PORTAL MAÇÔNICO

Trabalho para o Consistório P:.R:.S:. Paulo M. de Carvalho - Região de Itapira – SP

( * ) Irm. Antonio Carlos de Souza Godoi é
Advogado - Consultor de Empresas
Recursos Humanos Comerciante

A:.R:.L:.S:. Nove de Abril de Mogi Guaçu
Or:. de Mogi Guaçu–SP

Este trabalho destinou-se ao Consistório P:.R:.S:. Paulo M. de Carvalho Região de
Itapira – SP

 

Se V deseja conhecer outros traabalhos do Irm Antonio Carlos de Souza Godoi queira clicar no link seguinte

 

 

 

 

CIÊNCIA x HUMANISMO

Irm Antonio Carlos de Souza Godoi ( * )

UMA ENCRUZILHADA FATAL?

Uma questão preocupante nos dias de hoje refere-se ao apagamento do velho Humanismo diante do cientismo intolerante que assumiu um domínio tirânico sobre a civilização humana nas últimas décadas.

Derivada desse questionamento, tem-se colocado uma pergunta crucial: poderá o Humanismo renascer de suas cinzas, qual a Fênix mitológica? No âmago dessa questão se encontra o quadro do Homem e do Humanismo praticamente à beira do precipício, esmagados que estão sob o peso de tantas ciências, que deveriam estar contribuindo para libertar o Homem mas sobre as quais se questiona, seriamente, se não estão apenas preparando o cataclismo final da perdição desse mesmo Homem, provocando seu triste retorno a um inconcebível Nada.

Inegáveis, por outro lado, as muitas contribuições que têm sido trazidas pelas ciências. Mas, no balanço final, apesar de tudo, ainda permanece um sabor de perda, de um alargamento maior da brecha que cindiu o Homem no pós-Guerra e o levou abruptamente a saltar, sem a devida reflexão, da Filosofia Humanística para o culto quase idólatra da Tecnologia, em cujo altar passou a sacrificar as primícias de seu suor e trabalho.

No ponto onde a Humanidade hoje se encontra o Homem contemporâneo caminha trôpego, oscilando em insuportável angústia da qual são testemunhas trágicas o crescimento dos suicídios, a escalada das drogas e da violência, além da criminalidade impune que não são, quem sabe, senão os sinais antecipados de um suicídio coletivo que levaria o Homem a se tornar apenas um objeto de lembrança, isso se houver ainda na face da Terra alguém para se lembrar.

Diante dessas perspectivas sombrias, parece fora de dúvida que o Homem precisa necessária e urgentemente voltar ao Humanismo, para que a Humanidade retome alento e recoloque a educação dos povos no contexto imensamente rico das Humanidades. E isso não significa que, retornando às origens, estaríamos paralelamente retornando ao passado. O que pertence ao passado é verdadeiramente passado e não se pode fazer voltar ao inexorável relógio do tempo. Mas, o passado pode ajudar a construir o futuro incorporando-se ao presente.

Também é fora de dúvida que se faz necessário dar às Humanidades dimensões diferentes das que tinham na época pré-científica. O Humanismo nos dias atuais não terá valor algum se não mergulhar fundo, sem reservas, no universo das ciências; todavia, de seu lado, essas mesmas ciências perderão o direito ao nosso respeito se não se aliarem, franca e eficazmente, para o serviço do Homem impregnando-se de Humanidades a fim de que nelas, então, o Homem seja reconhecido em toda a sua dignidade, em toda a plenitude de sua orígem divina.

Dois grandes pensadores, filósofos e críticos de nossos tempos, Koestler e Poppe, deixaram-nos duas obras de admirável conteúdo filosófico ao exercitarem uma vigorosa, porém objetiva, crítica da postura do Homem tecnologicizado diante dos grandes e fundamentais questionamentos que lhe afligem a alma: A Busca do Absoluto e A Busca Inacabada.

Aquelas duas mentes poderosas perceberam que para além do longo caminho científico, permaneciam as questões às quais as ciências não têm como responder por estarem ilhadas no estreito território do Relativismo. Ora, ao mesmo tempo em que a tudo responde o Relativismo não responde a nada, exceto ao nível das causas imediatas e secundárias dos acontecimentos; entretanto e lamentavelmente, deixa o Homem insaciado e desejoso ainda de saber qual a origem primeira dessas mesmas causas, pois que ele jamais se satisfaz com o que conhece.

Mesmo quando sabe o como das coisas o Homem continua inquieto e, permanentemente insaciado, quer descobrir o porque e os porquês das coisas, de si mesmo, de sua existência, ao mesmo tempo em que o para que dessa sua viagem inexplicável através do tempo. Em resumo, permanece uma só inquietação no espírito do Homem, lancinante e dolorosa: a interrogação a respeito do sentido de seu Ser e de sua Vida.

Essa inquietação, essa procura do inacabado e do absoluto, como mencionam Koestler e Poppe, admiravelmente sintetizada por Paul Tillich em A Procura do Último, levam o Homem a mergulhar no pleno contexto filosófico. Por estranho movimento das coisas a Física devolve-o à Metafísica sem que ele consiga escapar desse retorno. Nesse sentido, inclusíve, são dignas de menção as obras de Fritjof Capra intituladas O Tao da Física e O Ponto de Mutação.

Compreende-se, assim, mais claramente hoje que a procura do Homem jamais acaba e que quando penetra nas trevas do relativo ela ainda persegue o absoluto. Por isso, temos que lutar para que o Homem volte à arte do Pensar, especialmente a nossa juventude, reiniciando-o na Filosofia que nada mais é do que a arte de se interrogar para além das respostas curtas que os currículos científicos podem oferecer.

E não se trata, aqui, de impor-lhes as histórias das Filosofias pois que isso nada mais seria do que um exercício de memória, um conjunto de informações que nada acrescentaria à formação dos espíritos, particularmente dos jovens. Se memorizar é importante, pensar será ainda mais importante para o Homem de nosso tempo.

E o que é pensar? Qual o sentido de pensar? Freqüentemente confundimos o pensar com estudar. Entretanto, são duas coisas diferentes pois estudar é trabalhar com vontade em algo e assim pode-se afirmar que estudamos quando enfrentamos um livro, por exemplo e o compreendemos, depois o recordamos, o sintetizamos e expomos. Isso certamente é estudar, masnão pensar.

Pensar é refletir, é como que um ruminar mental, um voltar-se sobre as coisas. Por isso, são poucos os que pensam e muitos os que só memorizam ou, então, acumulam determinadas informações. Se o Homem, pois, reaprender a pensar, se fizer desse estado uma atividade de sua vida ele então viverá em contínuo distanciamento e abandono da tirania do cotidiano e poderá mudar. Se não se muda o que deve ser mudado no mundo é precisamente porque não se pensa.

Esse novo pensar, pois, deve ser um aprendizado da interrogação para além da interrogação à qual as ciências já deram uma primeira resposta, seguindo as pegadas dos grandes mestres do pensamento que foram Sócrates, Platão, Aristóteles e Tomás de Aquino. Aquelas mentes poderosas e insuperadas até hoje se preocupavam muito pouco em conquistar discípulos; alimentavam apenas um propósito divino: despertar pensadores!

Esse deve ser, imperativa e inalienavelmente, o propósito de todos aqueles indivíduos ou instituições que se proponham a educar a Humanidade e nesse contexto, inegavelmente, insere-se a Ordem Maçônica. Nessa civilização tão rica de ciências, é necessário reensinar o Homem a pensar para que parta em busca do Inacabado, do Absoluto, do Último, para que todo o seu saber se transforme, pelo influxo divino, em Sabedoria.

Mas, para que o pensamento finque suas raízes e floresça, faz-se necessária a presença da Lógica a impor o seu ritmo para protegê-lo contra as deformações, desejadas ou não, do raciocínio nesse universo tão carente da educação humana, ameaçada de completa cegueira tal a extensão da falta de pensamento.

Se assim for feito, a Humanidade estará formando sábios que serão, ao mesmo tempo, pensadores. Talvez a Humanidade venha a depender um dia de sua força para não perecer na vertigem da loucura.