔNICO


 

 


 

 

 

( * ) Irm. Antonio Carlos de Souza Godoi
é Advogado - Consultor de Empresas
Recursos Humanos Comerciante

Trabalho destinado ao Consistório P:.R:.S:. Paulo M. de Carvalho
Região de Itapira – SP


A:.R:.L:.S:. Nove de Abril de Mogi Guaçu
Or:. de Mogi Guaçu–SP

 

A Jornada Mítica da Liderança


 

 

 

Irm Antonio Carlos de Souza Godoi

 

 

 

 

De qualquer forma que se desenrole a vida humana, é inegável que cada um de nós tem: Um Ponto de Partida, de onde nos sentimos chamados e somos preparados para enfrentar desafios e provar nossa competência, coragem e dedicação a valores mais elevados: Uma Grande Transição, de onde partimos para uma busca ainda mais profunda de transformação pessoal e espirtual, dispostos a nos libertarmos definitivamente de crenças e premissas e ir além dos limites conhecidos; e Uma Síntese, de onde, transformados, estamos capacitados a ser agentes de transformação do mundo pela nossa força interior e pela demonstração de nosso exemplo vivo, ou seja, pela nossa Liderança.

Se olharmos para nossa Sublime Instituição poderemos perceber que essas três divisões nela existem concretamente, seja sob o foco do Simbolismo ou do Filosofismo; todavia, se é relativamente fácil definir essas três sub-divisões não é tão fácil vislumbrar sua vivência prática, muito particularmente a terceira: ser agente de transformação do mundo, o que implica em Liderança visto que ninguém consegue transformar uma sociedade, nem mesmo uma parcela dela, sem liderar.

A primeira indagação que explode em nossas mentes é: como? A velocidade com quer ocorrem as mudanças no mundo moderno, a vertiginosa sucessão de Valores e Princípios que, com a mesma rapidez com que são exaltados nos altares da Humanidade caem no poço sem fundo do esquecimento, deixam o Homem contemporâneo em permanente sensação de insegurança e indefinição e tornam a resposta àquela indagação um verdadeiro exercício de Fé, mais do que de Lógica.

Entendemos que o exercício de uma liderança maçônica forte, em um mundo onde nada mais tem a segurança das coisas perenes, precisa provir da crença de que este mundo, que recebemos como herança para dele cuidar e transmitir a nossos filhos, precisa ser um lugar onde cada ser humano seja chamado a revelar o que tem de melhor, de mais elevado - ao contrário do que se vê - um lugar justo, onde todos sintam que o que fazem tem importância e onde essa realização seja sentida também na alma, mais do que no bolso.

A atuação de um Líder, portanto, deve ser voltada para a catalização das mudanças necessárias ao mundo de hoje através de uma verdadeira Jornada Heróica e, por assim dizer, Mítica pois temos que nos apoiar em modelos arquetípicos nos quais encontraremos quais as características que devemos expressar nessa tarefa que, a cada dia, se torna mais árdua mercê de uma deterioração espiritual progressiva do Homem e dos Valores mais altos de nossa espécie.

Vejamos, pois, que características temos que cultivar em
nossos íntimos e expressar nesse papel de Liderança.

A primeira é ser Inocente. Parece um tanto infantil pensar em um Líder como inocente mas todos, uns mais e outros menos, convivemos com um inocente dentro de nós. Mesmo os grandes condutores, os que fazem ou mudam a História vivem, em diversos momentos de sua existência, um estado de inocência que os alavanca e os leva à realização de suas aspirações.

Mas, o que é ser Inocente? É ter um propósito claro, uma visão forte, acreditando no futuro como se detivesse todas as garantias do mundo, ainda que na maioria das vezes tenha apenas uma única coisa: um sonho, como o teve Martin Luther King.

Foi essa inocência que trouxe Colombo à América, transformou mascates em milionários, levou vendedores de laranjas a construirem impérios e fez de um menino pobre o esportista do século. Cada um desses Líderes confiou em seu sonho, em sua visão, em seu propósito e na importância do significado de suas idéias para si mesmo, para seus semelhantes, sua família e sua comunidade. Essa inocência, pois, é uma pré-condição de tudo o que se inicia. Sem a Fé, o Entusiasmo e a Confiança do Líder Inocente nada poderia ter um início e, muito menos, um futuro.

A segunda característica é ser Guerreiro. Embora seja uma característica mais atraente, em princípio, do que a do Inocente, não se trata do exercício de atitudes destruidoras e sim da luta por altos ideais, em defesa da honra e da dignidade humanas, hoje banalisadas pela materialidade.

Vivemos a cultura do Guerreiro e esse arquétipo se faz necessário para protegermos os princípios que norteiam nossos ideais, particularmente aqueles de nossa Ordem que abraçamos e supostamente juramos defender e disseminar todos os dias de nossas vidas. Significa darmos o melhor de nós e nos esforçarmos por vencer o mundo com coragem e disciplina interiores.

O lado luminoso desse arquétipo guerreiro produz uma força motriz que nos impulsionará e alavancará no exercício da liderança e nos dará a sabedoria para conduzir a energia do interior para o exterior em nossa defesa e de nossos semelhantes. Agindo pelo coração e com talento reuniremos apoio para a causa que abraçamos e nossa arma mais poderosa será a mente que sabe auto-disciplinar-se.

A terceira característica de liderança é ser Servidor, ajudando as pessoas, sejam elas nossos Irmãos Maçons ou universais, a crescerem e se desenvolverem. Quando no ambiente maçônico a atitude do Líder Servidor deve ser a de pacificador, gerando um sentimento de comunidade fraterna, encorajando o relacionamento cooperativo entre todos os Irmãos de modo que sintam que pertencem àquela fraternidade, que são valorizados e que podem ser quem desejam ser.

Se formos verdadeiros Líderes Servidores nossa atitude
maior deve ser a de Educadores, plenos de serenidade,
sensatez e preocupação com os outros - não porque deixemos de nos preocupar conosco mesmos, mas porque o cuidado que temos pelos nossos Irmãos é algo mais forte em nós do que o instinto da auto-preservação, é algo que foi impresso em nós pela vontade do Grande Arquiteto do Universo, por quem nos colocamos a serviço do altruísmo e do bem comum.

Nossos dons a cultivar, como Servidores, devem ser a generosidade e a compaixão e nosso fruto a ser distribuído à Humanidade deve ser uma maior abundância e liberdade para todos os nossos semelhantes a quem devemos ajudar e servir por meio do cuidado amoroso e do sacrifício.

A quarta característica é ser Buscador, atendendo ao chamado que vem do espírito e aspirando alcançar nossas visões, expressando-as com sabedoria, desbravando sempre novas fronteiras e transcendendo nossos limites. Num estado de permanente insatisfação com o mundo como está devemos procurar novas saídas que garantam a continuidade das futuras gerações e manter aceso um intenso desejo de sermos melhores, mais realizados e de inspirarmos aqueles que eventualmente nos seguirem, na direção de sua própria iluminação interior.

Dentro de nós deve estar sempre a visão de um futuro melhor e de um mundo mais perfeito, como preparação para nosso ingresso na Jerusalém Celeste. E isso não como um sonho utópico, mas como um desejo de metas voltadas para o atingimento, neste mundo, de valores mais elevados, de maior igualdade e justiça social.

A quinta característica é ser Amante, permitindo que nossa alma manifeste e expresse o Amor que mora dentro de nós. Nossa alma é nosso potencial humano que, como a semente pronta a germinar em condições favoráveis, deve vir à tona e transformar a Vida em uma experiência dinâmica e significativa. Ela é a dimensão da consciência que nos liga ao Espírito Criador e nos dá um senso de significado e valor.

Em nossa atuação deve estar expressa nossa opção de vida, isto é, o amor pelo que fazemos e que dá consistência e verdade ao compromisso que assumimos.

A sexta característica é ser Criador, estabelecendo uma forte conexão com nossa essência mais íntima e, a partir desse nível, nos abrindo para um contato com o Grande Arquiteto do Universo que, por Sua vez, nos inspira diante das dificuldades e obstáculos à nossa jornada.

A última característica é ser Sábio, colocando todo nosso empenho, todo nosso ardor na dissipação de qualquer tipo de ignorância ou preconceito. Devemos aplicar nosso conhecimento e transformá-lo em Sabedoria e nos
dedicarmos à descoberta da Verdade que liberta.

Ao olharmos para as necessidades de nossos irmãos
universais, sejam eles quem forem ou onde estiverem,
devemos ser capazes de influenciá-los e ajudá-los a se
transformarem pela irradiação de nosso próprio exemplo vivo, a se tornarem Unos no Todo e serem os artífices do futuro.

Criar esse futuro é uma tarefa portentosa e que não pode ser completada em estado de isolamento. É impossível imprimir o futuro na memória do presente sem compartilhá-lo, sem torná-lo uma responsabilidade universal e inalienável.

Que nosso exemplo de Liderança, como Maçons, portanto, seja um brado de alerta e de chamamento, para que o Homem acorde para sua nova hora, a hora de transcender os limites do pensamento que nos convida a um reducionismo de curto prazo. Esta é a hora de começarmos a formular, decididamente, perguntas que nos levem em direção ao propósito de estarmos aqui.

Tudo o que é necessário existe aqui e agora e esse momento é tudo o que existe. No rápido lampejo desse momento encontraremos todo o tempo do mundo e através dele entraremos em contato com a Fonte da Vida que nos guiará com infalível direção.

O aqui e agora, este momento, é o portal das estrelas pelo qual atravessaremos, deixando a prisão da delimitação humana para nos expandirmos na consciência da percepção divina. É a brecha entre os mundos do passado e do futuro mas também entre os mundos do tempo e do espaço, do espírito e da matéria, da forma e do ser. É uma zona intemporal, a passagem através da qual iremos participar novamente da aventura divina da Criação.