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ColabIrm Antonio Carlos de Souza Godoi ( * )
No primeiro dia, na Universidade, nosso professor se apresentou
e nos pediu que procurássemos conhecer alguém que
não conhecíamos ainda.
Fiquei de pé e olhei ao meu redor, quando uma mão
me tocou, suavemente, no ombro.
Virei-me e me encontrei com uma velhinha enrugada cujo sorriso lhe
iluminava todo seu ser.
- Oi, gato. meu nome é Rose. Tenho oitenta e sete anos. Posso
te dar um abraço?
Ri e lhe respondi com entusiasmo: - Claro que pode!
Ela me deu um abraço muito forte.
- Por que a senhora está na Universidade numa idade tão
jovem, tão inocente?, perguntei-lhe.
Rindo respondeu:
- Estou aqui para encontrar um marido rico, casar-me, ter uns dois
filhos, e logo aposentar-me e viajar.
- Eu falo sério, disse-lhe. Queria saber o que a tinha motivado
a afrontar esse desafio, na sua idade.
- Sempre sonhei em ter uma educação universitária
e agora vou ter! - disse-me .Depois das aulas caminhamos, ao edifício
da associação de estudantes e compartilhamos uma batida
de chocolate.
Fizemo-nos amigos, em seguida.
Todos os dias, durante os três meses seguintes, saíamos
juntos da aula e falávamos sem parar.
Fascinava-me escutar a esta "máquina do tempo".
Ela compartilhava sua sabedoria e experiência comigo.
Durante esse ano, Rose fez-se muito popular, na Universidade; fazia
amizades aonde ia.
Gostava de vestir-se bem e deleitava-se com a atenção
que recebia dos outros estudantes.
Desfrutava muito. Ao terminar o semestre convidamos Rose para falar
no nosso banquete de futebol.
Não esquecerei nunca o que ela nos ensinou nessa oportunidade.
Logo que a apresentaram, subiu ao pódio. Quando começou
a pronunciar o discurso que tinha preparado de antemão, caíram
no chão os cartões aonde tinha os apontamentos.
Frustrada e um pouco envergonhada, inclinou-se sobre o microfone
e disse, simplesmente,
- Desculpem que esteja tão nervosa. Deixei de tomar cerveja
por causa da quaresma e este whisky me está matando! Não
vou poder voltar a colocar meu discurso em ordem, assim permitam-me
simplesmente dizer-lhes o que sei.
Enquanto nós ríamos, ela aclarou a garganta e começou:
- Não deixemos de brincar porque estamos velhos; ficamos
velhos porque deixamos de brincar.
- Há sós quatro segredos para manter-se jovem:
- Ser feliz e triunfar. Temos que rir e encontrar o bom humor todos
os dias.
- Temos que ter um ideal. Quando perdemos de vista nosso ideal,
começamos a morrer.
- Há tantas pessoas caminhando por aí que estão
mortas e nem sequer sabem!
- Há uma grande diferença entre estar velho e amadurecer.Se
vocês têm dezenove anos e ficam na cama um ano inteiro
sem fazer nada produtivo se converterão em pessoas de vinte
anos. Se eu tenho oitenta e sete anos e fico na cama por um ano
sem fazer nada terei oitenta e oito anos. Todos podemos envelhecer.
Não requer talento nem habilidade para isso.
- O importante é que amadurecemos encontrando sempre a oportunidade
na mudança. Não me arrependo de nada. Nós velhos
geralmente não nos arrependemos do que fizemos senão
do que não fizemos.
- Os únicos que temem a morte são os que têm
remorso. Terminou seu discurso cantando "A Rosa". Pediu-nos
que estudássemos a letra da canção e a colocássemos
em prática em nossa vida diária.
Rose terminou seus estudos e, uma semana depois da formatura, Rose
morreu, tranqüilamente, enquanto dormia.
Mais de dois mil estudantes universitários assistiram as
honras fúnebres para render tributo a maravilhosa mulher
que lhes ensinou com seu exemplo que nunca é demasiadamente
tarde para chegar a ser tudo o que se pode ser.
"Não esqueçam que ENVELHECER É OBRIGATÓRIO;
AMADURECER É OPCIONAL".
Que Deus abençoe o teu dia!
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