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Col Irm Antonio Carlos de Souza Godoi ( * )
Quando olhamos para o conjunto da Humanidade e comparamos o que
vemos com aquilo que nos foi transmitido sobre o plano do Grande
Arquiteto do Universo para Sua obra, podemos dizer que a mais difícil
de todas as tarefas é a de ser Homem e a mais fácil
a de ser apenas como os homens, cuja característica predominante
é o Egoísmo, a Marca de Caim deixada sobre a Terra.
Se assumimos que somos Homens, devemos ter clara consciência
de que não vivemos sós no mundo, pois o Homem só
é impensável. Somos seres em relação,
feitos para os demais e que dependem dos demais. Se assumimos que
somos Homens, ainda, devemos entender que somos parte de um todo
que se chama Humanidade e para com ela temos o dever sagrado e inalienável
de contribuir com o melhor de nós mesmos para que este mundo
seja um pouco melhor do que estava quando a ele viemos.
Não nos confundamos, pois, com o rebanho. Sejamos Homens
no meio de homens porque temos um caminho a trilhar, uma missão
a cumprir e o caráter a realizar antes que possamos nos considerar
graduados na Universidade da Vida.
Ao encontrarmos em nosso caminho um Homem desinteressado façamos
dele nosso modelo a imitar e apeguemo-nos a ele como a sombra ao
corpo. O Desinteresse é, talvez, uma das lições
mais difíceis que temos a aprender para chegarmos a ser Homens.
Conforme gira, sem cessar, a Roda da Vida vemos que aflora no meio
do inextricável labirinto humano uma necessidade como verdade
incontroversa: Decência. Decência no pensar, no sentir,
no agir. Um Homem decente é honesto o que vale dizer, limpo
de mãos e espírito; é justo o que vale dizer,
rende culto à Igualdade.
Em nossa caminhada ascendente pelos degraus da Escada de Jacó
uma das qualidades mais trabalhosas de se preservar no mundo de
hoje é a Decência; todavia, se não formos decentes
não conseguiremos nos graduar na Universidade da Vida.
Se assumimos que somos Homens e não apenas como os homens,
temos que ser coerentes com nossos princípios, idéias
e convicções e isso não pode ser mercadoria
de vitrine. Que se modifiquem, se aperfeiçoem, se superem
mas que jamais estejam à venda a quem melhor oferta fizer.
Se nos portarmos realmente como Homens, todavia, os reinos deste
mundo conspirarão contra os nossos mais caros ideais e convicções.
Lutemos com eles e por eles e se formos, ao final, crucificados
que o sejamos com eles e por causa deles.
Se persistirmos em continuar a áspera jornada ascendente
soframos nossas dores, nossas esperanças e nossos erros com
humana incerteza mas com dignidade e inteireza.
Não busquemos nem peçamos piedade ou indulgência
para com nossas fragilidades e nem mendiguemos o consolo. Tiremos
força de nossa fraqueza e não nos consideremos vencidos
enquanto uma única gota de sangue correr em nossas veias.
Temos um cérebro. Pensemos, então, com ele. Temos
um coração. Com ele, então, amemos. Temos dois
braços. Transportemos, então, nossa cruz com eles.
Se desejamos realmente ser Homens e não apenas como os homens
é preciso, sobretudo, que sejamos jovens. Mas isso na compreensão
de que a juventude não é tanto uma época da
vida mas sim um estado de ânimo, um temperamento da vontade,
uma qualidade da imaginação, um vigor das emoções.
E isso só perderemos se abandonarmos nossos ideais e nosso
entusiasmo, pois que se os anos nos enrugam a pele o abandono do
Entusiasmo é que nos enruga a alma.
Depende exclusivamente de nós se seremos tão jovens
quanto nossa fé ou tão velhos quanto nossa dúvida;
tão jovens quanto nossa confiança em nós mesmos
ou tão velhos quanto nosso desespero. Sejamos, pois, Homens
com a juventude na alma! Quer tenhamos vinte anos ou sessenta, que
exista em nosso peito o impulso à maravilha, o suave assombro
diante das constelações infinitas, o desafio aos acontecimentos,
o apetite infantil e nunca desmentido pela alegria de viver. Que
nossa alma reflita uma profunda Primavera da Vida.
Transmitamos, com nosso agir de Homens e Maçons, mensagens
de esperança, de beleza, alegria, grandeza, valor e poder
e impeçamos que nosso coração se cubra com
as neves do Pessimismo e o gelo do Egoísmo no inverno solitário
daqueles que abandonaram a luta por descrença em si próprios
e por terem se esquecido que foram criados como sementes da Divindade.
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