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Col Irm Antonio Carlos de Souza Godoi ( * )
No antigo Egito, séculos antes de Cristo, diziam os sacerdotes
ao candidato que tivesse passado pelas duras provas das viagens
e se tornado Aprendiz: TU ÉS A LUZ. DEIXA A LUZ BRILHAR!
Por meio desse ensinamento, transmitido pelo Instrutor do Mundo,
Hermes Trimegisto, em épocas tão remotas que se perdem
na névoa do tempo e da memória, conforme nos explica
a Maçonaria Mística, entendia-se que o Homem subtraído
ao mundo das trevas espirituais e purificado pela água e
pelo fogo, encontrava-se num plano onde deveria expressar a Luz
do Ente Supremo da qual ele, Aprendiz, era um veículo assim
como Hermes o fora.
E qual deve ser o trabalho do Aprendiz, senão o de aprender
com os Mestres a dar seus passos regulares na senda que conduz à
Luz do Supremo Ordenador dos Mundos, ao plano espiritual onde está
construído o mais perfeito de todos os Templos?
Assim, à medida em que o Aprendiz vai ampliando seus conhecimentos,
fortalecendo-se com a convivência fraterna e os trabalhos
da Oficina, vão se revelando a ele o Concreto oculto pelo
Subjetivo; a Verdade oculta pelo Simbolismo; e, à semelhança
de Saulo de Tarso na estrada de Damasco, caem-se-lhe dos olhos as
escamas que o impedem de contemplar a Luz da Verdade e do Conhecimento,
por onde se pode chegar à chave da verdadeira vida, anseio
de todo Maçom fiel porém acessível apenas aos
que conseguem alijar de si todo pensamento que não esteja
voltado unicamente para a justa e perfeita união com a Vontade
do Grande Arquiteto do Universo e, por essa mesma Vontade, com toda
a Fraternidade Universal.
Tal como a obra reflete seu construtor, assim deve o Aprendiz refletir
as lições de seus Mestres, as quais tem que buscar
com o ardor de um peregrino.
Buda o Iluminado há dezenas de séculos,
disse a um discípulo que lhe pedia a síntese de toda
sua sabedoria em apenas um verso:
CESSA DE PRATICAR O MAL; APRENDE A PRATICAR O BEM; PURIFICA
TEU CORAÇÃO. TAL É A RELIGIÃO DOS ILUMINADOS.
Esta, também, deve ser a procura do Aprendiz, mesmo sabendo
que a verdadeira compreensão entre as criaturas humanas só
será plenamente atingida quando se elevarem em definitivo
aos planos mais puros do espírito, além da carne e
da matéria imperfeitas.
O reflexo do Grande Arquiteto do Universo deverá estar sempre
em todo Aprendiz, imagem e semelhança Dele e de seu Verbo
Materializado. Essa imagem é uma expressão ou continuação
do Grande Arquiteto pois Ele é a Luz que transporta a imagem
e enquanto o Aprendiz for capaz de receber e refletir essa Luz,
será sempre parte consubstancial dela e se identificará
permanentemente com o Criador. O grande pensador, Emerson, em seu
ensaio sobre a Super-Alma, diz: NÃO HÁ NA ALMA
UM LIMITE OU VALE ONDE DEUS A CAUSA CESSE E O HOMEM
O EFEITO COMECE.
Assim, é fundamental, inclusive para o maior fortalecimento
da Fraternidade Maçônica, que o Aprendiz empreenda
todos os esforços no sentido de ser cada vez mais capaz de
receber e refletir a luz dos planos superiores onde o Espírito
Criador continuamente deixa correr seu eterno fluxo ordenador. Desse
planos veio o Homem e de volta para ele o impulsiona seu espírito,
numa gradação sucessiva que o devolva ao ponto de
orígem mais enriquecido com as experiências acumuladas
durante o processo, mais puro e incontaminado das misérias
deste mundo imperfeito.
Ao longo de sua jornada maçônica terrena, deve o Aprendiz
cristalizar em si e em suas obras a certeza de que sua vida e todas
as vidas são fundamentalmente uma só e que ninguém
vive para si apenas. Todo Homem é um ser em relação,
feito para os demais e dependente dos demais e jamais será
Humano a não ser em conjunto.
É preciso que, por etapas sucessivas e graduais o verdadeiro
Aprendiz, aquele em que o espírito maçônico
atingiu o nível do sacramental, se aperceba do mundo material;
depois, do mundo da vida ou consciência para poder, finalmente,
elevar-se até o conhecimento do seu verdadeiro ser. Ele deve
ser como as pedras de um Templo, preparadas de antemão para
a edificação.Como disse Santo Inácio, aquele
que em criança sentou-se ao colo de nosso Irmão Maior,
Jesus Cristo, numa notável passagem maçônica:
SOIS ERGUIDOS ÀS ALTURAS PELO INSTRUMENTO DE TRABALHO
DO CRISTO A CRUZ USANDO COMO CORDA O ESPÍRITO
SANTO E COMO GUINDASTE A VOSSA FÉ, SENDO O AMOR O CAMINHO
QUE CONDUZ AO ETERNO.
Pode o Aprendiz sentir nessa lição a responsabilidade
que lhe recai sobre os ombros. É, ainda, pedra rústica
mas traz dentro de si o esboço da pedra polida e angular
sobre a qual se edificará o Homem Livre. Precisa, pois, refletir
intensa e profundamente porque está neste mundo. O Grande
Arquiteto do Universo assim o quer, pois se assim não fosse
aqui não estaria. Ele veio para o trabalho de construção
do Templo do Grande Arquiteto do Universo, da morada da Fraternidade
Eterna.
E para essa tarefa formidável, conforme ensinam as instruções
do Grau 1º, tem os instrumentos de trabalho necessários
colocados, por milenar sabedoria, nas mãos das três
principais Luzes da Loja: a Régua de Vinte e Quatro Polegadas,
o Maço e o Cinzel. Com a Régua, conhece a justa medida;
com o Cinzel, sente; com o Maço, age com perfeição.
Através do sábio emprego desses instrumentos de trabalho,
que são uma representação simbólica
da ordem e das forças inerentes à obra da Criação,
atingirá o Aprendiz o estágio da Pedra Polida e pronta
para o uso, do Homem liberto das paixões e dos preconceitos.
Necessário é, ainda, que o Aprendiz reflita sobre
o momento em que ouviu, durante sua iniciação: NO
PRINCÍPIO DO MUNDO, DISSE O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO,
FAÇA-SE A LUZ ... E A LUZ FOI FEITA. E lhe foi dado
ver a luz. Mas,que luz foi essa? Aquela que rodeia os Irmãos
em Loja e lhes ilumina os trabalhos, ou aquela que, emanada da suprema
e eterna fonte o deverá orientar para a Verdade e a Retidão,
para a consciência de que tem maior sentido e utilização
no Plano Divino do que jamais poderia imaginar? Cristo não
disse, no Evangelho: CONHECEREIS A VERDADE E ELA VOS LIBERTARÁ.?
Em um antigo ritual da Maçonaria, trolhava-se um Irmão
com a seguinte fórmula ritualística: DE ONDE
VINDES COMO MAÇOM? DO OCIDENTE! E PARA ONDE VOS DIRIGÍS?
PARA O ORIENTE! E O QUE VOS INDUZIU A DEIXAR O OCIDENTE E DIRIGIR-VOS
PARA O ORIENTE? BUSCAR UM MESTRE E DELE OBTER INSTRUÇÃO!
É aos Mestres, portanto, que o Aprendiz deve buscar, para
se colocar sob as luzes de sua experiência e para que seja
ensinado a dar corretamente seus passos na Arte Real; e é
fraternalmente que deve buscar essa instrução mas
sem esquecer-se que também deve, por si, aprofundar-se no
estudo do Pensamento Divino, eis que as incontáveis galáxias
e formas de vida do universo nada mais são do que a materialização
da Mente Cósmica.
Na Maçonaria aprende-se que os Rituais e Simbolismos trazem
em seu bojo um sentido, um conceito. Cada Maçom é
um peregrino em busca do Portão guardado pelo Querubim da
Espada Flamígera, como descrito no Livro da Lei. Mas, ninguém
o atingirá jamais se não se elevar acima do externo
e do material, se não se desapegar do continente para mergulhar
no conteúdo, se não tiver raiado dentro de si a exata
compreensão da razão pela qual está neste mundo.
Diz a velha sabedoria popular que por respeito ao santo beija-se
a imagem; por respeito ao que significam, reverenciamos nossos rituais
e simbolismos mas é forçoso que desde os primeiros
passos o Aprendiz os encare como um meio e não um fim em
si mesmos, para que não se torne mero repetidor de toques,
sinais e palavras e sim um digno aspirante à Luz de onde
veio e com a qual se refundirá um dia, num dos muitos caminhos
do Tempo. Finalmente, como verdadeiro Maçom, deve o Aprendiz
manter seus olhos espirituais para além das colunas do Templo,
voltados para os níveis superiores onde domina a Verdade
e nos quais todo Obreiro Livre anseia repousar ao terminar seu último
trabalho.
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