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Col Irm Antonio Carlos de Souza Godoi ( * )
Apesar de não ser mais uma sociedade secreta
(no sentido mais estrito do termo) e sim discreta, visto
que hoje o mundo profano conhece muito mais do que deveria sobre
a Maçonaria do que no passado, a Sublime Instituição
ainda se reveste de uma aura de mistério que excita a imaginação
de muitos profanos, como costuma acontecer com praticamente tudo
o que é solene, misterioso, esotérico ou cabalístico
e vários acabam ingressando na Arte Real, atraídos
que são por aquela aura, sem se darem conta da profundidade
e enormidade do compromisso que assumem e vindo, posteriormente,
se decepcionarem com o que encontram, muitas vezes fruto do paradoxo
que toda sociedade humana encontra: a discrepância entre a
teoria e a prática.
Ser Maçom não é apenas frequentar
um Templo e participar da Loja, trocar sinais, palavras ou toques,
nem visitar outras Lojas regulares, quer em Sessões Econômicas
ou Magnas embora tudo isso faça parte de nossa vida na Ordem.
Ser Maçom significa estar comprometido com a busca incessante
e árdua da Verdade, da Chave da Sabedoria Divina; significa,
sobretudo, pagar diuturnamente o alto preço exigido pela
Liberdade: a eterna vigilância.
Ser Maçom significa tornar-se um Educador
da Humanidade e isso implica na capacidade de influenciar os comportamentos
de seus semelhantes e orientá-los. Nossa Missão é
fazê-lo na direção do Bem o que implica, por
sua vez, em enorme e precisa responsabilidade para com a Verdade
e o Bem Comum da sociedade humana. Educar não é, como
muitos equivocadamente entendem, proporcionar mais cultura ou conhecimento.
A palavra vem do latim Educere e significa literalmente
revelar o que está oculto ou latente dentro de uma pessoa,
isto é, potencializar toda a energia que ela tem dentro de
sí e que ela própria desconhece.
Os ideais maçônicos, caro Irmão
Aprendiz, são justos e perfeitos porque se alicerçam
na vontade do Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, em
Quem tudo é Justiça e Perfeição infinitas.
Todavia, nem sempre encontrará em todos os Irmãos,
indistintamente, o reflexo dessas virtudes transcendentais ou mesmo
sua prática concreta, pois para que os propósitos
da Maçonaria Universal sejam atingidos na sua plenitude é
preciso que haja uma perfeita simbiose entre a Sublime Instituição
e aqueles que a compõem.
É neste ponto que, muitas vezes, deparamos
com uma decepção. Por isso, não podemos ver
no conteúdo que somos todos nós uma
imperfeição do continente que é a Maçonaria.
Somos todos pedras imperfeitas, ainda que nos esforcemos em sua
lapidação e dependemos uns dos outros para a harmonia
da Grande Construção. Lembre-se, então, aqui,
que é muito fácil criticar a aspereza das arestas
de uma pedra, caro Irmão; o difícil é empunhar
com Amor o Maço e o Cinzel e apará-las.
Pelo juramento que prestou sobre o Livro da Lei
Moral, hoje já sabe que cada Obreiro é pago e responde
apenas pelo seu trabalho, perante o Supremo Juiz dos Mundos, mas
que não galgará, também, os íngremes
degraus da Escada de Jacó se intentar cumprir a missão
sozinho. És nosso Irmão, somos teus Irmãos
e para sempre. Sua missão também é nossa.
Atente para as palavras de nossa trilogia: LIBERDADE-IGUALDADE-FRATERNIDADE.
Lembre-se que livres e iguais somos todos, antes mesmo que o proclamasse
a Declaração Universal dos Direitos do Homem, pois
assim nos criou Deus, o Grande Arquiteto do Universo a quem reverenciamos
em nossos Templos como o Princípio Criador. Todavia, a prática
da Fraternidade só florescerá em seu coração
se assim o desejar e permitir, ainda que alí esteja em semente,
exatamente porque é livre para fazê-lo.
Por último,
pois dizer-lhe mais agora seria prematuro, lembre-se que a Maçonaria
é Sistema e Escola. Nela deve aprender inclusive a essência
e a prática da verdadeira Caridade e consolidar os fundamentos
de sua fé, qualquer que seja a idéia que faça
de Deus, mas desde que Nele e em Seus Desígnios deposite
tua esperança e tua confiança em todos os transes
da vida, pois que não admitimos que alguém possa dar
antes de ter se apercebido do que e quanto tem.
Lembre-se, como fecho destas palavras de exortação,
que ninguém é tão pobre que nada tenha a dar,
nem tão aquinhoado pela vida que nada precise, nem tão
bruto que nada possa ensinar ou tão sábio que nada
lhe reste a aprender. Dobre-se humilde e esperançosamente
ante o golpe do Maço do Criador e sujeite-se à orientação
de Seu Cinzel, para que mereça compor a Grande Obra da Criação.
E se encontrar as trevas da decepção
um dia, em sua jornada maçônica, não se quede
como tantos insensatamente o fazem, amaldiçoando a escuridão.
Acenda as luzes do teu espírito, ao invés disso e
ilumine o caminho daqueles que se deixaram ficar. Seja bem vindo
ao nosso meio e que doravante seja mais um elo que se funde à
cadeia infinita que une todos os Maçons do universo na Divina
Tarefa.
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